Críticas

Carta para a Morte (2006)

Uma divertida produção sobre o subgênero vingança sobrenatural, com um bom elenco, efeitos especiais interessantes e adultos em cena!

Carta para a Morte (2006) (2)

Carta para a Morte
Original:The Gravedancers
Ano:2006•País:EUA
Direção:Mike Mendez
Roteiro:Brad Keene, Chris Skinner
Produção:Al Corley, Lawrence Elmer Fuhrmann Jr., Bill McCutchen, Eugene Musso, Bart Rosenblatt
Elenco:Dominic Purcell, Clare Kramer, Josie Maran, Marcus Thomas, Tchéky Karyo, Megahn Perry, Martha Holland, Samantha MacIvor, Jack Mulcahy

Quando Trash (Linnea Quigley) dançou sobre os túmulos de um velho cemitério em Louisville, Kentucky, ela não imaginava que pouco depois seria devorada por um bando de zumbis decrépitos, em A Volta dos Mortos-Vivos (1985), de Dan O´Bannon. Sim, dançar em um cemitério pode trazer consequências dolorosas para os que se atrevem ao ato. Já alertavam os Druidas e, mais tarde, os satanistas, que qualquer tipo de alegria com música e bebidas num cemitério significaria profanar as covas e zombar daqueles que já foram…

Em Carta para a Morte, três amigos resolvem dar um último adeus a um conhecido e acabam exagerando na despedida, trazendo para casa fantasmas violentos e vingativos. Harris (Dominic Purcell), Kira (Josie Maran) e Sid (Marcus Thomas) acabaram de perder um amigo, vítima de um acidente de carro. Depois do enterro, reúnem-se num barzinho para homenagear o falecido e, lá, decidem fazer uma última visita ao túmulo, mesmo sabendo que, em filmes de terror, um passeio no cemitério, na madrugada, pode trazer sérios e mortais problemas aos ousados.

Envolto numa densa neblina, os amigos bebem e conversam sobre aventuras realizadas em grupo. Sid encontra um estranho envelope próximo à lápide – um importante artefato que já havia aparecido na primeira cena do longa – e resolve abri-lo. Há uma velha carta, com versos musicados que, aparentemente, homenageiam os mortos. Eles, então, começam a dançar e a cantar os versos do envelope, sem saber que estão despertando a ira de três entidades maléficas que residem e descansam no local.

Essa é a premissa do divertido Carta para a Morte, dirigido por Mike Mendez (O Convento, 2002), a partir de um roteiro co-escrito pelos estreantes Brad Keene e Chris Skinner. Trata-se de uma produção exagerada, com fantasmas bizarros, efeitos curiosos e um elenco esforçado. Não há adolescentes drogados, com a mente voltada exclusivamente para o sexo e a diversão: aqui temos personagens adultos, com soluções coerentes aos problemas apresentados.

Dominic Purcell (da série Prison Break) interpreta um Harris ao estilo George Lutz (personagem do filme Terror em Amityville), sempre preocupado com o bem estar da família, enquanto tenta manter os pés no chão, sem crendices no sobrenatural. Casado com a linda Allison (Clare Kramer, que fez a deusa Glory na série Buffy), tenta evitar sua ainda existente atração por sua ex, Kira (Josie Maran, que interpretou uma vampira em Van Helsing). Essa subtrama envolvendo um triângulo amoroso – talvez até um quarteto, se contar com o interesse de Sid (Marcus Thomas) por Kira – não está no filme apenas para complemento de enredo; possui uma relação direta com o fantasma que invadiu a casa dos McKay e que, em vida, participou de um massacre relacionado a um adultério.

Carta para a Morte (2006)

Não Descansem em Paz!

A primeira metade do filme lembra as produções de fantasmas realizadas no passado como o ótimo A Casa das Almas Perdidas e suas cenas de puro terror psicológico: portas que rangem e se abrem sozinhas, passos no andar de cima, um barulho inquietante nas paredes, vultos e a sensação incômoda de não estar sozinho. O medo cresce à medida que os fenômenos tornam-se intensos, culminando na primeira aparição ao estilo oriental, como uma alma atormentada que se esconde no escuro, com seus cabelos sobre a face e sua voz estridente.

