Tokyo Ghoul (2017)

Tokyo Ghoul
Original:Tōkyō Gūru
Ano:2017•País:Japão
Direção:Kentarō Hagiwara
Roteiro:Ichirô Kusuno
Produção:Geek Sight
Elenco:Masataka Kubota, Fumika Shimizu, Yū Aoi, Nobuyuki Suzuki, Yo Oizumi

O mundo de adaptações de mangás para o universo cinematográfico ultimamente tem sido complicado de acompanhar. Death Note, por exemplo, recebeu só em 2017 dois filmes, um americano e um japonês, ambos difíceis de assistir até o fim. A aguardada adaptação de Fullmetal Alchemist também não foi das melhores. Por isso, seguindo o bonde, a adaptação da aclamada obra Tokyo Ghoul não gerava muitas expectativas. O que contribuiu para tornar o filme uma grata surpresa.

Tokyo Ghoul é um mangá escrito e ilustrado por Sui Ishida. Lançado em 2011, teve 14 volumes, o que gerou uma adaptação como anime em 12 episódios em 2014. O sucesso inesperado da animação gerou uma segunda temporada com outros doze episódios em 2015, dessa vez seguindo uma história original.

Na trama do mangá que também é o mote do filme, o Japão tem conhecimento de uma raça chamada Ghoul, que vive entre os humanos e os devoram para sobreviver. Alheio a eles, o jovem universitário Ken Kaneki leva uma vida pacata entre livros, até que um trágico encontro com a garota dos seus sonhos o coloca diante desses seres e o obriga a lutar por sua humanidade.

O azar de Kaneki é uma constante trágica na obra. Sua paixão na verdade era uma Ghoul. Logo, durante o encontro, ele é mordido e mutilado fatalmente, mas um acidente com vigas de construção mata a garota justamente quando ela está prestes a consumar o ato. O problema é que os graves ferimentos do garoto exigiram o transplante de alguns órgãos, o que acabou fazendo com que a doadora fosse justamente a Ghoul que quase o devorou. Por consequência, Kaneki, antes um humano, passa a ser metade Ghoul.

Misturando horror, ação e gore, Tokyo Ghoul consegue convencer os telespectadores de seu denso mundo em duas horas de filme. Um Ghoul não consegue se alimentar de nada que não seja carne humana ou café, qualquer outro alimento é como comida podre para seu paladar, além de causar mal ao organismo. E para Kaneki, a ideia de ter que matar para se alimentar é inconcebível.

Seus conflitos como humano são os principais motes do filme, até que ele consegue apoio da Anteiku, uma pequena organização secreta numa cafeteria que dá suporte a Ghouls marginalizados, mesmo com a contrariedade da jovem Toka, uma Ghoul que não aceita bem o fato de ele não ter nascido como um de sua espécie, mas sim se transformado.

Com várias subtramas na obra original, o filme se centra na caçada que uma organização policial em Tokyo faz com Ghouls, escolhendo deixar de lado o principal vilão do mangá (ele sequer é mencionado, o que pode desapontar os fãs). A escolha acaba sendo boa e bem idealizada pelos roteiristas, dando a oportunidade de desconhecidos do original entenderem tudo de forma mais tranquila e menos corrida.

Na área técnica, o filme se destaca principalmente por seus efeitos especiais. Como cada Ghoul possui uma habilidade física única, com partes monstruosas saindo de seus corpos, o filme realmente aproveita esse elemento, mesmo que se arrisque pouco em mostrar sangue e tomadas extremamente violentas (típicas no mangá e anime), se mantendo um tanto quanto contido nesse quesito. E as lutas são todas muito bem coreografadas, mesmo com uma fotografia simples e genérica demais.

A atuação já é um tanto problemática. Masataka Kubota se esforça com um exagero gigantesco na personalidade conflitante de Kaneki, mas soa forçado na maior parte do tempo. Já Fumika Shimizu compensa em todo o carisma como Toka e sua personalidade extremamente transgressora, indo desde uma jovem que deseja apenas se encaixar no mundo, a uma caçadora assassina profissional. O resto do elenco consegue dar graça aos papéis coadjuvantes, menos na dupla de caçadores de Ghouls, com uma adaptação levada ao pé da letra que soou ridícula, principalmente nas vestes e caracterização física (aquele casaco e cabelo realmente não funcionam bem fora do mangá).

Adaptações cinematográficas de animes no Japão geralmente pecam pelo excesso, tanto de fidelização da obra original, quanto por todos os aspectos de produção. O feito de Tokyo Ghoul foi justamente o de buscar um equilíbrio nisso.

Mesmo com notáveis problemas de ter que escolher onde investir os recursos do filme – muitos efeitos especiais acabam exigindo menos das locações e detalhes da trama tiveram de ser enxutos demais, com soluções simples e as vezes beirando o ridículo, como o assassinato de uma Ghoul a céu aberto, sem ninguém passando pelo local – Tokyo Ghoul se sobressai e pode entrar até mesmo na galeria de melhores adaptações live action já feitas de um mangá.

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Samuel Bryan

Samuel Bryan

Jornalista, acreano, tão fã de filmes, games, livros e HQs de terror, que se não fosse ateu, teria sérios problemas com o ocultismo. Contato: games@bocadoinferno.com.br

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