
![]() Pandorum
Original:Pandorum
Ano:2009•País:Alemanha, UK Direção:Christian Alvart Roteiro:Travis Milloy, Christian Alvart Produção:Paul W.S. Anderson, Jeremy Bolt, Robert Kulzer Elenco:Dennis Quaid, Ben Foster, Cam Gigandet, Antje Traue, Cung Le, Eddie Rouse, Norman Reedus, André Hennicke |
Não tema o fim. Tema o que virá depois.
Sobre ficções científicas, e afins.
Que a vastidão inexplorada do espaço constitui fonte de inspiração inesgotável para a ficção científica, não é nenhum segredo. Assim também como não é uma grande novidade constatar que o horror e a ficção frequentemente caminham juntos. Afinal, se para o terror imprescinde o medo; e o medo, na sua forma mais primitiva, manifesta-se como a sensação de insegurança frente ao que não conhecemos, teremos sempre na infinitude e na escuridão do espaço sideral o cenário perfeito, substância para os mais terríveis pesadelos criados pela imaginação do homem. Ou seja: alienígenas monstruosos, predadores, planetas desconhecidos, invasões extraterrenas, máquinas exterminadoras, espaçonaves abandonadas…
Incontestável também que esta aproximação entre o horror e a ficção científica tenha rendido pelo menos um clássico unânime: o excepcional Alien – O Oitavo Passageiro (1979). Com o visual desenhado pelo artista plástico H. R. Giger, roteiro original escrito pelo saudoso Dan O’Bannon (de A Volta dos Mortos Vivos, 1985) e direção de Ridley Scott (Blade Runner, 1982), o longa consolidou o que poderíamos chamar de fusão perfeita entre estes dois gêneros. Além do sucesso de público e de crítica, o fato consumado é que depois de Alien – O Oitavo Passageiro nenhum filme do gênero seria o mesmo, todas as produções acabariam, para o bem ou para o mal, influenciadas.
No entanto, outras produções similares não obtiveram o mesmo reconhecimento de Alien e acabaram perdidas no limbo cinematográfico, como os quase-esquecidos Enigma do Horizonte (1997) e O Lado Sombrio da Lua (1990). Mais recentemente, uma animação destacou-se entre os fãs do gênero: o violento Dead Space – A Queda (2008), longa animado que antecede o jogo de mesmo nome lançado pela Eletronic Arts.
Produzido por Paul W. S. Anderson (o responsável pelos quatro filmes da série Resident Evil) e dirigido por Christian Alvart (de Caso 39, 2010), Pandorum – o longa objeto deste artigo – utiliza de um cenário semelhante ao de Alien, Enigma do Horizonte e ao dos outros filmes citados anteriormente, ou seja, uma espaçonave. No roteiro escrito por Travis Milloy, daqui a alguns séculos a humanidade será obrigada a abandonar o planeta Terra, pois ele estará morrendo. A única esperança é a gigantesca Elysium, capaz de transportar com segurança 60.000 pessoas até o recém-descoberto planeta Tanis. A ação acontece durante a viagem, quando dois astronautas acordam confusos e sem memória. A desorientação inicial é substituída pelo terror, quando descobrem que estranhas criaturas dominam a espaçonave, que está à deriva. Com as poucas lembranças que lhes restam e um inimigo mortal e desconhecido, eles terão que lutar não apenas pelas suas vidas, mas pela sobrevivência do que restou da raça humana.
(alerta ao leitor sobre SPOILERS – o texto abaixo apresenta várias e inevitáveis revelações sobre o enredo)
Diagnosticando Pandorum
Esclarecimento número um: ao contrário do que podemos imaginar a princípio, Pandorum não é o nome da monstruosa espaçonave que carrega 60 mil seres humanos em busca de um novo lar. O nome da nave é Elysium. Pandorum é na verdade o nome uma doença semelhante à febre da cabana ou depressão de inverno (surto psicótico causado pelo isolamento e a baixa temperatura – mal citado em O Iluminado (1980), de Stanley Kubrick, como a causa do enlouquecimento de um dos zeladores do Hotel Overlook, que durante um rigoroso inverno acabou assassinando à machadas as suas filhas). No entanto, em Pandorum, a loucura não é resultado apenas da solidão e do isolamento, mas também do prolongado período em que os astronautas permanecem em processo de hibernação.
