Críticas

12 Dias de Terror (2005)

O filme não foge dos clichês estabelecidos por Benchley/Spielberg, o que acaba tornando 12 Dias de Terror uma versão vintage do Tubarão!

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12 Dias de Terror
Original:12 Days of Terror
Ano:2005•País:África do Sul
Direção:Jack Sholder
Roteiro:Richard Fernicola, Jeffrey Reiner, Tommy Lee Wallace
Produção:Dennis Stuart Murphy
Elenco:Colin Egglesfield, Mark Dexter, Jenna Harrison, John Rhys-Davies, Jamie Bartlett, Adrian Galley, Colin Stinton, Patrick Lyster, Roger Dwyer

Todo mundo sabe que Tubarão de Spielberg foi inspirado no livro de Peter Benchley, lançado originalmente em 1974. O que pouca gente sabe é que Benchley, ao escrever a obra, se inspirou em fatos reais. 12 Dias de Terror é um telefilme inspirado diretamente na história real.

Os fatos: os banhistas de uma praia de New Jersey foram aterrorizados por ataques de um tubarão. Até que pescadores conseguiram pescar o suposto culpado. Foram doze dias de terror, no mês de julho de 1916.

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Pesquisadores hoje acham que os ataques poderiam ter sido feitos por mais de um tubarão, não há nem mesmo um consenso sobre o tipo de fera que teria atacado os banhistas, se um tubarão touro ou o famoso tubarão branco. O fato é que o enorme peixe pescado tinha quilos de ossos e de carne humana em seu estômago, e os ataques cessaram.

O filme mostra em 1916 a Europa convulsionada, mergulhada na primeira Guerra mundial, e o território norte-americano assolado por uma epidemia de poliomielite, porém, nada disso impediu que várias famílias fossem desfrutar os prazeres das férias nas águas do litoral de New Jersey. Acreditavam-se, inclusive, nos benefícios medicinais de um bom banho de mar.

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A trama foca no protagonista Alex (Colin Egglesfield, que em alguns momentos lembra um Tom Cruise de segunda mão), um jovem e aplicado salva-vidas, que se vê em pânico com os ataques de tubarão e a obtusidade das autoridades que se negam a fechar a praia, pois está na alta temporada de verão (sim, já vimos isso em quase todos os filmes de tubarão). Quando a administração da praia se dá conta do perigo, oferece uma recompensa, o que acaba atraindo pescadores, caçadores e aventureiros. Alex junta forças com um velho lobo-do-mar (John Rhys-Davies), para tentar também pegar o peixe sanguinário.

Telefilme produzido na África do Sul, é o último longa, até o momento, do diretor Jack Sholder (A Hora do Pesadelo 2, The Hidden); de lá pra cá, o diretor tem lançado apenas documentários para extras de dvds de seus filmes anteriores (está anunciado as filmagens de The Chronicles of Young Washington, que poderá quebrar o seu jejum de dez anos sem filmar um longa).

O roteiro, que usa como base o livro de Richard Fernicola, foi escrito a quatro mãos por Jeffrey Reiner e o lendário Tommy Lee Wallace (figurinha carimbada do cinema de horror, como produtor, diretor, roteirista e ator, simplesmente ele foi um dos que vestiram a máscara de Michael Myers no primeiro Halloween!). A escrita tenta ser fiel aos fatos, usando o personagem do salva-vidas (que na verdade é fictício) como condutor da narrativa. No entanto, o filme não foge dos clichês estabelecidos por Benchley/Spielberg, o que acaba tornando 12 Dias de Terror uma versão vintage do Tubarão de 1975. O único problema é que o telefilme não tem um terço da tensão e empatia da obra-prima dos anos setenta.

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A subtrama romântica, envolvendo o salva-vidas com Alice (Jenna Harrison), que é uma paixão antiga e que agora está casada com o melhor amigo de Alex, Stanley (Mark Dexter, que lembra muito o Cary Elwes, num papel perfeito para o Cary Elwes), não chega a atrapalhar o andamento do filme.

O diretor faz o que pode aqui com um orçamento baixo, com uma boa recriação de época, embora seja visível a produção barata. Destaque para a boa fotografia de Jacques Haitkin, que, com quase noventa filmes em seu currículo, também é um colaborador assíduo na filmografia de Sholder.

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Como a caracterização é de uma praia do início do século passado, obviamente nada de banhista seminuas aqui (aviste algo acima do joelho, e ganhará um prêmio). O diretor até se sai bem nas cenas de ataque do tubarão usando, por limitações orçamentárias, algumas artimanhas que Spielberg usou em 1975, por limitações técnicas, embora não tenha a metade da tensão da matriz setentista.

Mesmo com a sua ambientação peculiar, a obra não afasta um certo sabor de requentado. No entanto é um filme correto, que poderá agradar tanto os fãs de filmes com tubarões quanto os interessados por curiosidades históricas, ou até mesmo para quem procura apenas um bom passatempo.

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1 Comentário

  1. legal! vou assistir o “Bisavô” do Tubarão do Spielberg !!

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