4.6
(10)

A Profecia
Original:The Omen
Ano:1976•País:EUA, UK
Direção:Richard Donner
Roteiro:David Seltzer
Produção:Harvey Bernhard
Elenco:Gregory Peck, Lee Remick, Harvey Stephens, Billie Whitelaw, David Warner, Patrick Troughton, Holly Palance, Anthony Nicholls, Robert Rietty, Martin Benson

por Matheus Ferraz

O Exorcista, O Bebê de Rosemary e A Profecia. Estes três filmes têm muito em comum, desde o fato de serem produções que abordam temas relacionados à figura do diabo, passando pelo uso de crianças e bebês como agentes do terror e a presença de alguns dos maiores atores e diretores da história do cinema. Mas, acima de tudo, estes três têm o privilégio de figurar sempre nos primeiros lugares em muitas listas dos melhores filmes de horror de todos os tempos, e são apreciados mesmo por aqueles espectadores que preferem esnobar o cinema de gênero por considerá-lo baixo, apelativo e barato.

Bem, sem a intenção de ser iconoclasta, confesso que considero A Profecia o elo fraco desta cadeia. Não se trata de questionar que seja um filmaço, que deve ser visto por qualquer fã de horror que se preze, mas sim de apontar algumas falhas que acabam colocando-o num patamar abaixo dos outros filmes citados, e também de alguns outros que merecem mais uma vaga naquela trindade (como Coração Satânico, As Bodas de Satã e A Sentinela dos Malditos).

O filme estrela o grande Gregory Peck, no papel de Robert Thorn, um diplomata americano que vive em Roma com sua esposa Kathy (Lee Remick). Kathy acaba de dar a luz a uma criança morta, e Robert se vê numa situação difícil, com medo de que a esposa não suporte o choque de saber que seu bebê morreu. Surge então o Padre Spiletto (Martin Benson), que sugere que Robert adote um outro bebê, que nasceu no mesmo dia, mas perdeu os pais.

Robert aceita o trato, e, sem que sua esposa saiba, adota Damien (Harvey Stephens), um menino doce e saudável. Os anos passam e tudo corre bem para a família, que se muda para um casarão na Inglaterra depois que Robert ganha o cargo de embaixador em Londres, considerando inclusive a hipótese de concorrer para presidente dos EUA. O horror começa de fato na festa de aniversário de Damien, quando sua babá (Holly Palance) amarra uma corda no pescoço e pula do teto do casarão, morrendo na frente de todos os convidados.

Tentando se refazer da tragédia, o casal contrata uma nova babá, a Sra. Baylock (Billie Whitelaw, que vai assombrar seus pesadelos por um bom tempo), que parece fazer um laço muito próximo com Damien, mas se revela um tanto impertinente, como ao trazer um enorme cachorro para dentro da casa e querer mandar mais na vida do garoto do que os próprios pais.

As coisas vão piorando daí em diante. Damien começa a mostrar comportamentos estranhos, como ter ataques de pânico quando se aproxima de uma igreja; animais parecem ter medo do garoto, e, para piorar, Robert é visitado em seu escritório pelo padre Brennan (Patrick Troughton), que diz que ele corre perigo, e que o seu filho é, de fato, o Anticristo. No meio tempo, um fotógrafo chamado Jennings (David Warner, ótimo como sempre) descobre em suas fotografias estranhas marcas que surgem sobre as imagens de pessoas que morrem de forma misteriosa, e acredita que isto esteja ligado, de alguma forma, com a vinda do Anticristo.

Depois que Kathy sofre um acidente quase fatal causado por Damien, Robert e Jennings viajam à Itália, procurando descobrir a verdadeira origem da criança. Eles descobrem que o hospital onde a adoção ocorreu foi destruído num incêndio, mas conseguem encontrar o padre Spiletto, que vive catatônico num mosteiro.

A busca os leva a um cemitério etrusco, e dali a antigas escavações no Oriente Médio, onde um arqueólogo chamado Bugenhagen (Leo McKern) lhe revela que Damien é, de fato, o filho do demônio, e que ele deve ser morto antes que chegue a dominar a humanidade.

Primeiro, vamos destacar os pontos positivos do filme. A trilha sonora “satânica” de Jerry Goldsmith é de tremer nas bases, e ela sozinha é o suficiente para apavorar qualquer um. O elenco está perfeito, especialmente o casal Peck e Remick, ele compondo a imagem de um homem poderoso preso num turbilhão de eventos inexplicáveis, e ela explicitando a fragilidade da mãe amorosa que percebe aos poucos que seu filho é um monstro. A direção de Richard Donner é soberba, especialmente para um diretor que não tem raízes muito fortes no horror. Ele cria cenas de morte que já nascem clássicas, como o enforcamento da babá, a decapitação de Jennings e o assassinato de Kathy.

O problema é que o roteiro possui um bocado de furos. O maior deles é a forma como as pessoas que se interpõem no caminho do Anticristo são mortas. O roteirista David Seltzer não se decide: às vezes é necessária a intervenção dos seguidores de Satã, como a Sra. Baylock, em outras os assassinos são forças sobrenaturais, como o raio que derruba a estaca que empala o padre Brennan. O diabo também sofre com o timing: por que deixar que Brennan conte tudo o que sabe a Thorn para só depois matá-lo? Não seria mais fácil simplesmente jogar um raio em cima dele (ou enviar um dos seus seguidores) antes que o padre revelasse tudo, o que pouparia muito trabalho ao cramulhão?

Outro detalhe frustrante é a forma como o filme retrata os seguidores do chifrudo: todos eles (e não apenas Damien) são predestinados que nascem com a marca do 666 tatuada na pele. Ora, não é muito mais assustador que qualquer pessoa possa ser seduzida para as trevas (como O Bebê de Rosemary mostrou brilhantemente), do que já nascer com este estigma? Isso apaga um pouco a face tentadora do Mal, embora seja interessante como o personagem do padre Spiletto tenta lutar contra seu destino.

