Visões 2: A Vingança dos Fantasmas (2005)

Visões 2 (2005) (2)

Visões 2: A Vingança dos Fantasmas
Original:Gin gwai 10
Ano:2005•País:Hong Kong
Direção:Oxide Pang Chun, Danny Pang
Roteiro:Oxide Pang Chun, Danny Pang, Mark Wu
Produção:Peter Chan, Lawrence Cheng
Elenco:Bo-lin Chen, Yan Kam Ching, Ng Wing Chuen, Leung Cjun Fai, Yu Gu, Tanyapan Jansiw, Chan Yui Kei, Bongkoj Khongmalai, Isabella Leong

Ter a possibilidade, dom ou maldição, de enxergar espíritos pode soar como uma das realidades mais assustadoras possíveis. Independente da religião ou crença de cada pessoa, algo parece ser quase lei em todas as culturas: a de que os espíritos dos mortos devem descansar em paz. Imagine como sua vida se transformaria caso, um dia, você começasse a enxergar vultos de pessoas que desencarnaram? Para que tal fenômeno aconteça (dependendo de quem acredita, é claro), existem diversos fatores como pessoas que seriam sensitivas para tal tema ou indivíduos que buscassem por isso, sem saber o que realmente lhes aguarda.

Pode parecer dramática essa introdução, mas é exatamente o que acontece com cinco amigos do filme Visões 2 – A Vingança dos Fantasmas (Gin gwai 10, 2005). A história acompanha o grupo, que passando alguns dias de férias na Tailândia, descobre um livro chamado “Dez Maneiras para Ver um Fantasma” sobre antigas lendas tailandesas e resolve colocar em prática algumas das dicas para ver se realmente consegue ver alguma alma penada.

Produzido, roteirizado e dirigido pelos irmãos gêmeos chineses Oxide e Danny Pang, que ficaram conhecidos como Irmãos Pang, Visões 2 é mais uma boa produção do gênero vinda do oriente que chegou timidamente nas locadoras nacionais. A obra é na verdade o terceiro episódio de uma série iniciada em 2002, mas que foi lançada completamente fora de ordem no Brasil e com títulos diferentes. Para facilitar um pouco a vida de quem não está entendendo essa estranha lógica de mercado, vamos lhe dar uma ajuda. Veja abaixo os títulos originais, com as respectivas traduções para inglês e português e os anos de lançamento de cada filme da saga.

Gin gwai (The Eye / The Eye – A Herança), 2002
Gin gwai 2 (The Eye 2 / Visões), 2004
Gin gwai 10 (The Eye 10 / Visões 2 – A Vingança dos Fantasmas), 2005

Ajudou? Pois bem, vamos agora explicar mais. Por quê o titulo original de Visões 2 possui o numeral 10? Uma brincadeira dos diretores com o livro que traz 10 formas de ver fantasmas. Apesar de serem filmes de uma mesma série, cada uma das histórias é independente uma da outra, podendo inclusive serem vistas fora de ordem. No entanto, todos os episódios possuem em comum o mesmo tema: o de acompanhar o drama de pessoas normais que começam a ver espíritos. No caso de Visões 2, o grupo de amigos resolve seguir os conselhos do tal livro para se divertir, sem imaginar as trágicas consequências que os aguardam.

Visões 2 (2005) (1)

Como presos a uma maldição, cada pessoa do grupo começa a se ver um pesadelo real que cresce mais a cada dia, levando-os ao medo e a loucura. Assim como nos dois primeiros filmes, esse Visões 2 tem no drama vivido pelos personagens, fruto do pavor de ver espíritos, um dos principais acertos das produções dos Irmãos Pang. Sem efeitos especiais ou sangue em excesso, as histórias comandadas pela dupla levam o telespectador a um mundo semelhante ao das vítimas da trama: voltado para o medo fruto do desconhecido e da incapacidade de lutar contra algo que não se sabe o que é, sem precisar ser apelativo e com uma narrativa lenta.

Características essas que respondem como principais diferenças para com a maioria das produções norte-americanas, repleta de corre-corre, assassinos psicopatas, litros de sangue e efeitos digitais em excesso. Salvo raras exceções, os filmes Made in USA provocam apenas um leve susto, enquanto as produções asiáticas procuram levar o espectador para uma experiência mais intensa de medo.

Não que Visões 2 seja um clássico supremo dos filmes orientais. Na verdade, trata-se de uma produção bem realizada com uma história interessante e boas sequências de medo, mas que, se for comparada com outros grandes trabalhos vindos da Ásia como Ringu (O Chamado), Ju-on (O Grito) ou Shutter (Espíritos), fica bem atrás. Apesar disso, Visões 2 possui ótimos momentos como a sequência nos corredores do metrô ou a do elevador.

