Críticas

Don’t Knock Twice (2016)

Sofre do mal das lendas urbanas, que, mesmo que tenham algo arrepiante para contar, não conseguem se esquivar dos clichês!

Don´t Knock Twice
Original:Don´t Knock Twice
Ano:2016•País:UK
Direção:Caradog W. James
Roteiro:Mark Huckerby, Nick Ostler
Produção:John Giwa-Amu, Claire Moorsom
Elenco:Katee Sackhoff, Lucy Boynton, Javier Botet, Nick Moran, Jordan Bolger, Pooneh Hajimohammadi, Ania Marson

Na primeira batida você desperta a bruxa. Na segunda, ela escraviza uma pessoa.

Lendas urbanas são um terreno fértil para o horror. Facilmente concebidas, elas também são bastante atraentes, servindo de mote para conversas ao pé de uma fogueira, nas festas do pijama ou na fila de uma sessão para assistir a um filme de terror. Todo mundo gosta quando você diz algo como: “Quer ouvir uma história assustadora?“. O cinema explora constantemente o tema, seja em produções próprias como a trilogia Lenda Urbana (1998-2005) ou derivados: Mensageiro da Morte (1979) e Quando um Estranho Chama (2006) – sobre a lenda da babá -; Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (1997) – a lenda do homem gancho; O Mistério de Candyman (1992) – similar a Bloody Mary...entre outras. Também é interessante quando o gênero desenvolve suas próprias lendas, como as que inspiraram Ringu (1998) e O Chamado (2002); Ju-On (2002) e O Grito (2004). Mas, nem sempre o resultado é positivo como é o caso do terror Don´t Knock Twice, de Caradog W. James (Soldado do Futuro, 2013).

O enredo, escrito por Mark Huckerby e Nick Ostler, relembra uma velha brincadeira de infância, quando você tocava a campainha e saia correndo para provocar os moradores. Dessa molecagem nasciam lendas sobre sujeitos que não deviam ser incomodados e histórias sobre outras crianças que teriam servido de lanche para o dono da casa. No filme, como o título já anuncia, trata-se de uma bruxa (sempre elas), morta em sua velha casa, e que amaldiçoa aqueles que baterem duas vezes em sua porta. Os ousados serão visitados constantemente por ela até encontrar seu destino de forma violenta.

Jess (Katee Sackhoff, de O Espelho, 2013) não está tendo êxito em obter a custódia de sua filha Chloe (Lucy Boynton, de February, 2015), que se distanciou da mãe viciada e extremamente problemática. É exatamente a adolescente que aceitará o convite do namorado Danny (Jordan Bolger) para bater na porta da famigerada bruxa Mary Aminov (Ania Marson), conhecida por ter sido a responsável pelo sumiço do pequeno Michael (Callum Griffiths). Acusada sem provas, sob o comando do Detetive Boardman (Nick Moran, de 13 Eerie, 2013), a senhora teria dado um fim a própria existência, e sua casa acabaria sendo incendiada. Mesmo localizada ao lado de vias movimentadas – CGI ruim -, para estabelecer a condição “lenda urbana” do filme, a casa se manteve em pé para a diversão das crianças da região.

Sentindo que o mal está se aproximando, Chloe procura a mãe e aceita passar um tempo com ela, enquanto tenta descobrir meios de quebrar a maldição que a condenará à morte. Ambas contam com a ajuda da modelo de Jess, Tira (Pooneh Hajimohammadi), uma sensitiva que parece perceber que existe algo de maligno em torno da garota, sugerindo que elas investiguem o sumiço de Michael para satisfazer os desejos de vingança da bruxa. No entanto, para isso, Jess terá que seguir certas pistas deixadas pelo caminho, e talvez até encontrar um meio de solucionar o mistério.

Don´t Knock Twice sofre do mal das lendas urbanas, que, mesmo que tenham algo arrepiante para contar, não conseguem se esquivar dos clichês. A narrativa é tão previsível que a própria assombração parece uma remasterização das produções japonesas como o andar estranho de Kayako (de Ju-On) e os cabelos de Sadako (de Ringu) e vice-versa. As aparições não assustam como deveriam, e o possível plot twist da sequência final acontece de maneira irritante por tentar descaradamente imitar algo que já foi visto em um terror japonês (mencionar seriam um spoiler imperdoável). E as atuações fracas, principalmente da adolescente, simplesmente encerram o pacote que torna o filme completamente descartável.

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