Existem ainda outros diversos pequenos defeitos (por que a Sra. Baylock não procurou um objeto pontudo para atacar Robert no final, preferindo cravar-lhe os dentes? como transportaram o padre Spiletto, no estado de saúde em que estava, até o monastério?) que acabam diminuindo o produto final. A Profecia deve e merece ser visto, revisto e apreciado como o ótimo filme de horror que é. Mas, no final das contas, não é o grande clássico que é apregoado por aí.

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Média da classificação 4.6 / 5. Número de votos: 10

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17 Comentários

  1. Discordo da crítica. A PROFECIA é o maior e melhor filme de terror de todos os tempos, superando O Bebê de Rosemary e O Exorcista. O maior clássico do terror !

  2. Só eu que acho esse menino parecido com o guitarrista do ACDC?

  3. Sensacional! Está no meu top 10 do gênero (abaixo os meus favoritos, não estão ranqueados)

    BODAS DE SATÃ – 1968

    O CARRO – A MÁQUINA DO DIABO – 1977

    A CASA DA NOITE ETERNA – 1973

    EXPRESSO DO HORROR – 1972 – TEM NO YOU TUBE

    EXORCISTA 1 – 1973

    HALLOWEEN 1 – 1978

    HALLOWEEN 2 – 1981

    O HOMEM COBRA – 1973

    A HORA DO PESADELO 1 – 1984

    A ILHA DO TERROR – 1966

    INVOCAÇÃO DO MAL 1 – 2013

    O LOBISOMEN AMERICANO EM LONDRES – 1981

    A MALDIÇÃO DA CAVEIRA – 1965

    A MORTE DO DEMÔNIO – 1981 – TEM NO YOU TUBE

    NASCE UM MONSTRO – 1974

    A NOITE DO TERROR RASTEJANTE – 1976 – TEM NO YOU TUBE

    A NOITE DOS MORTOS VIVOS – 1968

    POLTERGEIST 1 – 1982

    PROFECIA 1 – 1976

    A QUADRILHA DE SÁDICOS 1 – 1977

    6ª FEIRA 13 – 2 – 1981

    TRIANGULO DO DIABO – 1975 – TEM NO YOU TUBE

    O VAMPIRO DA NOITE / HORROR DE DRÁCULA – 1958

    A VINGANÇA DE CROPSY – 1981 – TEM NO YOU TUBE

    A VINGANÇA DO ESPANTALHO – 1981 – TEM NO YOU TUBE

  4. Muito bom filme esse A Profecia.
    Boas atuações dos atores, cenas de suspense.
    Além da trilha sonora muito boa

  5. Achei o filme fraco, e não são só pelas falhas do roteiro em si. A história é fraca e o filme é entediante. O filme começa com uma música aterrorizante (e excelente por sinal), assim como O bebê de Rosemary. A semelhança é somente esta msm, pois o filme de Roman Polanski beira ao brilhantismo, muito além de A profecia.

    1. Óbvio que cada um tem o seu gosto pessoal, e devemos respeitar este aspecto. Agora, em certos casos…..
      Falar que esta maravilha é entediante ?
      KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK !!!!

  6. esse espaço é realmente democrático pois posta até quem dúvida e zomba do talento do crítico pra escrever suas resenhas!!

  7. “A Profecia deve e merece ser visto, revisto e apreciado como o ótimo filme de horror que é. Mas, no final das contas, não é o grande clássico que é apregoado por aí.”

    Uma das maiores BESTEIRAS que já li/ouvi até hoje… E o pior, dita por alguém que se auto-intitula “crítico”.

    o.O’

  8. Sempre que eu leio coisas assim, relativas a furos no roteiro, sinto-me o cara mais desatento do mundo, pois, na maioria das vezes (ou sempre) eu não consigo identificar essas falhas. Se bem que eu nem sei se isso faz muita diferença pra mim no final das contas. Mas, com ou sem furos, A Profecia é um filme pelo qual eu nunca morri de amores. Eu acho que esse filme envelheceu muito (diferentemente de O Exorcista e O Bebê de Rosemary), e a trilha sonora composta por Jerry Goldsmith, apesar de ser realmente muito boa e assustadora, não caiu tão bem no filme e o deixou com um tom muito exagerado.

    1. Não fala bobagem, cara. A trilha do tio Jerry caiu super bem no filme.

    2. Falou muita besteira, cara. A PROFECIA é, sem dúvida, o melhor filme da Satânica Trindade. O melhor filme de terror de todos os tempos.

      1º lugar – A PROFECIA
      2º lugar – O Exorcista
      3º lugar – O Bebê de Rosemary

  9. Tem gente que não sabe o que é clássico. Clássico é o que sobrevive ao tempo e continua sendo apreciado depois de passadas décadas, o que é justamente o caso de A Profecia. Agora, o senhor Matheus Ferraz me vêm um mês atrás falar que Lords of Salem, um filme recém-lançado, é clássico. Deve ter uma máquina do tempo ou uma bola de cristal à mão, não é possível. Mais uma pérola desse sujeito que suja o nome deste site cada vez mais. Sem falar daquela resenha vergonhosa e mal intencionada do Encarnação do Demônio.

  10. Direção firme… Atuações soberbas… Trilha sonora delirante… Um filme que choca a cada cena, numa combinação soberba … Um de meus prediletos…

  11. Para ser considerado clássico, um filme não precisa ser perfeito. haja vista Halloween, em que o vilão sai de um manicômio onde passou a vida inteira, simplesmente dirigindo!

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