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O Gabinete de Curiosidades de Guillermo Del Toro
Original:Guillermo del Toro's Cabinet of Curiosities
Ano:2022•País:EUA, México
Direção:Ana Lily Amirpour, Panos Cosmatos, Catherine Hardwicke, Jennifer Kent, Vincenzo Natali, Guillermo Navarro, David Prior, Keith Thomas
Roteiro:Guillermo del Toro, H.P. Lovecraft, Haley Z. Boston, Emily Carroll, Regina Corrado, Panos Cosmatos, David S. Goyer, Jennifer Kent, Henry Kuttner, Lee Patterson, Lee Patterson, Aaron Stewart-Ahn, Mika Watkins
Produção:Jeff J.J. Authors
Elenco:Lize Johnston, Kevin Keppy, Kate Micucci, Essie Davis, Ben Barnes, F. Murray Abraham, David Hewlett, Peter Weller, Tim Blake Nelson, Rupert Grint, Crispin Glover, Andrew Lincoln, Martin Starr, Sofia Boutella,

Nos moldes de Alfred Hitchcock Presents, Guillermo Del Toro produz e apresenta cada um dos segmentos dessa série de horror e fantasia bastante aguardada pelos fãs do cineasta, que já nos presentou com o excelente O Labirinto do Fauno (2006) e o oscarizado A Forma da Água (2017). Em formato de antologia, O Gabinete de Curiosidades de Guillermo Del Toro, disponibilizada na Netflix, é super bem produzida, visualmente impecável, tem diretores talentosos e bons atores no batente.

Por todos esses motivos, comecei a assistir com uma expectativa alta, esperando algo perto dos melhores momentos de The Twilight Zone e Amazing Stories… contudo, ao final, infelizmente, restou um sentimento de decepção, de que poderia ser melhor.

Não que a série seja ruim, ao contrário, ela é bem acabada e entrega o básico, mas creio que esse é o principal problema, já que os segmentos não chegam ao grau de qualidade prometido, muita coisa fica somente na intenção e não há aquela conexão especial com o espectador.

Se o leitor não tiver pretensões de testemunhar o nascimento de um novo clássico televisivo, ela poderá funcionar como passatempo. Mas só.

Vejam abaixo uma breve análise de cada segmento.

Lote 36

Dirigido por Guillermo Navarro

O episódio de abertura tem um ótimo início, mas termina de forma rasa e burocrática. Tim Blake Nelson é um homem endividado que compra depósitos (aqueles locais em que as pessoas alugam para colocar móveis, objetos de decoração, etc.) que foram abandonados por seus donos, no intuito de vender seu conteúdo.  Ao comprar num leilão o mencionado Lote 36, cujo dono anterior faleceu, ele se depara com uma situação sinistra dentro desse depósito.

A história começa bem, cria um clima interessante, mas coloca várias situações na mesa sem saber o que fazer com elas. Tropeço logo no começo…

Ratos de Cemitério

Dirigido por Vincenzo Natali

Aqui sim temos uma verdadeira história de horror, por vezes repugnante e com um pouco de humor macabro, em que o diretor Vincenzo Natali, que dirigiu o clássico Cubo (1997) e bacana Campo do Medo (2019), se esmera em contar com uma desenvoltura ímpar.

O responsável por um cemitério é, ao mesmo tempo, também ladrão de túmulos. Como ele tem uma dívida alta a pagar, entra em parafuso ao não conseguir competir com os ratos que habitam o cemitério, que roubam os cadáveres antes dele.

O roteiro é esperto fazendo com que a jornada do protagonista contra os ratos tenha conteúdo e seja estilisticamente envolvente. O segmento mais divertido da série.

A Autópsia

Dirigido por David Prior

O segmento mais gore da temporada. Um médico legista chega numa pequena cidade onde ocorreu um crime numa mina de exploração de carvão, onde vários operários foram mortos. Esse evento na mina está ligado a um cadáver encontrado na floresta e pessoas desaparecidas.

O roteiro tentar embaralhar uma situação simples já super aproveitada em várias outras ocasiões (não vou citar senão o leitor já vai matar a charada).

