![]() Aterrorizada
Original:The Ward
Ano:2010•País:EUA Direção:John Carpenter Roteiro:Michael e Shawn Rasmussen Produção:Peter Block, Doug Mankoff, Mike Marcus, Andrew Spaulding Elenco:Amber Heard, Mamie Gummer, Danielle Panabaker, Laura-Leigh, Lyndsy Fonseca, Jared Harris |
O americano John Carpenter é o responsável por pelo menos três cultuadas e inquestionáveis obras primas do cinema de suspense/horror: Halloween (1978), Fuga de Nova York (1981) e O Enigma de Outro Mundo (1982). O cineasta traz ainda em seu currículo outra dezena de produções menores, mas não menos interessantes, como Eles Vivem (1988), Vampiros (1998), Assalto a 13ª DP (1976), Starman – O Homem das Estrelas (1984), Christine – O Carro Assassino (1983) e À Beira da Loucura (1994). Carpenter construiu uma carreira sólida permanecendo fiel ao gênero, postura louvável, mas que não bastou para imunizá-lo da maldição que recentemente acometeu outros cineastas da velha escola, antes considerados geniais ou intocáveis. Exemplos não faltam: o pai-de-todos-os-zumbis George Romero derrapou em 2009 com A Ilha dos Mortos, abusando da repetição de fórmulas que ele mesmo inventou; Wes Craven, apesar de ter se redimido parcialmente com Pânico 4 (2011), errou feio em Amaldiçoados (2005); as cores do mestre do giallo Dario Argento não impressionam há um bom tempo, vide Reféns do Medo (2009) e O Retorno da Maldição – A Mãe das Lágrimas (2007); e o que dizer de Tobe Hooper? Imortalizado pelo visceral O Massacre da Serra Elétrica (1974) e pelo spielberguiano Poltergeist (1982), foi capaz de dirigir algo tão patético como Mortuária (2005).
Longe dos cinemas desde 2001, quando dirigiu o criticado Fantasmas de Marte (filme que, particularmente, gosto), Carpenter volta a cena com o horror Aterrorizada (título original The Ward, ou A Enfermaria). Mas infelizmente, apesar das expectativas criadas pelo hiato de quase 10 anos, o diretor erra feio e quase nada se destaca positivamente em seu novo filme.
Ambientado na década de 60, o enredo de Aterrorizada nos apresenta o drama da bela e perturbada Kristen. A jovem é internada em uma instituição para doentes mentais após, sem motivos aparentes, incendiar um antigo imóvel. Ela não entende o que está acontecendo ou mesmo por que está ali, mas rapidamente percebe que há algo de errado no local. Tanto o seu passado quanto o do hospital parecem esconder algum terrível e sombrio segredo – teoria que logo se confirma, quando ruídos misteriosos e aparições começam a atormentá-la, ao mesmo tempo em que outras pacientes de sua ala começam a desaparecer. A garota acredita que o responsável seria o fantasma de uma garota chamada Alice, que talvez tenha morrido no local. Mas a verdade que se revela é bem mais terrível do que a ela jamais poderia imaginar.
Infelizmente um dos pontos mais negativos de Aterrorizada é o próprio roteiro, escrito a quatro mãos por Michael e Shawn Rasmussen (dupla responsável pelo suspense Long Distance, de 2005). A trama pouco original se desenrola de maneira entediante em diversos momentos, especialmente naqueles mais didáticos em que são inseridos alguns flashbacks explicativos – desnecessários, diga-se de passagem, uma afronta a inteligência dos espectadores, mas que o cinema americano frequentemente insiste em utilizar. Porém o pior do roteiro ainda está por vir: a forçada e pouco original reviravolta final. // SEGUE SPOILER DE NÍVEL MÁXIMO // O desfecho copia, ou replica, descaradamente “a reviravolta” de outras duas produções bem mais felizes: Clube da Luta (1999) e Identidade (2003). Quem viu os filmes anteriores pode imaginar qual é o grande e “inédito” desfecho: a jovem na verdade tem um distúrbio de múltiplas personalidades, ou seja, todas as internas desaparecidas e o próprio fantasma eram a própria Kristen. A falta de originalidade do roteiro é agravada ainda mais pelo “último susto” mais clichê da história do cinema de horror: o fantasma atrás do espelho do armário do banheiro.
