![]() Ódio
Original:Ódio
Ano:1977•País:Brasil Direção:Carlo Mossy Roteiro:Carlo Mossy, Sanin Cherques, Ismar Porto, Talita Valle Produção:Carlo Mossy Elenco:Carlo Mossy, Jaime Barcellos, Estelita Bell, Cléa Simões, Celso Faria, Ivan de Almeida, Átila Iório, Jotta Barroso |
Roberto Barcelos é um advogado recém-formado que retorna à casa da família para comemorar sua formatura no curso de Direito. Idealista e profundamente ligado às causas sociais, Roberto tem sua trajetória alterada drasticamente quando testemunha os empregados da fazenda de seus pais torturando e assassinando sua família a sangue frio. Único sobrevivente da chacina, Roberto parte, tempos depois, em busca de vingança contra os assassinos de sua família.
O filme Ódio, obra de Carlo Mossy lançada em 1977, pode gerar desconfiança e ser associada aos representantes da pornochanchada. Não é para menos. Carlo Mossy foi um dos mais reconhecidos realizadores do gênero, e tem em Ódio um dos mais interessantes exemplares do gênero policial do cinema nacional, produção com grau de violência diferenciado e atuações inquietantes.
Um dos motivos pelos quais trago essa recomendação ao Boca do Inferno é justamente uma das primeiras cenas, quando Roberto chega na fazenda e flagra o assalto sofrido pelos pais. São cerca de 15 minutos de violência desenfreada, com direito a violência sexual, assassinato de crianças, além de uma densidade e pressão psicológica difícil de acompanhar. Trata-se de uma sequência equiparável ao que Wes Craven representou tão bem no seu clássico Aniversário Macabro, mas com um generoso tempero brasileiro.
Após esse momento, quando pensamos que o filme vai descambar para o thriller policial para seguirmos a saga de vingança de Roberto, somos surpreendidos com mais doses extras de violência torturante infringidas pelo protagonista, de forma muito subreptícia, aos quatro assassinos.
O roteiro, também de autoria de Carlo Mossy, que além de dirigir, ainda interpreta o protagonista, apesar de algumas soluções fáceis, capricha nos requintes cruéis com que elimina alguns de seus personagens. A morte do bandido Geraldão, em meio à crises de abstinência de heroína, é uma das mais criativas e torturantes do longa (e talvez do cinema brasileiro), e cresce muito em qualidade graças à atuação de Átila Iório.
Outro ponto alto, que pode ser até irritante para alguns, como já andei lendo por aí, é a música. A trilha é basicamente composta pela música “Concerto pour une Voix”, o maior sucesso internacional do compositor francês Saint-Preux, lançado em 1969 e imortalizado pela cantora Danielle Licari. A composição é repetida em momentos pontuais e até estratégicos do longa, e apesar de parecer insistente, a atmosfera barroca criada pela música engrandece muitas das cenas dando ares de sofisticação em muitos momentos. Certamente, uma das boas escolhas dos realizadores.
Ódio é uma produção da Vidya Produções Cinematográficas, que Carlo Mossy mantinha com Victor di Mello, também cineasta. É um produto diferenciado do nosso cinema, cru na medida certa para causar repulsa, mas artístico o suficiente para encantar o cinéfilo vasculhador. Tá disponível no Youtube.