Esclarecimento número 2: o astro Dennis Quaid (de Alta Frequência, Viagem Insólita e Morte nos Sonhos) não é exatamente o protagonista. Apesar do destaque dado ao seu nome no pôster oficial, o personagem principal é interpretado por Ben Foster (o Anjo de X-Men – O Confronto Final). Quaid e Foster vivem os astronautas Payton e Bower, que acordam após um longo período em animação suspensa. Juntam-se ao elenco Cam Gigandet (o vampiro vilão James, da série Crepúsculo) como o oficial Gallo, a bela atriz alemã Antje Traue e o vietnamita Cung Le.
Esclarecimento número 3: embora o roteiro não dê muita lá importância para esta revelação, ela pode incomodar alguns. Os aliens-famintos-por-carne-humana que dominam a Elysium, adivinhem… não são criaturas extraterrenas. São, na verdade, humanos. Ou pelo menos, foram um dia.
Mais alguns detalhes sobre a trama
1. Desorientação
Pandorum tem um começo bastante promissor. A sequência inicial, na qual dois homens supostamente desconhecidos despertam de uma hibernação artificial totalmente desorientados, é um dos momentos mais instigantes da produção. Embora a ideia não seja aproveitada ao máximo, o estado amnésico dos personagens põe de sobreaviso o espectador: o que seria verdade ou mentira no desenrolar dos acontecimentos? Seriam os heróis realmente heróis? Infelizmente a desconfiança, pelo menos no plano ficcional, termina quinze minutos depois, quando as patentes gravadas nos uniformes revelam que o jovem oficial Bower (Ben Foster) é subordinado a Payton (Dennis Quaid). Mesmo sem compreender totalmente a situação, alguns indícios levam os dois astronautas a suspeitarem que a Elysium estaria abandonada e a deriva no espaço. Buscando esclarecer a situação, eles decidem que precisam explorar os outros compartimentos do veículo. Tarefa que não será nada fácil, já que uma pane no sistema elétrico bloqueou todas as portas, deixando-os totalmente isolados do restante da espaçonave.
A partir deste ponto, chama a atenção, entre outras coisas, o cenário: a caracterização “suja e escura” da espaçonave Elysiun é nitidamente inspirada no visual da USCSS Ulysees Nostromo (Alien – O Oitavo Passageiro). Vai aqui uma pequena digressão: o nome do cargueiro Nostromo é uma homenagem ao herói do romance de mesmo nome, publicado em 1904 pelo escritor britânico Joseph Conrad (autor de O Coração das Trevas, que foi livremente adaptado para os cinemas por Coppola em Apocalipse Now). Já a palavra Elysium apresenta dois significados ligados à mitologia grega: lugar ou pessoa atingida por um raio ou, a que mais se encaixa em Pandorum, espaço de descanso para as almas dos heróis (o chamado Campos Elíseos).
2. Exploração
Um labirinto formado pelos dutos de ar é o único caminho possível em direção às outras alas da enorme espaçonave. Esta torna-se a principal missão do oficial Bower: seguindo as instruções de Payton, chegar até o reator nuclear da Elysium – reator que os astronautas descobrem estar lentamente se desligando. Bower tem conhecimentos para regularizar o equipamento e colocar o veículo espacial em sua rota normal. O detalhe é que o reator, se desligado completamente, não pode mais ser reativado. Logicamente não será o tempo escasso a única intempérie enfrentada por Bower em sua jornada pelos escuros corredores da Elysium.
Outro ponto que torna o filme interessante é a trama que se revela aos poucos, enquanto Bower adentra o complexo. O primeiro aviso que “algo” mortal se esgueira entre as sombras da espaçonave é o cadáver de um astronauta encontrado. Porém Bower não estará sozinho em sua jornada. Ele contará com a ajudinha de outros dois sobreviventes “humanos” encontrados pelos corredores da Elysium: uma bela bióloga e um agrônomo. Mas não se engane com suas respeitáveis profissões – sobreviver as bizarras criaturas humanoides lapidou-os em verdadeiros heróis que dominam, entre outras habilidades, o uso de armas cortantes, diferentes artes marciais e até mesmo o le pakour.
Passada a amnésia temporária, Bower toma ciência da incumbência essencial da Elysiun: evitar a extinção do ser humano levando uma pequena população de seres humanos até o distante planeta Tanis.
