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Sobrenatural (2011)
Não é a Casa que é Assombrada!
Sobrenatural
Original:Insidious
Ano:2011•País:EUA, Canadá
Direção:James Wan
Roteiro:Leigh Whannell
Produção:Jason Blum, Oren Peli, Steven Schneider
Elenco:Patrick Wilson, Rose Byrne, Ty Simpkins, Lin Shaye, Leigh Whannell, Angus Sampson, Barbara Hershey, Andrew Astor, Corbett Tuck, Ruben PlaJohn Henry Binder, Joseph Bishara

Em 1982, em Cuesta Verde, a família Freeling foi assombrada por forças misteriosas que demonstravam interesse na pequena Carol Anne. Ela bem que tentou avisar das presenças dessintonizadas no ambiente, mas acabou sendo levada para uma outra dimensão, tendo que conviver com espíritos errantes em busca de uma saída daquele vale dos mortos. Depois que o pesadelo terminou, todos os envolvidos descobriram que a casa e a televisão não eram os verdadeiros problemas: a caçula da família é que servia de canal para os dois mundos; na verdade, ela era assombrada!

A citação ao clássico Poltergeist – O Fenômeno, de Tobe Hooper e Steven Spielberg, não é à toa. O novo filme de James Wan, Sobrenatural, traz referências sutis ao longa de 1982, sendo ainda apresentado como o Poltergeist da nova geração ou até mesmo como o filme mais assustador desde Poltergeist. É um exagero, para falar a verdade. É claro que, se visto hoje, a produção de Hooper está bastante envelhecida, com efeitos especiais ultrapassados, embora ainda tenha o charme da década de 80 e transmita uma sensação perturbadora de inquietação. Já Insidious (que pode ser traduzido como traiçoeiro) é apenas um bom filme de terror, com uma trilha sonora ensurdecedora, um visual macabro e muitos sustos.

Logo na cena inicial, Wan já apresenta uma imagem assustadora de uma criança dormindo, sendo observada por uma velha decrépita que se esconde na escuridão do ambiente. Uma visão incômoda e quase estática, aparentemente um quadro de terror! Nos créditos de abertura, já barulhentos, o diretor já tenta mostrar que conhece os clichês do gênero ao mostrar efeitos sobrenaturais comuns numa casa assombrada: pegadas misteriosas, lustres e móveis que se movem sozinho…

Surge então a família Lambert, alvo do pesadelo iminente: o professor Josh (Patrick Wilson, de Passageiros); a compositora Renai (Rose Byrne, de Presságio); e os filhos, Foster (Andrew Astor), Dalton (Ty Simpkins, de Guerra dos Mundos) e um bebê. Desde a primeira noite na nova casa – desse clichê, o diretor não conseguiu fugir -, a mãe já nota coisas estranhas no local como livros que se caem da estante e sons estranhos, além do ranger constante da madeira.

Após um acidente no sótão, Dalton dorme e não acorda mais. Faz diversos exames, mas, a ciência não encontra uma explicação para esse coma misterioso do garoto. Tendo que alimentá-lo através de sondas e com a ajuda de uma enfermeira, o pesadelo da família torna-se maior quando fatos ainda mais aterrorizantes são frequentes no cotidiano: silhuetas estranhas, um homem sinistro que observa o bebê e uma voz agressiva na babá eletrônica.

Sobrenatural (2011) (1)

A tentativa de mudar de casa não resolve o problema, então, a avó de Dalton, Lorraine (Barbara Hershey, de Cisne Negro), sugere a visita da especialista Elise Rainier (Lin Shaye, de 2001 Maniacs: Field of Screams) e seus auxiliares, Specs (o roteirista Leigh Whannell, que também escreveu e atuou em Jogos Mortais) e Tucker (Angus Sampson, de Onde Vivem os Monstros) para tentar expulsar o mal presente, algo que logo percebem estar relacionado ao coma do garoto.

Não é spoiler dizer isso, pois o cartaz e a tagline já entregam essa possível surpresa: Não é a casa que está mal-assombrada. E é exatamente nessa revelação que o filme estabelece uma relação com o drama vivido por Carol Anne, embora o objetivo das presenças seja diferente em cada situação. A solução para limpar o ambiente também cria um elo com o filme de 1982, apesar de fazer uso de fantasias exageradas ao mergulhar a trama num típico pesadelo promovido por Freddy Krueger – o horror sugerido teria funcionado melhor. Há também uma referência à Casa do Espanto, de 1986, com Roger Cobb sendo obrigado a invadir uma realidade paralela para resgatar seu filho de uma entidade maligna, com relação a algo do passado.

Com produção de Oren Peli, Jason Blum e Steven Schneider (de Atividade Paranormal), Sobrenatural tem momentos assustadores, porém todos são promovidos pelo som alto, principalmente de Joseph Bishara, que assusta antes que o espectador saiba o que apareceu na tela. Uma fornalha parece um demônio urrando, assim como o ranger das madeiras, quase similares a uma motosserra. Quando o metrônomo surgir na tela no terceiro ato, seu coração vai acompanhá-lo na mesma batida.

Por outro lado, o filme acerta nos aspectos visuais, ainda que alguns personagens aparentam ser oriundos dos espelhos de Silent Hill, é sempre interessante ver fantasmas inertes com sorriso macabro e outras figuras escondidas na neblina. O vilão principal do filme possui uma boa caracterização, mesmo que, às vezes, lembre o Darth Maul, de Star Wars.

O elenco está bem na produção, até mesmo as crianças, que aparecem pouco e quase nem são notadas. Elise não tenta se espelhar em Tangina, apenas cumpre seu papel como especialista em parapsicologia de modo eficaz. Já seus auxiliares fazem o alívio cômico em cena, sem que precisem apelar para atos atrapalhados.

Outros aspectos positivos do longa estão relacionados à seriedade da produção e o final impactante, embora previsível. É sempre interessante sair de uma sala de cinema quando um filme termina assim, deixando o espectador com vontade de continuar na sala de projeção!

James Wan nasceu em 1977, na Malásia, e conseguiu destaque ao dirigir Jogos Mortais, em 2004. É um nome conhecido (aparece até na lousa do professor Josh), com trabalhos interessantes como Gritos Mortais e o thriller Sentença de Morte, ambos de 2007. Também foi o autor do roteiro de Jogos Mortais 3 e do jogo Saw, de 2009. Leigh Whannell é o amigo e roteirista de suas principais produções, atuando no primeiro filme de JigSaw e também em Sobrenatural.

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1 comentário

  1. É UM BOM FILME,MAS NADA DE ESPETACULAR.

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