As Tartarugas Ninja (2014)

As Tartarugas Ninja (2014) (4)

As Tartarugas Ninja
Original:Teenage Mutant Ninja Turtles
Ano:2014•País:EUA
Direção:Jonathan Liebesman
Roteiro:Josh Appelbaum, André Nemec, Evan Daugherty
Produção:Michael Bay, Ian Bryce, Andrew Form, Bradley Fuller, Scott Mednick, Galen Walker
Elenco:Megan Fox, Will Arnett, William Fichtner, Alan Ritchson, Noel Fisher, Pete Ploszek, Johnny Knoxville, Jeremy Howard, Danny Woodburn, Tony Shalhoub, Whoopi Goldberg, Minae Noji

Antes mesmo de qualquer informação sobre o mais recente filme das Tartarugas Ninja, a produção já estava sendo execrada em todos os sites especializados em quadrinhos e cinema. A ideia de que os personagens teriam origem alienígena e a produção de Michael “Badabum” Bay gerava pânico nos fãs de longa data dos mais queridos mutantes ninjas da cultura pop. A partir daí as notícias só causavam mais desconfiança.

Além de Jonathan Liebesman (Fúria de Titãs 2, Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles), talvez o pior diretor em atividade em Hollywood hoje, assumir a direção do filme, juntou-se ao elenco a “atrizMegan Fox (Jonah Hex, Transformers), que voltava a trabalhar com Bay depois de toda aquela patacoada de Transformers 2. Além disso, o personagem Eric Sacks (Wilian Fichtner, de Elysium) apontava para um vilão ocidental, bem diferente do que os fãs esperavam, e as coisas só pioraram quando as primeiras imagens das Tartarugas vazaram na internet.

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O primeiro trailer acalmou um pouco os ânimos dando uma ideia do tom de humor e ação do filme, mas as expectativas continuavam baixas.

Aqui vale à pena lembrar que apesar de lembrados com muito carinho pelos fãs, nenhuma das adaptações anteriores das histórias das Tartarugas Ninja para às telas de cinema foram realmente excelentes. O primeiro filme tem um tom correto e uma história simples, mas eficiente, porém o que veio depois não parece tão bom assim se deixarmos a memória afetiva de lado. O segundo filme, por exemplo, além de Vanilla Ice, teve sua “violência” reduzida após críticas ao primeiro filme resultando em lutas dignas de Os Trapalhões! Dito isso, podemos dizer que este novo As Tartarugas Ninja não é um filme tão ruim quanto se esperava.

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Descarte toda a violência e o clima underground dos quadrinhos originais. O novo filme segue a vertente atual do cinema de super-heróis e procura dar “realismo” às tartarugas mutantes ninjas e adolescentes, além de amarrar todos os personagens em uma história de origem pretensamente coerente. Até aí o mérito não é do roteiro escrito a seis mãos (!!!) por Josh Applebaum, André Nemec (ambos da série de TV Alias) e Evan Daugerthy (Branca de Neve e O Caçador), pois os quadrinhos recentes da IDW trazem uma origem bem diferente daqueles dos anos oitenta ou das animações clássicas, e amarram as histórias de todos os personagens incluindo até o conceito de reencarnação!

Liebesman consegue entregar algumas cenas de ação empolgantes e lutas minimamente compreensíveis, algo muito raro no cinema de ação frenética hoje em dia. Os personagens digitais, que causaram um pouco de estranhamento no começo, conseguem convencer e funcionam bem juntos. A dinâmica clássica entre Raphael, Michelangelo, Donatello e Leonardo está presente e é o ponto forte do filme. Todas as suas personalidades estão bem definidas, com exceção de Leonardo que fica um pouco apagado perto de seus irmãos.

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O redesign das personagens exagera um pouco e fica fora de contexto, já que Splinter, muito maior na sua forma original e mais velho, parece não chegar nem perto do poder de seus filhos. Aliás, o único visual realmente funcional e interessante fica por conta do sensei de nossos heróis. Splinter nunca foi tão “rato” nem tão “mestre”. Já o Destruidor (Tohoru Masamune) parece algo saído da lixeira dos desenhistas de produção de Transformers. Um cruzamento entre o Samurai de Prata de Wolverine Imortal e Megatron de Bay.

Entre as personagens humanas, April O’neil é de longe a pior. A capacidade limitada de atuação de Megan Fox não sustenta o tempo em tela que April possui neste filme e estraga alguns momentos mais tensos. Já Will Arnett (Arrested Development) está engraçado na medida como Vernon Fenwick, parceiro de April no Canal 6, e suas piadas possuem um timming adequado. Willian Fitchner como Erich Sacks, capanga de Destruidor, é o destaque entre as personagens humanas e funciona bem como segundo vilão, apesar de suas motivações e planos cartunescos demais, e deixa os fãs se perguntando por que não Baxter Stockman?