Outros SPOILERS não menos importantes: como surgiram os Orc´s de Pandorum
O programa da Elysium deveria manter em animação suspensa, durante mais de um século, os futuros habitantes de Tanis. O sistema seria monitorado pela equipe da qual Bower e Payton faz parte, revezando três oficiais acordados em turnos. No entanto, uma mensagem recebida informando que as poucas pessoas que permaneceram na Terra não conseguiram sobreviver enlouquece um dos oficiais de plantão, que assassina seus dois companheiros. Furioso, ele acessa os computadores e desperta grande parte dos passageiros. Aí outro problema, ainda maior: a genética destes passageiros havia sido alterada para que a adaptação ao seu novo habitat, o planeta Tanis, fosse mais rápida. Quando acordam dentro da nave, o ambiente acelera mutações que os transformam em deformadas criaturas canibais – muito parecidas com os Orcs do Senhor dos Anéis.
3. Confronto:
Enquanto Bower e sua trupe enfrentam centenas de mutantes carnívoros, Payton descobre mais um sobrevivente na ponte de comando, o jovem oficial Gallo. Neste ponto acontece uma revelação importante: Gallo faria parte da divisão que recebeu a última mensagem antes da destruição da Terra. Esta versão acaba contrariando tudo o que os astronautas sabiam até agora. Segundo Gallo, seus dois companheiros tiveram um início de Pandorum e ele foi obrigado a matá-los para sobreviver. Payton desconfia do discurso de Gallo e resolve, por precaução, algemá-lo. Neste meio tempo Bower consegue chegar até o reator nuclear da Elysium e reiniciá-lo.
A Reviravolta Final (SPOILER final):
Como já avisado no início: nem tudo é o que parece em Pandorum. Na verdade, quase nada é o que parece. Os aliens são humanos e o vilão, como já imaginava o espectador mais sagaz, também não é quem aparenta ser. Relembrando: desde o momento em que aparece o oficial Gallo, ele passa a ser o principal suspeito de ter dado início ao caos na espaçonave Elysium. Seu comportamento inquieto, aparência perturbadora e discurso pouco consistente desperta a desconfiança do dos dois “heróis” e do próprio espectador.
Quando todos os obstáculos parecem vencidos, o reator religado e a nave pronta para voltar ao curso, somos novamente surpreendidos. Após uma briga entre Gallo e Payton, descobrimos que os dois são… adivinhem… a mesma pessoa (alguém mais lembrou de Clube da Luta?). O oficial Gallo seria nada mais do que parte da consciência de Payton, que foi acometido da doença Pandorum há muito tempo.
Portanto, na verdade o vilão da trama sempre foi Payton. O personagem interpretado por Dennis Quaid fazia parte do trio de oficiais que recebeu a mensagem que o planeta Terra “morreu”, pouco depois da partida da Elysium. Tudo leva a crer que na época ele já sofria de Pandorum e acabou enlouquecendo de vez com a notícia, matando seus companheiros de tripulação e despertando da hibernação grande parte dos passageiros, dando o pontapé inicial ao bizarro estado em que a Elysium ficaria em pouco tempo. Mas esta ainda não é a reviravolta final.
Como todos sabem, o bom cinema é sempre uma caixinha de surpresas. Resta, portanto, outra revelação ainda mais interessante. Na luta final entre as consciências de Payton, o oficial acaba, inadvertidamente, provocando uma ruptura no casco, por onde começa a entrar… água (!). Payton e sua personalidade destrutiva acabam se afogando.
A Cena Final
Bower, desesperado, ativa o sistema que ejeta as capsulas nas quais as pessoas eram mantidas em animação. Esta bela sequência encerra o filme, mostrando centenas de capsulas com os poucos sobreviventes (número exato de 1211 pessoas) submergindo. Destaque aqui para o belo cenário: montanhas, florestas, um mar aparentemente intocado e um céu enfeitado pelas duas enormes luas de Tanis.
Final mais do que feliz para nosso amigo Bower, que não apenas sobrevive, mas sobrevive acompanhado de uma linda mulher (a bióloga heroína). Sorte também para a raça humana, que está a salvo em um planeta paradisíaco, com “infinitos” recursos naturais, prontos para serem poluídos, desmatados, degradados, deformados….
Oportunismo?