Talvez o único ponto negativo, ou desnecessário, se preferir, é um certo lado cômico que foi acrescentado a este filme, e que parece sobrar dentro da história principal. Nada melhor para exemplificar isso do que a sequência de abertura, passada durante uma espécie de exorcismo feito por monges budistas. A cena tinha tudo para ser um dos pontos altos do filme, mas depois de alguns minutos a impressão que se tem é que se está assistindo a um Todo Mundo em Pânico (Scary Movie, 2000). Difícil não rir.

Outra sequência no mínimo engraçada acontece quando um espírito encarna em um dos protagonistas e começa a dançar no corredor de um prédio. Os créditos do filme também são mostrados de forma estranha para o gênero, semelhante a abertura de seriados de televisão norte-americano o que soa visualmente estranho para a proposta do filme.

Apesar dessas derrapadas, e do final, um tanto quanto apocalíptico, Visões 2 responde como uma boa opção para os admiradores do gênero. Ao público brasileiro resta aguardar por novidades e ficar atento aos lançamentos uma vez que, independente de como um futuro The Eye 4 venha a ser batizado, é bom lembrar que tal produção pode receber um título bem diferente por aqui. Independente disso, espera-se para o novo capítulo mais uma boa dose de fantasmas e situações de medo.

Se você viu os dois primeiros filmes…

Apesar de serem histórias que não possuem ligações entre si, quem já assistiu os dois primeiros The Eye vai ter, caso se lembre, algumas boas surpresas neste Visões 2, que passam despercebidas para que não tenha visto os primeiros episódios. Como uma espécie de brincadeira de metalinguagem, ou simples homenagens se você preferir, os diretores Oxide e Danny Pang, colocaram durante o novo filme pequenas citações aos primeiros episódios.

A primeira acontece logo no começo quando um dos personagens está comentando sobre as possíveis formas para se conseguir ver espíritos que seriam baseadas em lendas urbanas. Ele menciona o caso do transplante de córnea condenado e a tentativa de suicídio na gravidez. Tratam-se dos enredos abordados nos dois primeiros filmes. Curiosamente, os amigos de Visões 2 fazem um ar reflexivo e comentam que já ouviram falar algo a respeito. Duas rápidas cenas em flashbacks são mostradas, mas no melhor estilo piscou perdeu.

Visões 2 (2005) (3)

Outra semelhança é a boa utilização dos Irmãos Pang para criar cenas tensas dentro de elevadores e sempre com bons resultados. Quem assistiu aos dois primeiros The Eye com certeza se lembra de duas excelentes sequências passadas em elevadores e no Visões 2 não será diferente.

Já próximo do final, um personagem, Tak (Bo-lin Chen), está correndo assustado pela escada, após a sequência do elevador, para chegar no apartamento de uma amiga. Em uma cena bem parecida com a do primeiro filme The Eye – A Herança, na qual a então protagonista Mun (Lee Sin-Je), sempre encontra um fantasma de um garoto na escada perguntando pelo boletim escolar perdido. Pois em Visões 2, quando o apavorado Tak está subindo, eis que ele esbarra com um garotinho, no meio da escada (seria o mesmo prédio?), perguntando pelo seu boletim. Tomado pelo impulso, o rapaz responde com um sonoro “Sua pequena maldição” e dá um belo chute na cara do garoto, que para o espanto do agressor, não é nenhum fantasma, mas realmente um garotinho real e que claro, após um chute no rosto, começa a chorar.

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Filipe Falcão

Filipe Falcão

Jornalista formado e Doutor em Comunicação. Fã de filmes de terror, pesquisa academicamente o gênero desde 2006. Autor dos livros Fronteiras do Medo e A Aceleração do Medo e co-autor do livro Medo de Palhaço.

3 comentários em “Visões 2: A Vingança dos Fantasmas (2005)

  • 11/01/2014 em 16:59
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    Acho q foi esse lado cômico q me fez não gostar do filme; afinal, esperava algo aterrador como The Eye ou Visões, mas me decepcionei. Possui alguns momentos bons, mas realmente algumas cenas são dignas de Todo Mundo em Pânico.

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    • 22/08/2016 em 09:10
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      Vinha escrever justamente isso. Arruinaram uma história que podia ser interessante.

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  • 10/01/2014 em 11:47
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    ah, a proposta de humor negro e de “tiração de sarro”, é o que eu acho mais legal no filme! Dá para sentir que estão parodiando eles mesmos!

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