Entrei em Pânico….Parte 2 (2011)

Entrei em Pânico 2 (2011)

Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-feira 13 do Verão Passado Parte 2 - A Hora da Volta da Vingança dos Jogos Mortais de Halloween
Original:Idem
Ano:2011•País:Brasil
Direção:Felipe M. Guerra
Roteiro:Felipe M. Guerra
Produção:Eliseu Demari, Felipe M. Guerra, Rodrigo Guerra
Elenco:Eliseu Demari, Niandra Sartori, Rodrigo Guerra, Kiko Berwanger, Angélica Dalcin. Bruna Seimetz, Maiara Pessi, Thaís Cristina Formentini, Cleo Meurer, Thobias Sfoggia, Ana Carolina Lufiego, Oldina Cerutti Do Monte

por Camila Jardim

E lá se foram 10 anos desde o lançamento da primeira parte de Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-Feira 13 do Verão Passado, filme que, depois de uma matéria no Fantástico e um curta metragem com a participação de Luciano Huck feito especialmente para o programa do apresentador, trouxe fama e divulgação à Felipe M. Guerra e a Necrófilos Produções. O diretor ganhou fãs e haters na mesma intensidade e também ajudou a mostrar o cinema gaúcho para o Brasil.

Nesses 10 anos, ele realizou 2 curtas (Mistério na Colônia e o ótimo Extrema Unção), um longa (a comédia romântica nada convencional Canibais & Solidão) e iniciou em 2008 a produção da continuação de seu filme mais famoso e comentado. Entrei em Pânico…-Parte 2, que teve estreia em um dos maiores festivais de cinema do Brasil, o Fantaspoa (Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre), onde foram apresentados 150 filmes e contou com a presença ilustre do italiano Lamberto Bava.

Logo na primeira cena, somos testemunhas de um belo encontro entre dois apaixonados, onde ele toca violão enquanto ela toma chimarrão sob a luz do sol em um belo dia às margens do Lago Cristal… opaaaaaa, primeira homenagem ao Sexta-feira 13?. Durante o encontro, Thobão (Thobias Sfoggia) conta para Ana (Ana Carolina Lufiego) toda a história que originou o primeiro filme, onde um grupo de formandos do colegial prepara um aquecimento na casa de Goti, que além de bebidas, drogas e mulheres, também conta com um assassino mascarado massacrando todos os adolescentes.

Thobão conta que apesar de todas as tentativas de matar Geison, o cara ainda era considerado desaparecido. Como já era de se esperar, o casal é assassinado ali mesmo pela pessoa vestida com a famosa roupa do Pânico. As mortes são ótimas: a garota leva uma facada na cabeça, e faca acaba saindo pela boca durante um beijo!!! O sangue esguichando e a reação de Thobão são impagáveis. Ele depois é morto com um CHIMARRÃO numa cena angustiante e extremamente engraçada. Ao ir embora o assassino chuta a placa do Lago Cristal e assim o filme começa.

Somos reapresentados a Goti (Rodrigo M. Guerra), que parecia ter morrido no primeiro filme, em uma quebra de clichês, já que ele era o protagonista. Goti sobreviveu ao ataque ficando paraplégico e sua família escondeu-o em Porto Alegre com o intuito de evitar novos ataques. Para ajudar a superar o trauma, Goti frequenta um psicólogo (Kiko Berwanger) viciado em sexo que, ao longo do filme, proporciona uma cena antológica envolvendo uma Dominatrix (Kasha) e uma beringela. Impagável!

Sem mais delongas e para não estragar as surpresas, Goti fica sabendo sobre a morte ocorrida na cidade de Carlos Barbosa e logo associa as mesmas ao Geison. Temendo pela vida do atrapalhado Eliseu (Eliseu Demar) e de sua ex namorada Niandra (Niandra Sartori), ambos sobreviventes do primeiro massacre, ele resolve voltar para a sua cidade e avisar aos amigos que o temido assassino está de volta. Além disso, a prima de Niandra, Bruna (Bruna Seimetz), esta se formando no colegial e pretende fazer uma festinha em casa com os amigos para comemorar, em plena sexta-feira 13, é claro! Momento perfeito para uma vingança, mesmo depois de 7 anos após o massacre.