Dizem as más línguas que a estreia de Pandorum no Brasil foi adiada numa tentativa de “pegar carona” no sucesso de Avatar, de James Cameron. Parece-me uma especulação meio exagerada, já que os filmes têm pouco em comum, ainda que os dois pertençam superficialmente ao mesmo gênero (ficção científica). Uma coincidência curiosa é que em Avatar a ação transcorra num planeta chamado Pandora.
Recepção, orçamento e bilheteria.
Segundo seus produtores, Pandorum custou um valor aproximado de 40 milhões de dólares. As filmagens aconteceram em Berlim, Alemanha, ainda em 2008. Estreou nos cinemas norte-americanos em setembro de 2009 na modesta sexta posição entre os mais vistos. Recebeu uma série de críticas negativas de sites supostamente especializados. No entanto, o que parecia um inevitável fracasso acabou revertido pela reação positiva da audiência (em especial, os fãs de ficção científica). Fenômeno que deve continuar com o recente lançamento em DVD/Blu Ray no mercado internacional (a Anchor Bay Entertainment lançou uma edição caprichada com cenas deletadas e alternativas; comentários em áudio; making off; trailers; os mini documentários The World of Elysium, What Happened to Nadia’s Team e Team Training Video).
Resumo da Ópera
Entre mortos e feridos, Pandorum sai-se razoavelmente bem. Apresenta um roteiro interessante, cheio de surpresas, com uma trama revelada gradualmente e em doses homeopáticas. O desempenho do elenco não compromete e o veterano Dennis Quaid segura as pontas com as reviravoltas do personagem Payton. Alguns personagens são desperdiçados e mal concebidos (como os ajudantes de Bower) e o visual Mad Max soa clichê em alguns momentos, mas rende outros competentes de ação e violência. A trilha sonora, composta por riffs de guitarra que lembram a jogos de vídeo game, encaixa perfeitamente na proposta do filme.
Com certeza não é o filme definitivo deste subgênero, mas Pandorum nos dá amostras competentes do que ainda pode ser aproveitado da fusão horror e ficção científica espacial: o caos, o mistério, a angústia, o medo, a solidão e o desamparo. Sensações extremamente valiosas para a construção do suspense em qualquer “filme de terror” que se preze.




parece que esse texto veio de alguém que nem assistiu o filme. ou se assistiu não prestou atenção alguma.
Excelente filme, comecei a assistir no canal a cabo AMC mas tive que sair logo nos primeiros 15 minutos. A introdução do enredo me chamou muito a atenção e então tive que dar um jeito de baixar o filme completo para assistir. Fiquei chateado em saber que o filme foi mal nas bilheterias e que não fizeram uma sequência, mesmo com tanto potencial para explorar.
Para quem não assistiu e gosta de ficção científica, recomendo fortemente, não vão se arrepender… Sugiro que não leiam os spoilers do texto acima, senão irá estragar as surpresas do filme.
Abraço a todos!
Gostei muito do filme, ainda mais depois de um documentário de cosmos do natgeo que mostra o imenso problema de viagens espaciais que durem mais de duas ou três gerações humanas, a partir de quando o objetivo da primeira equipe não faz mais sentido para as gerações posteriores, segundo o documentario, mesmo o destino ja nao faria sentido e a propria sobrevivencia seria o unico mote e a nave passaria a ser o unico e definitivo habitat, planeta, e dado que o objetivo estaria a geracoes de distancia, seria encarado como lenda, algo intangivel, 900 anos como no filme significa algo como uma viagem começar com os preceitos do tempo das cruzadas e ainda fazer sentido para esta geração do sec. XXI.
altamente recomendado, gostei muito desse filme…e olha pra que eu goste de filme meio “sci fi” é difícil, tem que ser uma puta história com efeitos dignos… esse filme tem os 2… gostei muito, bastante sólido…. acho que ele foi meio underated, poucas pessoas o conhecem e com certeza merecia um lugar à parte dos demais 😉
Esse filme foi uma das boas surpresas de 2009, depois dele, q eu me lembre no momento, apenas Prometheus teve algo interessante para contar numa historia de Ficção/Terror.
assino em baixo danilo
Um filme muuuuito bom.Nada mais que isso.
esse filme até começa bem,mas depois de 10 minutos vira uma merda sem tamanho.só merece uma caveira.