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Dead Space (2008)
Um Sangrento Filme B Animado

Dead Space: A Queda
Original:Dead Space: Downfall
Ano:2008•País:EUA
Direção:Chuck Patton
Roteiro:Jimmy Palmiotti, Justin Gray
Produção:Chuck Beaver, Joe Goyette, Cate Latchford, Glen A. Schofield, Robert Weaver
Elenco:Nika Futterman, Keith Szarabajka, Jim Cummings, Kevin Michael Richardson, Kelly Hu, Bruce Boxleitner, Lia Sargent, Hal Sparks, Jeff Bennett, Jim Piddock, Phil Morris

Para promover um filme no cinema já vimos incontáveis e criativas formas de marketing diferentes, na forma de games derivados, desenhos animados como prequel (citando Van Helsing e A Batalha de Riddick como exemplos mais recentes), videocasts e material escondido pela rede como forma de propaganda viral, gimmics, entre outros.

Isso já não acontecia com tanta frequência nos games por dois motivos muito mais simples: a imprensa especializada era muito mais procurada e considerada (até pelo alto preço de aquisição dos jogos); as produtoras possuíam muito mais prestígio sem muita concorrência e na cabeça de grande parte dos jogadores casuais os jogos precisavam te levar apenas pela ação, pela vontade provocadora de passar os desafios até o fim, seja marcando o maior número de pontos, seja eliminando o “big boss”, sobrando apenas um pequeno espaço para a degustação de roteiro.

Porém os tempos mudaram rapidamente, os jogadores também, e os roteiros dos games deixaram de ser acessórios passando a ser profundamente elaborados usando elementos históricos ou de intrigante complexidade. Reparem, por exemplo, no número de referências nas franquias God of War, Devil May Cry e Metal Gear Solid.

Agora não são mais os “nerds” viciados em Final Fantasy que têm a necessidade de conhecer a narrativa de um game para “saboreá-lo” melhor, os ditos “jogadores casuais” passaram a se importar igualmente, basta ver que quando a sequência de um game é anunciada, primeiro é divulgada a linha do tempo da história, antes de revelarem informações sobre as mecânicas de jogo e novidades tecnológicas. Isto marca o fim de uma era em que games eram chamados de “coisa de criança“.

Dead Space (2008) (1)

Pensando nisso, a conceituada produtora Eletronic Arts resolveu apostar num terreno ainda não explorado e financiou um prequel para sua mais nova franquia de ação e terror, Dead Space, lançado para PC, XBox 360 e Playstation 3, na forma de uma animação em longa metragem dirigida por Chuck Patton (do seriado animado Spawn) lançada diretamente em DVD pela distribuidora Anchor Bay chamada Dead Space: Downfall – ou Dead Space: A Queda no Brasil pela Sony Pictures.

Escrito a quatro mãos, os roteiristas Justin Gray e Jimmy Palmiotti bolaram um script que mistura elementos encontrados no game Doom 3 com os filmes O Enigma de Outro Mundo e O Enigma do Horizonte, assim Dead Space: A Queda se tornou um interessante passa tempo durando apenas 74 minutos, rasteiro e eficiente como os bons jogos costumam ser, ou seja, animado ou não, é um frenético filme B em toda sua plenitude.

Dead Space (2008) (3)

A história se passa na nave espacial Ishimura que dá suporte para uma colônia de mineração no planeta Aegis 7. Um time de inspeção encontra na colônia um enorme artefato que possui alguma relação com a religião mais popular e poderosa do mundo futuro, a unitologia, que acredita que o achado tem segredos relacionados com a origem da raça humana. A Ishimura é acionada para rebocar o monólito para dentro da nave a fim de decifrar estes segredos.

