A Morta-Viva (1943)

A Morta-Viva (1943)

A Morta-Viva
Original:I Walked with a Zombie
Ano:1943•País:EUA
Direção:Jacques Tourneur
Roteiro:Curt Siodmak, Ardel Wray, Inez Wallace, Charlotte Brontë
Produção:Val Lewton
Elenco:Frances Dee, Tom Conway, James Ellison, Edith Barrett, James Bell, Christine Gordon, Theresa Harris, Sir Lancelot, Darby Jones, Jeni Le Gon

Ao contrário do que muitos pensam já existia zumbis no cinema antes de George Romero. Com algumas diferenças, é claro. Antes as histórias se passavam no Caribe ou alguma ilha qualquer dos trópicos, desde que fosse exótico o suficiente para os olhos de Hollywood. Os mortos-vivos eram ressuscitados por rituais de vodu, ou algo semelhante, desde que a crença fosse de origem afro. Os zumbis nestes filmes geralmente só serviam para ficar zanzando por aí, com olhos esbugalhados e obedecendo as ordens de seu(s) mestre(s)/bruxo(s). Coube a Romero em 1968 com seu A Noite dos Mortos-Vivos despir tais seres desse lado místico e transformá-los em criaturas antropófagas, chacoalhando definitivamente os filmes de terror.

Desta fase tropical “pré-Romero” duas produções se destacariam sobre as demais: uma é White Zombie (1932) de Victor Halperin e estrelado pelo Bela Lugosi e de onde Rob Zombie tirou o nome da sua antiga banda. O segundo é este A Morta-Viva (I Walked with a Zombie).

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Nos anos 30 e 40, a Universal arrasava com sua série de monstros clássicos. Partindo desse sucesso, várias produtoras resolveram lançar seus filmes de terror para aproveitar o filão. Foi nesta onda que a hoje extinta RKO recruta o lendário produtor Val Lewton, para com merrecas de orçamento, produzisse uma série de filmes B para suprir a demanda de público ávida pelo gênero. De cara ele chama o francês Jacques Tourneur para a realização de três filmes em dois anos e que se tornariam clássicos absolutos: O Sangue de Pantera (Cat People) em 1942, e em 1943 além de I Walked with a Zombie ele faria lançaria também The Leopard Man.

Para este A Morta-Viva, Tourneur contou com a ajuda preciosa do não menos lendário roterista Curt Siodmak, que tinha acabado de vir da Universal onde acabou criando toda a mitologia da série do lobisomen a partir de O Lobisomem de George Waggner. Aqui ele ajudou a dar um trato no roteiro, que embora fosse creditado como baseado em um conto de Inez Wallace, na verdade era uma versão não oficial e bastante livre do clássico romance Jane Eyre, da escritora francesa Charlote Brontë.

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A trama é bastante simples: a enfermeira canadense Betsy Connell (a estadunidense Frances Dee, que só aceitou o papel por que queria com o dinheiro do cachê comprar um carro novo para sua mãe e, ironicamente, acabou se tornando seu trabalho mais famoso) aceita um trabalho nas ilhas das Índias Ocidentais para tratar da esposa de um poderoso fazendeiro local (Tom Conway, esbanjando canastrice). A esposa, com aparentes problemas mentais, vive num estado catatônico (interpretada pela Christine Gordon, que não teve muita sorte no cinema). Ela entra em contato também com o irmão pinguço de seu patrão (James Ellison), e com os empregados da fazenda, que como era de se esperar, gostam de praticar rituais de vodu nas horas vagas. Betsy, embora tenha se apaixonado pelo patrão, ou por causa disso, fica obcecada com a ideia de curar a esposa deste, nem que para isso precise levá-la para o curandeiro da ilha. A enfermeira terá surpresas e descobertas que vão além de meras superstições.

Claro que se comparado com os mortos-vivos sanguinolentos de hoje em dia, os zumbis daqui parecem uns pamonhas, mas a direção firme de Tourneur transcende este problema, apostando na sutileza e na tensão psicológica (marcas registradas de seus filmes).

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Apoiado na belíssima fotografia em P&B, ele cria momentos de pura magia, como na melhor sequência do filme, quando Betsy leva sua paciente até o local onde se realiza os rituais, munidas de apenas uma lanterna. Vemos as duas caminhando em meio um canavial numa noite de vendaval, cuja trilha sonora se limita a ser o som do vento e rufar crescente dos tambores. No caminho paciente e enfermeira encontram, entre outras coisas, um crânio de um animal e um gato preto morto pendurado nas plantas. Um momento de tons surreais que nos remete há um conto de fadas assombrado, ou um belo pesadelo. Isto sem contar que elas também acham no caminho o zumbi chamado Carrefour (Darby Jones), alto e magro com seus olhos esbugalhados é uma das figuras mais marcantes do cinema de horror.

Este filme foi a grande influência, junto com o Dawn of the Dead, é claro, para Lucio Fulci criar seu clássico Zombie. Teve um remake em 2002, feito dentro da franquia Tales from the Crypt chamado Ritual dirigido por Avi Nescher. Em 2009 chegaram a alardear um novo remake, sobre a direção de Adam Marcus (do péssimo Jason Vai Para o Inferno), o que felizmente não aconteceu.

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Um filme perfeito para quem procura o terror à moda antiga, atmosférico, centrado nos climas e sugestões. Um clássico definitivo e de grande importância para o gênero e que ainda merece a relevância que tem.

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Paulo Blob

Paulo Blob

Nascido em Cachoeirinha, editou o zine punk: Foco de Revolta e criou o Blog do Blob. É colunista do site O Café e do portal Gore Boulevard!

3 comentários em “A Morta-Viva (1943)

  • 12/10/2016 em 11:14
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    Alguém me passa um torrent desse filme?

    Resposta
  • 22/04/2014 em 11:01
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    Faltou colocar onde ver este filme / compra-lo.

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  • 19/04/2014 em 13:11
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    das antigas mesmo,mas parece legal.

    Resposta

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