Críticas, Quadrinhos

Drop Dead (2016)

Uma interessante metáfora para a perda e amadurecimento que carece de mais páginas para se desenvolver corretamente.

Drop Dead
Original:
Ano:2016•País:Brasil
Páginas:82• Autor:Aluício C. Santos•Editora: QUAD Comics

 

Após a perda repentina do pai, o jovem William desperta o dom de enxergar fantasmas. Para fazê-los desaparecer de sua vida, ele não poderá contar com forças sobrenaturais, mas sim desvendar mistérios do seu próprio passado. Esta é a trama de Drop Dead, um drama sobrenatural escrito e ilustrado por Aluísio C. Santos, um dos membros do coletivo QUAD junto com Diego Sanches, Eduardo Ferigato e Eduardo Schaal, e que foi contemplado pelo ProAC em 2015.

A HQ parte de um ponto promissor onde uma tragédia desperta poderes sobrenaturais em um garoto que deverá aprender a lidar com a perda do pai ao mesmo tempo em que deve entender os motivos por trás dos seus novos poderes e como conviver com eles.  A morte de seu pai, as dificuldades que o garoto passa junto da mãe, desempregada, nessa fase tão complicada que é a adolescência, é apresentada como uma interessante metáfora através dos fantasmas que agora acompanham William.

O garoto toma consciência da morte e agora ela o acompanhará para sempre. Não importa o quão distante ele se coloque em alguns momentos, com seu skate e seus mp3, William agora se sente diferente. Isso aparece em algumas passagens quando o garoto se afasta dos amigos que não entendem o que se passa em sua cabeça e a repentina mudança pela qual passou. A busca de uma solução através de ajuda especializada de psicólogos ou guias espirituais nunca parece satisfazer a mente sempre em ebulição de um adolescente.

Infelizmente, ao mesmo tempo em que Aluísio possui uma boa história para contar, cheia de pontos que poderiam render alguns conflitos bastante interessantes, o autor possui pouco espaço para desenvolver a trama e, sem esta dualidade, o roteiro acaba soando um pouco doutrinador demais. Drop Dead carece de, pelo menos, mais umas vinte páginas para preencher algumas lacunas e discorrer melhor sobre alguns pontos presentes na história.

O ponto forte da HQ, sem dúvidas, é a arte. O traço de Aluísio é marcante e sua diagramação, dinâmica e ágil, reforça a ideia do garoto sempre rodando por São Paulo em seu skate, com destaque para a página dupla envolvendo um “duelo” que destaca essa habilidade do autor. A paleta de cores transmite a melancolia ideal para a história e o conjunto arte/cores fica ótimo no papel e formato escolhidos para a revista.

Para os leitores que conhecem Aluísio através de seus trabalhos de ficção-cientifica em QUAD, Drop Dead é uma ótima oportunidade de se conhecer outra faceta do autor, que mostra aqui um trabalho mais maduro, tanto em sua proposta quanto em sua arte, mas que, infelizmente, perde muito de sua força com um roteiro que se apressa para preencher as pouco mais de oitenta páginas da HQ.

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