A condução até o desfecho do segmento é um pouco truncada e as cenas de gore podem incomodar os mais sensíveis, mas o episódio consegue ter uma boa qualidade ao final. Para alguns, pode ser considerado o melhor da série. Além disso, sempre é um prazer ver um ator do calibre de F. Murray Abraham literalmente se entregando de corpo e alma pelo personagem.

Por Fora

Dirigido por Ana Lily Amirpour

O segmento que tinha um potencial imenso acaba sendo o mais fraco da série. A diretora  Ana Lily Amirpour, do insuportavelmente ruim Amores Canibais (2016) não sabe para onde ir ao contar a história de uma mulher feia e deslocada que começa a usar um creme cuja propaganda (a TV fala com ela) promete deixá-la linda.

Tentando infrutiferamente encontrar um equilíbrio entre a sátira e o horror, o episódio sofre sem encontrar o tom certo e sem deixar clara sua proposta.

Modelo de Pickman

Dirigido por Keith Thomas

Os quadros pintados por Richard Pickman (Crispin Glover) causam efeitos macabros nas pessoas. A história mostra o reflexo desses quadros na vida do personagem interpretado por Ben Barnes durante o passar dos anos. Bem conduzido, com sustos nos lugares certos e um certo grau de fatalismo muito bem vindo. Talvez o episódio que mais impressione, com momentos de pura tensão e horror. Interessante estudo sobre o impacto emocional e insanidade baseado num conto de H. P. Lovecraft.

Este segmento junto com A Autópsia e Ratos de Cemitérios são os meus preferidos nessa leva de episódios.

Sonhos na Casa da Bruxa

Dirigido por Catherine Hardwicke

Ao presenciar a morte da irmã, vê-la virar um fantasma e entrar num estranho vértice contra sua vontade, o personagem de Rupert Grint cresce com o objetivo de encontrar uma porta para o mundo espiritual para trazê-la de volta. A jornada do protagonista nessa investigação mediúnica o leva até uma casa onde uma bruxa viveu séculos atrás.

O episódio inicia com um pé na fantasia e depois cede espaço ao sobrenatural de forma mais intensa, principalmente quando a tal bruxa entra em cena. Contudo, o roteiro deixa as explicações de lado em determinado momento e acelera na ação, deixando o espectador sem entender direito qual era a motivação da vilã. Mas o final irônico traz o segmento de volta ao eixo e consegue até surpreender. Não está entre os melhores, mas quase chega lá.

A Inspeção

Dirigido por Panos Cosmatos

O pior episódio dessa temporada junto com Por Fora. A premissa é instigante: quatro profissionais de diferentes áreas são convidados para casa de um recluso milionário para avaliar e entender um objeto que eles não tem ideia do que seja. A direção barroca de Panos Cosmatos não ajuda uma história fraca e mal desenvolvida. Desperdício total de um elenco interessante cujo destaque é o milionário interpretado pelo saudoso Robocop original Peter Weller.

O Murmúrio

Dirigido por Jennifer Kent

Segmento muito bem dirigido e interpretado que conta a história de dois ornitólogos (Essie Davies e Andrew Lincoln) que vão a uma ilha remota estudar um tipo de pássaro e que ficam hospedados numa casa abandonada onde viveu uma família. O filão casa assombrada em tratamento digno e eficiente, mas que peca pelo final convencional. Bonito e lírico, mas faltou ousadia para trazer algo diferente que grave na memória. Do jeito que está, fica na prateleira de apenas mais uma história de fantasmas. Pena pois tinha potencial para mais, principalmente por já termos visto do que Jennifer Kent é capaz em O Babadook (2014).

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1 comentário

  1. Série com potencial enorme e, quando digo enorme, se deve pelo evidente bom orçamento (ótimos efeitos práticos e digitais), elenco ótimo e ser apadrinhada pelo Del Toro.

    Porém, concordo com a crítica, ela peca em vários episódios, sendo 3 caveiras de bom tamanho.

    Destaco os episódios 2 e 3 como os melhores, no mais, o primeiro me agradou, ainda que bem raso.

    De resto, preciso dizer, o último episódio, escrito pelo Del Toro, é um sonífero. Uma pena.

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