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Kappa da Morte (2010)
Cadê o Ultraman quando se precisa dele?
Kappa da Morte
Original:Death Kappa
Ano:2010•País:Japão, EUA
Direção:Tomo'o Haraguchi
Roteiro:Masakazu Migita
Produção:Yoshinori Chiba, Yoko Hayama
Elenco:Daniel Aguilar Gutiérrez, Matt Alt, Hideaki Anno, Michelle Ann Dunphy, Shinji Higuchi, Misato Hirata, Mitsuko Hoshi, Ryûki Kitaoka

Um dos filmes que mais arrancaram gargalhadas do público do SP Terror 2010 foi, sem dúvida alguma, Kappa da Morte (2010), com direção do especialista em efeitos especiais, Tomo’o Haraguchi (que fez Gamera 1 e 2, Spiral, Ringu 0 e Air Doll), a partir do roteiro de Masakazu Migita, tendo na produção os especialistas Yoko Hayama e Yoshinori Chiba (se não ligou os nomes às pessoa, eles são responsáveis pelos violentos Tokyo Gore Police e The Machine Girl). Não foram risadas involuntárias, daquelas proporcionadas por produções ruins; aqui, trata-se de uma divertidíssima comédia que satiriza o filmes de monstros gigantes que sempre insistem em atacar Tóquio – algo que o igualmente interessante O Gigante do Japão já havia feito no festival do ano passado.

A história se baseia numa lendária criatura chamada Kappa, um monstrinho que adora pepinos (!!!) e está presente nos lagos, rios e mares para assombrar os incautos e proteger o povo de enchentes, Tsunamis e secas. Sua aparência é uma mistura de diversas criaturas aquáticas e algumas peculiaridades: tem bico de pato, casco de tartaruga, possuem membranas em seus três dedos, tem um cabelinho Beatles, um pires em sua cabeça achatada, pele escamosa…enfim, estranho e assustador! Ainda mais se os pais disserem para as crianças que há Kappas bem e mal-intencionados, que bebem sangue humano e se alimentam de suas entranhas.

Segundo o wikipedia, os Kappas já apareceram em diversas produções, desenhos animados, animes (Naruto), jogos (Harvest Moon) e livros -incluindo Harry Potter. Mas, faltava um longa que fizesse uso da mitologia da criatura num filme de monstro à moda antiga, usando os mesmos efeitos especiais de outrora, remetendo o espectador numa deliciosa viagem nostálgica. Assim, nasceu Kappa da Morte ou Kappa Mortal, que traz como protagonista Misato Hirata, famosa por sua aparição quando criança em Ultraman.

Hirata interpreta Kanako, uma jovem que retorna para sua cidade-natal depois de não conseguir deslanchar em sua carreira como cantora pop em Tóquio. Antes que pudesse abraçar sua avó, um grupo de adolescentes bêbados e drogados a atropelam (fazendo a velha rodopiar de modo extremamente engraçado), ficando apenas suas últimas palavras: proteja o Kappa! Antes de parar o veículo, os desajustados ainda jogam ao mar uma velha estátua de um Kappa, despertando a criatura de seu sono.

Adolescente 1: – Tem algo saindo da água.
Adolescente 2: – Sim, parece que está andando sobre ela…
Adolescente 1: – Será que é uma vaca?

Durante a noite, Kanako visualiza a criatura se alimentando de pepino, mas o primeiro contato com o Kappa acontece num momento clipe japonês, quando a garota canta sua música e o monstro aparecendo dançando. É impossível não rir dessas cenas que envolvem a roda de dança, Kanako regando a cabeça do Kappa e alimentando o animal.

No entanto, uma secreta célula de cientistas da Segunda Guerra Mundial estão com um plano maléfico: transformar humanos em homens-peixe para usá-los como armas bélicas, a partir da magia do Kappa! As criaturas atacam os adolescentes do começo do filme, transformam as garotas em peixes e sequestram Kanako, obrigando o novo amiguinho mitológico a salvar o dia.

Kappa da Morte (2010) (1)

São argumentos clássicos, é claro. O próprio aspecto dos vilões remetem às produções do passado, com suas interpretações exageradas, gestuais e lunáticas. Quando Kappa aparece para salvar a mocinha, você tem a sensação de estar vendo as velhas séries de heróis japoneses como Ultraman, Spectreman ou Chenjiman. Ainda mais quando descobre que o Kappa sabe lutar sumô (!!!) e fará de tudo para evitar que o mal vença. Durante o resgate, num momento de desespero, a vilã pressiona o botão da Bomba Atômica…e assim, desperta um monstro gigante que poderia acabar com o Japão, caso o Kappa não aparecesse para salvar novamente o dia!

São tantas cenas antológicas que poderiam transformar este texto numa leitura interminável: a vilã que possui um avó mumificado; as linhas que seguram os aviões que atacam o monstro; os bonequinhos que substituem os personagens na cena de perigo; as diversas miniaturas, muitas vezes desproporcionais; os diálogos característicos de produções com moral; as interpretações divertidas dos generais e soldados; a maquiagem tosca; a narração no estilo Acredite Se Quiser; e o final surpreendente com o Kappa passando para o lado negro, trazendo novamente Kanako (sabe-se lá como a jovem sobreviveu à bomba) para sua música final.

Kappa da Morte é uma experiência fantástica, um resgate da inocência perdida com o avanço da tecnologia de efeitos especiais e da violência explícita das produções modernas. Um filme divertido, uma homenagem as produções do passado, e que encantou os espectadores do Festival SP Terror 2010! Vale a pena conhecer.

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