
![]() Espelhos do Medo 2
Original:Mirrors 2
Ano:2010•País:EUA Direção:Víctor García Roteiro:Matt Venne, Sung-ho Kim Produção:John Portnoy, Nick Thurlow, Todd Williams Elenco:Amber Gaiennie, Ann Mckenzie, Christy Carlson Romano, Emmanuelle Vaugier, Grant Case, Jon Michael Davis, Lance E. Nichols, Lawrence Turner, Melody Noel, Monica Acosta, Nick Stahl, Stephanie Honore, Thomas C. Daniel, Wayne Pére, William Katt |
Em 1986, Roger Cobb descobriu numa passagem através do espelho de sua nova morada uma maneira de salvar seu filho Jimmy das mãos de uma entidade maléfica. Foi através desse papel no filme A Casa do Espanto que William Katt reforçaria seu talento como herói de filmes B, iniciada na série de humor O Super-Herói Americano ainda na década de 80. Com participações cada vez mais reduzidas, o ator sempre esteve associado a diversos trabalhos numa vasta carreira – incluindo uma pontinha desnecessária em A Casa do Espanto 4 – até aparecer 24 anos depois em Espelhos do Medo 2 (Mirrors 2), continuação do remake de Alexandre Aja do filme sul-coreano Espelho aka Geoul sokeuro. Como o mundo dá voltas! Ainda mais se você analisar a carreira do ator e descobrir que ele estrelou um remake made-for-tv de Piranha, de Joe Dante, em 1995, produção que foi refeita agora por Aja…
Katt, agora um sexagenário com um cabelo ao estilo Tom Cruise em O Último Samurai, atua como Jack Matheson, dono do shopping MayFlowers, que agora está abrindo as portas na Lousiana, depois do incêndio que acontecera antes dos eventos do primeiro filme. Enquanto não inaugura, ele contrata como segurança seu próprio filho, Max Matheson (Nick Stahl, que fez John Connor em O Exterminador do Futuro 3 – A Rebelião das Máquinas), que, depois de ter perdido a noiva num acidente de carro, acabou se afundando nas bebidas e drogas, e está precisando de um empurrão na carreira. Como herança da loja antiga, Matheson traz aquele espelho gigante que deu dor de cabeça em Kiefer Sutherland em 2008, que também havia se envolvido numa tragédia e estava se afogando nas drogas até atuar como segurança do MayFlowers (!!!).
Com o parágrafo anterior, ficou claro que Espelhos do Medo 2 traz a mesma linha narrativa do primeiro filme, como se fosse um remake pobre do longa de Aja. Essa ideia super original surgiu da cabeça de Matt Venne, que havia defecado antes em outra sequência: Luzes do Além, continuação indireta de Vozes do Além. Para juntar a equipe, assumiu a direção um tal de Víctor García, que você deve lembrar do nome dele associado a outra sequência frívola, constantemente exibida na TV a cabo, De Volta à Casa da Colina, e também do projeto Hellraiser: Revelations. Além de Katt e Stahl, o filme tem outras figuras conhecidas do gênero no elenco, como Emmanuelle Vaugier, que morreu em Jogos Mortais 2; Lawrence Turner (do recente Nine Dead), Stephanie Honore (de Premonição 4) e a gostosíssima Christy Carlson Romano (de Wolvesbayne), que aparece nua e é o único motivo para assistir a essa continuação.
Max Matheson já tinha tentado o suicídio depois da morte de sua noiva no dia em que iria pedi-la em casamento. Em profunda depressão, querendo fugir do mundo, passou a fazer consultas com uma psiquiatra diariamente até conseguir a ajuda que precisava no emprego oferecido pelo pai. Bom, ele podia trabalhar no setor de informações ou qualquer outro da loja de departamento, mas é difícil entender porque o pai lhe ofereceu o serviço de segurança noturno. Ainda mais sabendo que o segurança anterior tinha tentado se matar no local ao digerir cacos de vidro, enquanto observava sua imagem independente no grande espelho. Para bom entendedor, ou o roteiro deste filme é uma bosta ou esse pai é completamente desnaturado.
Na primeira noite no emprego, Max começa a notar movimentos estranhos nos espelhos, incluindo a visão da morte de outras pessoas que trabalham no local. Não é preciso dizer que tais pessoas irão morrer do mesmo modo como são mostrados no reflexo, mas como ele não anda mais de carro sempre chegará atrasado e não conseguirá evitar as tragédias. É impressionante como as vítimas deste filme não conseguem parar de olhar no espelho, mesmo depois que notam sua versão maléfica refletida. No filme de Aja, os personagens tentavam fugir dos espelhos, o que permitiria uma sobrevida, embora acabassem percebendo que não daria para evitar seu reflexo.
Em suas visitas à psiquiatra Dra. Beaumont (Ann Mckenzie), o rapaz ouve aquela velha conversa de espelhos prenderem a alma das pessoas em determinadas religiões, por isso são cobertos em velórios..blá blá blá..mas não consegue encontrar as respostas que procura; enquanto presencia outras mortes sem muito impacto – a única interessante é a de Jenna McCarty (Christy), pois além de aparecer tomando um banho completo, a cena de sua decapitação no banheiro é bem feita, mesmo que não se compare à de Amy Smart em seu estilo suicídio-do-Didi, muito mais violenta e chocante.
Se no primeiro filme, a maldição do espelho do shopping parecia acompanhar as pessoas que se relacionavam com Ben Carson, neste o roteiro infeliz de Matt Venne resolve ignorar toda a boa ideia e partir para os clichês das vinganças sobrenaturais: aquelas em que o fantasminha quer contar algo para alguém, mostrar onde está escondido seu corpo ou apontar para aqueles que são responsáveis por sua morte (vide o fantástico Ecos do Além). Até isso tornar-se óbvio para Max, o público já experiente já entendeu tudo o que aconteceu e fica só aguardando o flashback contar os detalhes.
Além do roteiro ruim, o longa de Victor Garcia peca pela montagem fraquinha de Robb Sullivan, que já teve dias melhores em Rise, por exemplo. Logo na primeira cena do filme, ao invés de mostrar logo o momento em que o segurança devora os cacos de vidro – mesmo que isso soe parecido com o filme anterior -, ele optou por apresentar alguns flashes da cena do acidente de carro de Max. Mais tarde, a cena é novamente exibida até finalmente sua apresentação completa. Aliás, isso nem precisava ser mostrado para o público, algo que Aja fez muito bem em seu filme em relação à morte acidental de um colega de Ben Carson.
Por outro lado, foi interessante a ideia dos espelhos ricocheteando a iluminação da lanterna para trazer um detalhe importante ao protagonista. Esta cena e a da morte de Jenna foram os poucos bons momentos do filme, mas é muito pouco em comparação ao material original – que já era mediano. A assombração do filme também é muito sem graça, não conseguindo criar um segundo sequer de tensão ou medo. Nem mesmo os efeitos de sua aparição são convincentes, já que retratam uma combinação azeda de CGI e maquiagem simples.
O filme Espelhos do Medo 2 reflete exatamente o que foi apresentado nesta análise: uma sequência desnecessária, lançada direto-para-o-vídeo, e que não traz praticamente nada que justifique sua existência. Veja somente o primeiro filme – que já não era uma obra-prima – e principalmente a versão coreana, numa simplicidade muito mais assustadora e transparente.




Sequência ruim e desnecessária.
Essa parte 2 é fraca, mas ainda consegue ser melhor que o péssimo remake dirigido pelo Aja!
o 1 é legalzinho,mas esse…………… esquece,fraco demais.