Críticas

Ouija: Exorcismo (2015)

Um exemplo do uso indiscriminado da marca Ouija, filme não consegue atender os mais básicos preceitos do terror

Ouija: Exorcismo
Original:The Ouija Exorcism
Ano:2015•País:EUA
Direção:Nick Slatkin
Roteiro:Nick Slatkin
Produção:Justin Jones, Zeus Zamani
Elenco:J. Damian Anastasio, Brittney Bertier, Cameron Bigelow, Jay Brothers, Tony Harutyunyan, Lola Kelly, Laura Kirchner, Walker Mintz, Ben Morrison, Lynne Newton, Michael Palladino, Julia Rae, Branden Smith

Ultimamente você pode encontrar nas prateleiras por aí uma quantidade impressionante de filmes intitulados Ouija e o motivo não poderia ser menos nobre do que ganhar uns trocos em cima de espectadores desavisados. Assim como a palavra “Amityville“, embora Ouija seja um jogo e uma marca patenteada pela Hasbro (e que gerou um filme “oficial” de mesmo nome em 2014, bem como um prequel em 2016), o termo genérico pode ser usado para definir qualquer tábua de espíritos e, portanto, está fora do controle da Hasbro para que qualquer picareta coloque Ouija no título de seu filme.

O curioso deste interesse repentino é que a tábua dos espíritos é tão antiga que já uma versão prototípica (usando um copo e letras sobre uma mesa) era usada em obras de terror desde os anos 40, notadamente no clássico O Solar das Almas Perdidas (1944). Entusiastas do VHS também se lembrarão de Witchboard – Espírito Assassino (1986) que gerou duas continuações e já usa uma versão contemporânea do Ouija. Depois, praticamente silêncio, excetuando uma ou outra pequena produção. Eis que pulamos para 2014 e o Ouija “oficial” é lançado e versões genéricas começam a pipocar por todas as partes: em uma rápida busca no IMDB apenas entre 2014 e 2017 mais de 10 produções com o nome “Ouija” no título são ou estão para ser lançadas. Resolvi pegar um que saiu no Brasil recentemente, Ouija: Exorcismo, lançado diretamente em DVD pela Flashstar… mas é ruim, mas ruim demais da conta.

A história se passa anos atrás quando uma criança pega emprestado uma tábua ouija do escritório do seu pai rabino e, ao brincar com ele, acaba possuído por um demônio que estava preso no artefato. Mortes acontecem naquela noite fatídica, mas o demônio Belial é novamente aprisionado (com a ajuda de um padre) e as memórias do garoto são bloqueadas para que nunca se lembre do ocorrido.

Trinta anos depois Joe (Ben Morrison) agora é pai de Noah (Michael Palladino), e é a vez de Noah de encontrar o tabuleiro e liberar Belial para mais uma rodada de possessão e perseguição. Isto acontece em um chalé onde pai e filho estão passando uns dias na companhia de alguns outros personagens descartáveis e desinteressantes. Naturalmente, a zeladora do lugar (Lola Kelly) é uma xamã que sabe exatamente como agir nesta situação, e por que não saberia? Ou talvez ela seja somente uma fã de Supernatural, já que o demônio passa de um corpo para outro como uma fumaça preta e um círculo de sal é suficiente para fazer um espaço seguro…

São os 80 e poucos minutos mais longos da sua vida. Os protagonistas passam o tempo todo conversando sobre amenidades ou sobre a tábua Ouija e andando pela propriedade, com motivações esdruxulas (especialmente Noah) e sem agregar qualquer profundidade a trama. Os sustos acontecem somente em alguns flashbacks ou em pesadelos de Joe que, como se não bastasse, ainda são mal filmados e não causam qualquer efeito.

Possessão e exorcismo, de fato, apenas nos 15 minutos finais em uma cerimônia que não faz qualquer sentido, mas até chegar a este ponto você já dormiu ou perdeu as esperanças de ver alguma energia vinda do roteiro e da direção de Nick Slatkin. Com pobres aspectos técnicos, suspense e violência nula, seu tempo certamente será melhor empregado comprando uma tábua ouija para ficar olhando para ela por horas até que o ponteiro se mova sozinho.

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