Independence Day (1996)

Independence Day (1996) (1)

Independence Day
Original:Independence Day
Ano:1996•País:EUA
Direção:Roland Emmerich
Roteiro:Dean Devlin, Roland Emmerich
Produção:Dean Devlin
Elenco:Will Smith, Bill Pullman, Jeff Goldblum, Mary McDonnell, Judd Hirsch, Robert Loggia, Randy Quaid, Margaret Colin, Vivica A. Fox, James Rebhorn, Harvey Fierstein, Adam Baldwin, Brent Spiner, James Duval

Uma sombra paira sobre a América. Volumosa, ainda que inconsistente, mudaria os rumos do cinema de Hollywood a partir de então, apresentando exatamente o que o público esperava ver na tela grande com todos os recursos sonoros e visuais disponíveis. O alemão Roland Emmerich invadiu os Estados Unidos de forma grandiosa, aproveitando o sucesso dos dinossauros de Steven Spielberg, para estabelecer os moldes do cinema-catástrofe de alto orçamento. E o golpe foi ainda maior do que se imagina, numa época em que a exploração à Marte parecia questão de tempo – descoberta de minérios atiçavam os pesquisadores, e o trailer de Marte Ataca! já antecipava uma possível tendência. E não é apenas na exploração do Planeta Vermelho, mas do ufanismo incômodo que levaria os americanos a continuar acreditando que dominavam o mundo e a Sétima Arte.

Com um orçamento estimado em 75 milhões, Independence Day abafou as intenções de Spielberg de refazer o clássico A Guerra dos Mundos, de 1953, para apresentar uma invasão alienígena em escala absurda. Desde os primeiros teaser trailers, com as sombras consumindo pontos turísticos acompanhadas da expressão de espanto do transeuntes, o longa já veio com a proposta de moldar a fórmula básica de auto-destruição da América: se os terroristas não conseguiam encontrar acessos – até então -, teve início uma enxurrada de blockbusters que apresentavam os Estados Unidos sendo ameaçados por fenômenos naturais e forças alienígenas. Como um prazer masoquista intensificado pela proximidade do fim do milênio, o resultado não poderia ser outro do que muita destruição, com efeitos sensacionais a partir de maquetes impressionantes, e o exagerado patriotismo, capaz de colocar o próprio presidente americano num caça para enfrentar os inimigos interplanetários.

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Depois que a Lua é coberta por uma sombra artificial e os satélites anunciam a aproximação de um objeto gigante não identificado, os EUA (e sutilmente o resto do mundo) ficam apreensivos com a possível ameaça que estaria se aproximando lentamente do Planeta. O Presidente Thomas J. Whitmore (Bill Pullman), questionado pela juventude a frente de um país maduro (Collor, alguém?), ainda não sabe qual decisão tomar que não seja uma tentativa de contato, sem o apoio do Secretário de Defesa Albert Nimzicki (James Rebhorn), que, como no papel de costume, só encontra meios para enfrentar qualquer ataque com armas nucleares. A ajuda vem de um antigo desafeto, o técnico de MIT David Levinson (Jeff Goldblum), que encontra um padrão entre as naves e uma contagem regressiva para o que parece ser o começo de um genocídio.

Enquanto todos se impressionam com a imensidão das naves, o ex-piloto e agora um bêbado desajustado Russell Casse (Randy Quaid) acredita que a abdução do passado – o motivo de piada para a família – tenha sido o primeiro contato e que ele pode servir para enfrentar os inimigos. Já o último a saber é o Capitão Steven Hiller (Will Smith), ainda dorminhoco, e que se apresenta como um piloto experiente, disposto a mostrar serviço em perseguições aéreas que resultarão na captura de um alienígena. Com o término da contagem, as naves se abrem para emitir um poderoso raio azulado, que varre as principais cidades do mundo com o seu poderio bélico eficiente. As tentativas de combate são frustradas pelo escudo protetor dos inimigos, incluindo as naves pequenas, e a dizimação parece inevitável nos estudos feitos na famigerada Área 51, comandada pelo insano Dr. Brakish Okun (Brent Spiner).

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No entanto, como diz a tagline, a chegada do 4 de Julho, data da Independência dos Estados Unidos, proporcionará o contra-ataque americano, se você ignorar a ideia nonsense de infectar a nave com um vírus de computador para desativar a segurança, com o passeio para o interior da nave-mãe envolvendo o militar Hiller e o perspicaz Levinson. A ideia do vírus obviamente é uma alusão ao clássico A Guerra dos Mundos, e o modo como os extraterrestres foram derrotados – em uma versão da era digital. É claro que esses absurdos, somados a facilidade de encontro entre os personagens em uma terra em ruínas, devem ser ignorados em troca da admiração pelos efeitos especiais interessantes, das piadinhas mesmo depois de ataques mortais e pelo carisma de personagens como o pai de David, Julius (Judd Hirsch), e o bebum Russel.

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Mesmo depois de vinte anos, observando um cinema fantástico que pouco evoluiu em seus enredos formulaicos, Independence Day ainda mantém sua diversão como um blockbuster descerebrado, típico do cinema-pipoca. Fez bonito no box office, como uma das grandes estreias do período, mas só resultaria numa continuação agora em 2016. Depois Emmerich, ainda continuaria megalomaníaco com Godzilla (1998), O Dia Depois de Amanhã (2004) e 2012 (2009), mostrando que entende dos assuntos destruição e bajulamento, mesmo após o trágico 11 de Setembro de 2001, quando a fragilidade americana se mostrou mais eficiente na realidade do que na tela grande.

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

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