Acreditando se tratar de uma investida de Kira, Allison e Harris correm para a casa da garota e são surpreendidos com o estado atual da bela, aterrorizada e completamente ferida por uma entidade que a agride fisicamente com mordidas e violação sexual. O terror aumenta numa sequência que ocorre num dos corredores do hospital para onde Kira foi levada, com a visão apavorante de um vulto fantasmagórico que se ergue de uma maca envolto em um lençol branco.

A partir desse ponto, Carta para a Morte adquire um tom levemente cômico com a entrada de dois pesquisadores de Parapsicologia, que buscam uma prova da existência do sobrenatural. São eles: Vincent (Tchéky Karyo) e sua assistente Culpepper (Megahn Perry), que, em certo momento, solta a pérola: A evidência é o Santo Graal da Parapsicologia.

Na segunda metade, o filme torna-se ainda mais divertido à medida em que os fantasmas passam a encurralar os personagens num único ambiente, com a intenção única de assassiná-los, não importando quem esteja no mesmo local daqueles que profanaram os túmulos. Os parapsicólogos e a esposa de Harris não fizeram parte da dança no cemitério, mas estão juntos com os que fizeram. Assim, estão amaldiçoados do mesmo modo e devem tentar sobreviver aos ataques violentos dos espíritos.

Entre cenas de horror e humor, o grupo descobre um jeito de acabar de vez com a maldição, porém terá que voltar ao cemitério para encarar seus inimigos – e isso inclui o próprio conceito da Parapsicologia, seguida ao extremo pelos pesquisadores.

Tudo seria em vão se o filme não contasse com a boa direção impecável e a fotografia de David A. Armstrong, cujos trabalhos na franquia Jogos Mortais foram corretíssimos. Os efeitos especiais também tornam divertida a experiência de assistir ao filme pela primeira vez, principalmente na última cena, com o exagero Caça-Fantasmas (e que me remeteu à capa do terrir A Hora do Espanto), sem deixar muitos vestígios de artificialidade. Infelizmente, sua qualidade perde um pouco quando os fantasmas passam a aparecer em demasia, deixando de lado o terror psicológico interessante do início.

Carta para a Morte é uma ótima pedida para aqueles que procuram uma diversão descompromissada e também um motivo a mais para evitar farras em cemitérios. Fico imaginando o que aconteceria se os personagens dançassem funk sobre as tumbas. Se a dançar não acontecer sobre os restos mortais de algum MC, provavelmente seria uma carnificina…

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6 Comentários

  1. Simplesmente não consegui passar dos 15 minutos. Filme muito fraco, com atuações risíveis. Não deu pra engolir adultos tendo esse tipo de atitude, e os tais “amigos de infancia”, simplesmente não conevencem.

  2. Fábio R. S. Cunha

    Eu particularmente detestei, achei nada ver a mina dizendo que não tem medo do fantasma como se o próprio fosse uma pessoa qualquer, fiquei surpreso com essa critica, mas gosto é assim mesmo.

  3. Gilson Bloch

    também gostei desse filme.. o elenco é ótimo e também gostei dos fantasmas…chega ser divertido de Vê..

  4. Vinnícius

    Eu gostei do filme. Levei diversos sustos com ele (a cena do hospital é ótima!). Pra mim o único defeito é o final exagerado, mas de resto é uma ótima diversão e ainda com um gore bem bacaninha.

  5. Bruno .

    “Já alertavam os Druidas e, mais tarde, os satanistas, que qualquer tipo de alegria com música e bebidas num cemitério significaria profanar as covas e zombar daqueles que já foram…”

    WTF???
    Eu sou satanista (sério, obviamente distanciado da corja infantil metaleira) e, no máximo, o que faria seria zombar da situação.

  6. vanessa vasconcelos

    essa é a primeira crítica razoável que leio sobre esse filme,a maioria meteu o pau nele hahaha.

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