Além da turma de amigos de Bruna e do Dr. Samuel Lumis, psicologo de Goti, temos também o guarda-costas que os pais de Niandra contrataram para cuidar de sua segurança. O cara não deixa nem Eliseu se aproximar da garota, puro ciúmes, já que ele é apaixonado por ela, mas sem coragem de expor os sentimentos. O Guarda-Costas (Leandro Facchini) vem todo trabalhado no estilo Kevin Costner, chegando até a alugar o filme O Guarda-Costas para tentar se aproximar de Niandra e dar uma indireta sem sucesso; em outra cena canta a música de Whitney Houston sozinho no escuro, com uma arma na mão, enquanto o assassino está a solta. Ótima cena, rendeu boas gargalhadas. A avó de Felipe M. Guerra também fez uma participação no filme como Dona Pamela (Oldina Cerutti do Monte), a mãe de Geison.

O filme é diversão garantida e descompromissada não se levando a sério em nenhum momento, fazendo homenagens e tirando sarro de clássicos do horror e de alguns filmes não tão bons assim. Ouvimos sobre A Hora do Pesadelo, Sexta-feira 13, O Albergue, filmes e o estilo de Rob Zombie (ídolo de Felipe…..é mentira!). O assassino está sempre muito calmo, não corre, não tem pressa para pegar as armas, enquanto as vítimas, além de não fugirem e não se defenderem, ficam séculos gritando. No final, a revelação do assassino é tão incoerente e engraçada quanto algumas, ou quase todas, do próprio filme Pânico e outros slashers. Quem não conhece os filmes de Felipe vai se divertir duplamente com o forte sotaque dos barbosenses e suas gírias.

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Assim como no primeiro filme, mesmo com poucos recursos, as mortes são muito criativas. Podemos ver pessoas sendo mortas por um espeto de salsichão, por exemplo. E se no primeiro filme tinha uma torneira no pescoço da vítima, dessa vez temos uma garrafa na barriga de alguém que para não perder sangue põe uma rolha na mesma, hilário. Dessa vez, além das improvisações caseiras, Felipe M. Guerra contou com a colaboração do talentoso Ricardo Ghiorzi, que ficou responsável pelos horripilantes efeitos especiais como tripas, cortes e cabeças decepadas, além de muitos litros de sangue falso.

Em razão dos direitos autorais, a trilha sonora é um pouco confusa. Para mim foi o maior defeito do filme, já que algumas músicas não combinam com as cenas e outras acabaram sendo desnecessárias, como Midnight, the Stars and You enquanto Eliseu investiga a casa de Geison, talvez uma homenagem ao O Iluminado de Stanley Kubrick. O roteiro esta afiado – só notei que muitas cenas quebraram o ritmo do filme, seja por seu conteúdo ou pela duração, mas nada disso compromete o resultado acima da média que podemos ver ao final.

Diferente do primeiro filme que custou apenas 250 reais, este teve 3 mil de investimento, além de ser gravado em vídeo digital e editado no computador, bem melhor que a edição do anterior, feita pelo vídeo cassete.

Entrei em Pânico ao Saber o Que Vocês Fizeram na Sexta-Feira 13 do Verão Passado Parte II, além de ser o filme mais sangrento de Felipe M. Guerra, também é o mais divertido e engraçado. Repleto de cenas e frases que vão ecoar na sua mente e te fazer rir mesmo depois do término do filme: Eu nunca mais vou comer beringela na minha vida!

Além do título, toda a paixão e criatividade que envolve o filme são enormes. Guerra entrega um filme apaixonado, mesmo sem dinheiro, sem atores profissionais, apenas com muita vontade de contar uma boa história.

Quem tiver a oportunidade, não se esqueça de conferir Entrei em Pânico – Parte II, e de prestigiar o cinema fantástico independente!

Em tempo, para quem não conseguiu ver o primeiro filme, não se preocupe, além das explicações dadas pelos personagens, o diretor insere várias cenas do primeiro no início deste. A única coisa ruim é que você vai ficar morrendo de vontade de ver o outro.

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Um infernauta com talentos sobrenaturais convidado a ter seu texto publicado no Boca do Inferno!

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