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Ao final da projeção fica clara a intenção de cumprir a cartilha dos filmes de ação e super-heróis de hoje em dia e atualizar as Tartarugas Ninja para um público mais jovem, embora o filme soe meio esquizofrênico neste sentido ao tentar ser realista e dramático ao mesmo tempo em que fala direto com as crianças e adolescentes que lotam as salas de cinema 3D com seus combos de pipoca e refrigerante em mãos. O fato é que os fãs dos quadrinhos originais ou da série clássica de animação não é o público que os produtores procuram.

A piada do peido está lá para confirmar isso.

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Rodrigo Ramos

Rodrigo Ramos

Designer por formação e apaixonado por HQs e Cinema de Horror desde pequeno. Ao contrário do que parece ele é um sujeito normal... a não ser quando é Lua Cheia. Contato: rodrigoramos@bocadoinferno.com.br

11 comentários em “As Tartarugas Ninja (2014)

  • 17/10/2015 em 21:56
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    Um roteiro escrito por 3 pessoas e o melhor que eles conseguiram para explicar como as tartarugas aprenderam a lutar foi que o Splinter tornou-se um mestre em Ninjitsu ao ler um LIVRO em JAPONÊS!!!

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  • 16/10/2015 em 18:34
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    Não tenho nada contra a Megan Fox, e achei que a personagem dela neste filme está muito boa, sendo muito divertida, por sinal. O que achei bem interessante no filme foi justamente mostrar a estória através da perspectiva de um humano, tendo April O’Neil como protagonista, ao invés de querer mostrar os acontecimentos sobre a perspectiva das tartarugas. No mais, me incomodou bastante as incontáveis cenas e situações totalmente forçadas no roteiro, como as dezenas de vezes em que o Destruidor poderia ter facilmente eliminado uma das tartarugas ou o próprio Mestre Splinter, e não o faz apenas para garantir um novo combate mais adiante. Algumas cenas muito exageradas e apenas para aproveitar os efeitos em 3D também contribuíram de forma negativa para o resultado final do longa, como aquela sequência de ação na neve totalmente confusa e desnecessária. Em suma, é um filme para quem assiste às atuais animações da Nickelodeon, e não para os fãs mais por school, como já foi explicitado na matéria.

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    • 16/10/2015 em 23:57
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      Aí eu vou ter que discordar de você, Daniel! Eu sou fã das Tartarugas desde os anos 80. Leio os quadrinhos, coleciono os bonecos e tenho todos os filmes (por piores que sejam) e considero a animação nova da Nickelodeon a melhor versão das Tartarugas desde os quadrinhos originais dos anos 80. O timming do humor é ótimo e as piadas são inteligentíssimas! E é muito mais sério em alguns momentos do que a versão animada dos anos 80, que revendo hoje, era bem mais inocente e infantil que He-Man, por exemplo.

      Mas concordo que o CGI não se enquadra muito bem no filme. As Tartarugas são algo mais sútil. São ninjas! E o modus operandi dos ninjas não se encaixam no jeito Michael Bay de fazer cinema.

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      • 23/10/2015 em 16:16
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        tu coleciona os quadrinhos? nunca encontrei os quadrinhos das tartarugas, ouvi falar que são bem violentos é verdade?

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        • 23/10/2015 em 17:06
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          Coleciono!

          Tu encontra fácil em sebos ou no Mercado Livre uma coletânea em formatão que saiu pela Sampa lá nos anos 90, com as primeiras histórias… É bem diferente do que você tá acostumado se viu os filmes e os desenhos. Essa coletânea também saiu a uns 5 anos pela Devir, mas com mais páginas só que agora em formato menor e em preto e branco.

          A Panini lançou doze edições da nova versão, que é mais parecida com esse filme (nas origens), mas que é excelente. Essas são fáceis de se achar por aí em qualquer comic shop.

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          • 23/10/2015 em 17:20
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            Acabei não respondendo…

            A versão dos anos 80 é bem barra-pesada! As Tartarugas foram criadas como uma “satirá” aos quadrinhos e filmes de ninja daquela época. Tem muito da fase do Frank Miller no Demolidor nesses quadrinhos originais.

            Vale a pena procurar por aí!

          • 31/10/2015 em 01:46
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            legal! essa versão dos anos 80 deve muito legal, eu já vi umas imagens na internet e os traços são muito irados! vou ficar de olho no mercado livre ja vi uma vez nas bancas um “crossover” delas com o Dragon da Image comics mas nunca comprei! valeu pelas dicas!!

          • 01/11/2015 em 10:34
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            Eu tenho essas revistas das Tartarugas com o Savage Dragon. São duas edições. Na verdade, são os primeiros números da revista mensal dele, após aquela mini-série em três edições que contava a origem do personagem, antes da revistas mensal. Ou pelo menos, aqui no Brasil foi publicado assim. Antigamente as editoras faziam muita montagem nas estórias, juntando várias publicações dos EUA, especialmente na época do “formatinho” isso era bem comum.

          • 06/03/2017 em 16:54
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            Aquela versão das Tartarugas Ninjas em Savage Dragon eram muito tris! Tenho esse exemplar (e os outros) também!

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