A Casa do Terror: Dor Intensa (1980)

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Dor Intensa
Original:Growing Pains
Ano:1980•País:UK
Direção:Francis Megahy
Roteiro:Nicholas Palmer
Produção:Roy Skeggs
Elenco:Barbara Kellerman, Gary Bond, Norman Beaton, Tariq Yunus, Michael Hughes, Daphne Anderson, Anna Simone Scott, Geoffrey Beevers

Desde criança, sou fascinada por filmes de terror. Mas, junto com esse fascínio, sempre existiu uma dualidade: a enorme vontade de assistir e, ao mesmo tempo, a falta de coragem para fazê-lo. Talvez seja o peso da idade e das lembranças que me acompanham, mas ainda recordo da ocasião em que a curiosidade falou mais alto e assisti a um dos episódios de Hammer House of Horror (A Casa do Terror).

Para quem não conhece, a série foi produzida pela Hammer Films em parceria com a Cinema Arts International e a ITC Entertainment. Em formato de antologia, era focada no terror clássico e sobrenatural, tornando-se bastante popular nos anos 70 e 80. Apesar de ter sido feita para a televisão, manteve o estilo cinematográfico de alta qualidade característico do estúdio, contando inclusive com a participação de nomes importantes do terror britânico, como Peter Cushing.

No Brasil, foi exibida inicialmente pela TV Globo, nas noites de quinta-feira, após o Jornal da Globo, entre 1983 e 1984. Posteriormente, ganhou reprise no SBT (na época, TVS), em 1985, dentro da sessão “Noite Quente”, exibida às quartas-feiras, às 23h30, recebendo o nome de A Casa do Terror.

Com 13 episódios de uma hora cada, justamente o que assisti acabou sendo considerado um dos piores pelo público e pela crítica. Ainda assim, talvez pelo impacto da produção da Hammer, ele permaneceu vivo na minha memória até hoje.

(Pode conter spoilers)

Na trama, o cientista botânico Terence Morton (Gary Bond – Pelos Caminhos do Inferno, 1971) trabalha em casa realizando pesquisas com animais e plantas, tentando descobrir uma proteína especial capaz de diminuir a fome no mundo. O excesso de trabalho faz com que ele negligencie o filho de dez anos, William (Christopher Reilly – Slow Horses, 2022 e 2023), que acaba morrendo tragicamente em um acidente no laboratório do pai, abalando profundamente sua esposa, Laurie (Barbara Kellerman – Satan’s Slave, 1976).

Na tentativa de amenizar a dor da perda, o casal decide adotar um menino de um orfanato, James (Matthew Blakstad – The Chain, 1984). O garoto, inicialmente educado e aparentemente inofensivo, muda de comportamento assim que chega à nova casa. A partir daí, uma sequência de acontecimentos estranhos e perturbadores começa a ocorrer: o carro da família perde o controle sem explicação, enquanto o cão de estimação, Nipper, antes dócil, torna-se agressivo e assassino.

Uma das cenas mais marcantes mostra o cachorro invadindo o laboratório e destroçando vários coelhos. A construção visual da sequência, contrastando o branco dos animais com o sangue espalhado, ficou gravada na minha memória durante anos.

Recentemente, consegui rever o episódio no YouTube. Precisava entender por que jamais havia esquecido sua existência. O resultado dessa revisita foi curioso: percebi que o episódio realmente é ruim. Não posso compará-lo aos outros 12, já que não os assisti, mas este em particular é arrastado e pouco interessante. Para mim, o ponto mais marcante continua sendo o momento em que os personagens começam a ouvir os latidos do cão da família, mesmo após sua morte.

A famosa cena dos coelhos, que durante anos eu lembrava de forma distorcida, acreditando que haviam sido mortos pelo filho, revelou-se algo muito mais plausível e até natural: o responsável era o próprio cachorro da família. E, por mais dócil que fosse, ainda era um animal guiado por instintos caçadores.

Talvez seja justamente isso que explique o impacto duradouro do episódio em minha memória. Não pela qualidade da história em si, mas pela maneira como certas imagens e sensações conseguem permanecer vivas dentro de nós, mesmo décadas depois.

Para os curiosos e admiradores do trabalho da Hammer Films, vale a pena garimpar alguns episódios no YouTube. E, para os fãs mais dedicados, existe ainda a possibilidade de adquirir a box em DVD com os 13 episódios para o acervo pessoal.

Talvez este episódio específico não valha totalmente o seu tempo, principalmente para quem espera uma narrativa mais envolvente ou realmente assustadora. Ainda assim, acredito que Hammer House of Horror mereça ser conhecida e revisitada pelo conjunto da obra, pela atmosfera característica da Hammer Films e pela importância que teve para o terror televisivo da época. Fica até a vontade de assistir aos demais episódios para apagar a má impressão deixada por este em particular — afinal, uma obra não deve ser definida apenas pelo seu ponto mais fraco, mas pelo conjunto da experiência que é capaz de proporcionar.

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