Alguns dias se passam e tanto o volume quanto a gravidade de violência entre os habitantes da colônia cresce exponencialmente, preocupando a equipe de segurança liderada por Alissa Vincent (Nika Futterman, Star Wars: Clone Wars), que expressa sua opinião contra a presença do artefato na nave com o comandante Mathius (Jim Cummings, veterano na dublagem é conhecido como a voz original do Taz e do Ursinho Pooh). O comandante cabeça dura acredita se tratar do afloramento de uma tendência psicótica dos mentalmente instáveis que passam muito tempo no espaço.

Interferências e alucinações entre os tripulantes começam a acontecer quando a extração termina e a nave está preparada para sair do planeta. Então, a morte se aflora e se revela na colônia: um dos últimos mineradores, Colin Barrow (Bruce Boxleitner de Tron), encontra corpos espalhados por toda a parte junto com uma matéria gosmenta, sua esposa Jen (Lia Sargent) aparece ferida, cortada e se mutila na frente do marido dizendo que “eles” querem possuir o corpo de todos.

O minerador pega o corpo da esposa e entre em um veículo de transporte para entrar na Ishimura. O comandante dá a ordem de impedir a entrada do veículo, mesmo com protestos de Alissa, alegando que possa se tratar de sobreviventes. Ainda assim, Colin consegue entrar antes que a comporta principal da nave se feche, todavia o corpo de Jen ressurge como um monstro que o ataca e o veículo se choca numa das paredes da nave.

Dead Space (2008) (4)

Alissa recebe ordens para reunir a equipe de segurança, ir ao local do acidente e colocar todos os que estão dentro da espaçonave em quarentena. O cenário que encontram é desolador, repleto de sangue nas paredes, mas nenhum corpo, de maneira que seja lá o que atacou a colônia se espalha em passo acelerado pela Ishimura, transformando os corpos dos cadáveres em terríveis mutações deformadas.

Sem entender qual o exato envolvimento da igreja Unitóloga na catástrofe que se instala, a equipe de Alissa precisa antes de tudo sobreviver para impedir a dúbia ordem final de seu comandante: levar o artefato e a Ishimura para a Terra.

O roteiro como podem notar é tão simples quanto eficaz, não trazendo nenhuma novidade em relação ao que pode ser visto nas referências já citadas, todavia histórias envolvendo desolação, monstros feios e violência são sempre bem vindas, sejam em filmes, sejam em games. Méritos também devem ser dados para o diretor Chuck Patton, que trabalha bem a atmosfera e usa o pouco tempo do longa metragem ao seu favor, mantendo um ritmo alucinante.

Apesar disso, a técnica aplicada na animação é bem pobre e com poucos detalhes, lembrando bastante a que é utilizada nos desenhos diários exibidos atualmente na TV aberta, porém é eficiente o bastante para refletir as expressões dos personagens, exagerando nos momentos certos. A tela é carregada de vermelho sangue com muitas cenas bacanas que não são mostradas tão frequentemente com atores de carne e osso: traumas oculares, desmembramentos e até uma serra-elétrica laser que parte um personagem ao meio são mostrados com o máximo de grafismo quanto possível.

Dead Space (2008) (5)

Num desenho animado fica difícil dar uma nota para “interpretação“, porém é preciso exaltar o competente trabalho de voz dos dubladores. Com relação ao desenvolvimento de personagens, muito pouco é revelado dado o pouco tempo da película e apesar de não fazer falta, pode ser um ponto negativo de acordo com o que o público espera. Apesar das falhas, se há uma votação para a heroína mais casca grossa de um filme de animação nos últimos anos, este título fica para Alissa Vincent, pois a personagem é um primor de frieza e subversão do comando quando necessário.

O DVD nacional contém de bônus a trilha sonora isolada, galeria de imagens, um storyboard de uma cena cortada, o trailer do filme e do game. Sem muitas pretensões, a produção não é a última batata frita do pacote, contudo espero que Dead Space: A Queda seja um pequeno marco cult para popularizar as animações ocidentais de terror que andam abandonadas pelos produtores e esquecidas pelos espectadores.

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