O elenco, apesar de formado por meia dúzia de rostinhos bonitos, se não impressiona, também não compromete. A desorientada Kristen é interpretada pela linda Amber Heard, de Fúria Sobre Rodas (2011) e Zumbilândia (2009), enquanto as outras internas são vividas por Mamie Gummer, Danielle Panabaker (de A Epidemia, 2010 e Sexta-Feira 13, 2009), Laura-Leigh, Lyndsy Fonseca (Kick-Ass – Quebrando Tudo, 2010 e a série Nikita, 2010). A equipe médica se garante com desempenhos competentes, em especial o britânico Jared Harris (From Within, 2008), como Dr. Stringer.
Entretanto, pelo menos dois momentos merecem uma citação “honrosa”: os créditos iniciais mostrando vidros se partindo com imagens bizarras do hospital estampadas, com o título JOHN CARPENTER’S THE WARD, em letras garrafais saindo da tela; e a primeira morte, que apresenta uma lesão ocular que homenageia, intencionalmente ou não, a fatídica sequência olho perfurado em slow motion de Zombie, do italiano Lucio Fulci.
Os fãs de Carpenter também sentirão falta da trilha sonora sempre marcante, composta pelo próprio cineasta – combinação de sucesso nos clássicos Halloween e Enigma do Outro Mundo, por exemplo. Já em Aterrorizada, a trilha ficou a cargo do pouco expressivo Mark Kilian (Sociedade Secreta III, 2004), que aposta na inspiração em canções de ninar. O resultado é cansativo, quando não passa totalmente despercebido.
O filme foi rodado entre agosto e setembro de 2009 em locações próximas a Washington, e custou, segundo os produtores, algo em torno de US$ 10 milhões. Teve seu pré-debut em 2010 na seção Midnight Madness, do Festival de Cinema de Toronto – a mesma sessão apresentou nas últimas edições as obras mais recentes de George Romero e Dario Argento. Aterrorizada passou rapidamente pelos cinemas europeus no começo de 2011 e chegou ao Brasil diretamente em DVD/Blu Ray, em 20 de Julho do mesmo ano, doze dias após a estreia oficial nos cinemas americanos.
Aterrorizada também foi mal recebido pelos sites especializados americanos, colecionando críticas negativas, porém acabou agradando parte dos fãs mais incondicionais do cineasta, que aguardavam ansiosamente o seu retorno – Carpenter chegou a afirmar que seu afastamento das câmeras foi motivado por uma série de dificuldades e decepções, depois do fracasso de Fantasmas de Marte. É bom deixar claro aqui que torcemos para que, apesar da recepção morna de seu novo filme, o cineasta continue produzindo.
Enfim, a maior virtude de Aterrorizada é trazer de volta à ativa um dos maiores cineastas do gênero, cuja carreira é uma das mais estáveis e ao fantástico. Contudo, apesar de respeitarmos Carpenter pelos méritos do conjunto de sua obra, não podemos ignorar que Aterrorizada carece muito de ritmo e de personalidade; e lamentavelmente se afunda em clichês pra lá de desagradáveis.




Um filme de terror genérico feito por um John Carpenter muito deslocado e enferrujado (nem parece ser um filme dele) pelo menos gostei do plot twist interessante no final do filme. O maior problema do filme com certeza, e isso é um grande motivador de que o filme possívelmente deve estar envelhecendo mal, é que o filme é protagonizado por Amber Heard.
Achei inspirado na fa musica Alice in hell do annihilator
Eu gostei muito do filme, só poderiam ter tirado o susto final. Eu nunca imaginaria qual seria o desfecho, e achei bem inteligente, apesar de ser parecido com outros filmes. E o visual do fantasma, meio zumbi, era bem assustador.
Ruim…
ODIEI ESSE FILME.