Críticas, Quadrinhos

Space Opera em Quadrinhos (2017)

Um documento sobre a qualidade e infinitas possibilidades deste subgênero da ficção científica

Space Opera em Quadrinhos
Original:
Ano:2017•País:Brasil
Páginas:168• Autor:Raphael Fernandes, Tiago P. Zanetic, Ioannis Fiore, Jun Sugiyama, Kazuo Miyahara, Larissa Palmieri, Eder Santos, Luís Carlos Sousa, Karol Rocher Knight, Rafael Levi, Braziliano, Alessio Esteves, MJ Macedo, Fernando Barone, Carlos Sekko, Angelo Dias e Giovanni Pedroni•Editora: Draco

Considerado um subgênero da ficção científica o termo space opera se refere a um determinado tipo de história espacial que enfatiza a aventura romântica, cenários exóticos, personagens épicos, alienígenas e batalhas espaciais.  O termo foi cunhado para definir, de maneira pejorativa, histórias recheadas de clichês, embora, assim como toda boa história de ficção científica, quando bem trabalhadas, a space opera pode trazer conceitos tão interessantes quanto os clássicos sci-fi.

Seguindo no seu hercúleo trabalho de trazer para as livrarias brasileiras novos autores nacionais em histórias de altíssima qualidade, a Editora Draco, que já possui uma longa tradição literária no gênero, reuniu mais um ótimo time de quadrinistas em Space Opera em Quadrinhos. A nova antologia também passou por um processo de seleção de material e segue os mesmos moldes de O Despertar de Cthulhu em Quadrinhos e Rei Amarelo em Quadrinhos, trazendo oito histórias que exploram os mais diversos estilos e conceitos da space opera.

A HQ que abre o álbum, Patrulheira, de Thiago P. Zanetic e Ioannis Fiore, mete o pé na porta com uma história sobre uma raça alienígena em uma batalha contra seu pior inimigo. A história é uma das melhores da coletânea e a decisão de coloca-la para abrir a revista é mais do que acertada. A capa do álbum se refere a esta história e também foi ilustrada por Ioannis. A história seguinte, Mana, de Jun Sugiyama e Kazuo Myahara, mistura fantasia e batalhas espaciais com um traço inspirado nos mangás e vídeo games.

Star Crust, de Larissa Palmieri e Eder Santos, possui um estilo mais europeu e mistura aventura espacial e intriga política, trazendo o melhor que o gênero tem a oferecer. Já em A Entrega, de Luiz Carlos Souza e Carol Rocher Knight, temos um drama familiar misturado a um road movie espacial em um traço que lembra muito os mangás dos anos 70 e 80. Mas o melhor de Space Opera em Quadrihos ficou reservado para a segunda metade da antologia.

Rafael Levi e Braziliano trazem A Queda, a história mais pirada do encadernado. Com elementos marcantes dos quadrinhos europeus, a HQ é um sci-fi mais tradicional, explorando as origens da vida na Terra (ou seria outro planeta qualquer?) com o traço belíssimo de Braziliano. O leitor mal tem tempo de se recuperar e já cai de cabeça em Protocolo 666 de Alessio Esteves e MJ Macedo. A história mostra os momentos finais de um governante alienígena questionando a marca que irá deixar em seu planeta quando se for. A diagramação inventiva de MJ Macedo é quase como se estivéssemos diante de uma HQ alienígena e transporta o leitor direto para a mente do personagem principal.

Fechando o encadernado, temos Pecado Original, de Fernando Barone e Carlos Sekko, e O Trio Sideral Contra o Maléfico Imperador Kaibo, de Angelo Dias e Giovanni Pedroni. Ambas as HQs exploram o lado mais aventuresco da space opera, como Star Wars ou Guardiões da Galáxia. Pecado Original possui arte e narrativa dinâmicas e cinematográficas, dando um fôlego extra à coletânea, mas Trio Sideral Contra o Maléfico Imperador Kaibo possui um timming cômico e um traço que destoa das demais histórias de Space Opera em Quadrinhos que acaba derrapando no final.

Com um time de quadrinistas e estilos de histórias mais heterogêneos do que as demais antologias da Draco, deixando o encadernado um pouco aquém de seus antecessores de terror publicados pela editora, Space Opera em Quadrinhos é um documento sobre a qualidade e infinitas possibilidades deste gênero muitas vezes tratado como menor por estudiosos e admiradores da ficção científica, mostrando que, com o time certo, a imaginação e o Universo são infinitos.

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