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A Astronauta
Original:The Astronaut
Ano:2025•País:EUA
Direção:Jess Varley
Roteiro:Jess Varley
Produção:Chris Abernathy, Eric B. Fleischman, Brad Fuller, Cameron Fuller
Elenco:Kate Mara, Laurence Fishburne, Gabriel Luna, Ivana Milicevic, Macy Gray, Scarlett Holmes, Reza Diako, Aidan O'Sullivan

O mundo voltou os olhares para o espaço com a expedição de Artemis II, entre 1º e 11 de abril de 2026. Desde a escolha da data de decolagem — o popular Dia da Mentira em ironia aos questionamentos sobre a viagem do programa Apollo —, a do nome da expedição em referência à irmã gêmea de Apolo e a dos tripulantes (o comandante Reid Wiseman é o homem mais velho a se envolver em um programa espacial; a especialista Christina Koch é a primeira mulher; Jeremy Hansen, o primeiro não-americano; e o piloto Victor Glover, primeiro negro), a missão trouxe imagens impressionantes do Planeta Terra e principalmente da Lua, antecipando a aguardada volta ao solo lunar em 2028. O chefe da Artemis, Jared Isaacman, comentou a CNN que a busca por vida alienígena está entre as principais intenções de todas as expedições, e acredita que a existência de trilhões de galáxias é um fator que colabora para essa comprovação. Independente de crenças e estranhos avistamentos por aí, o debut de Jess Varley é mais um a lidar com a temática, sem vergonha de expor clichês e o mesmo melodrama que Spieberg propôs em 1982.

Em A Astronauta (The Astronaut, 2025), a Capitã Sam Walker (Kate Mara) acaba de retornar à Terra, em uma missão da NASA que se concluiu com destroços atingindo o ônibus espacial, quase ocasionando uma tragédia. Depois de um tempo de recuperação e o reencontro com o marido Mark (Gabriel Luna) e a graciosa filha Izzy (Scarlett Holmes), além de seu pai adotivo, o General William Harris (Laurence Fishburne), Sam é levada a uma gigantesca moradia rural isolada, visando sua segurança, para a realização de testes diários para avaliar suas aptidões mental e física.

No entanto, a astronauta enfrenta constantes situações estranhas, como objetos que flutuam próximo dela (atribuídos a ilusões da gravidade), manchas escuras em uma de suas mãos e que estão se espalhando pelo corpo, dores de cabeça relacionadas a zunidos intensos e a sensação perturbadora de que está recebendo “visitas“. Ela também enfrenta conflitos pessoais com o afastamento do marido, depois que ela passou a se importar somente com suas viagens espaciais, além das oportunidades de conviver com a filha. E há a própria casa, com passagens secretas, quedas de energia e um sistema de vigilância que parece mais ameaçador do que propor segurança.

Varley demonstra cuidado no comando, sabendo explorar o movimento das câmeras em corredores e nas cenas mais tensas. Ele é apoiado pela fotografia e seus contrastes entre a moradia fria e o lado externo, da mata que envolve a casa. E pode incluir no pacote de qualidade do longo os efeitos especiais aceitáveis, com algumas limitações de convencimento, e a trilha incidental que torna o horror de Sam claustrofóbico e atmosférico.

Se essas aspectos mostram um esmero trato técnico, do outro lado reside o roteiro do próprio Varley. A obsessão de Sam para retornar ao espaço ainda que justificável na parte final é um ato evidentemente subconsciente, porém essa subconsciência traz um contraponto em suas atitudes: não revelar aos médicos o crescimento das manchas e o zunido (e nem questionar porque os exames não revelaram essas anomalias), ou sua insistência em permanecer num local com sistema de vigilância, mas nenhum segurança presente, mesmo que a equipe da NASA traga sugestões de outros locais, não faz sentido algum. Isso sem contar o fato dela ter sinal no celular e tablet em apenas alguns momentos e nunca pensar em registrar com a câmera os fenômenos estranhos; ou o marido testemunhar um ataque de cigarras e mesmo assim optar por deixar sua esposa sozinha com suas neuras.

Coloque nesse balaio os diálogos expositivos e artificiais como quando William Harris solta um desnecessário e desconexo para a pequena Izzy: “comprei essa luneta para a sua mãe quando eu a adotei“. E também algumas rimas de edição para tornar um flashback, que já era desnecessário, amplamente ofensivo à inteligência do infernauta: aparece uma pessoa no passado e um corte brusco a mostrar atualmente para que você saiba que se trata obviamente da mesma.

O longa também demonstra fragilidade nas atuações. À exceção da expressiva Scarlett Holmes, que se mostra segura em sua ingenuidade e graça, e Gabriel Luna, com um olhar de preocupação associado à decepção pela postura de sua esposa, os demais parecem atuar no modo de segurança. Laurence Fishburne não faz a menor diferença em seu papel de general frio, podendo ser trocado por qualquer outro ator. E Kate Mara, em papel pensado para Emma Roberts, parece confusa entre expressões de angústia e medo, e calma e preocupação, ocasionando algumas evidentes trocas, não sendo ajudada pela própria personagem.

Ao final, A Astronauta tenta trazer alguma emoção à proposta, alterando os papéis entre heróis e criaturas hostis. NNão deve ser exatamente o conceito “vida alienígena” imaginado por Jared Isaacman, resultando em um drama que faria o ET de Spielberg telefonar mais cedo pra casa. Uma boa opção para quem busca alienígenas atraídos em viagens espaciais, além de produções óbvias como Alien e Força Sinistra, você pode encontrar vida inteligente e divertida com o russo Estranho Passageiro: Sputnik (2020), de Egor Abramenko, uma ironia de sugestão nas corridas espaciais cinematográficas.

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