2.8
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A Hora do Pesadelo
Original:A Nightmare on Elm Street
Ano:2010•País:EUA
Direção:Samuel Bayer
Roteiro:Wesley Strick, Eric Heisserer, Wes Craven
Produção:Michael Bay, Andrew Form, Bradley Fuller
Elenco:Jackie Earle Haley, Kyle Gallner, Rooney Mara, Katie Cassidy, Thomas Dekker, Kellan Lutz, Clancy Brown, Connie Britton, Julianna Damm, Christian Stolte, Katie Schooping Knight, Leah Uteg

Dentre todos os grandes ícones do horror moderno, Freddy Krueger é um dos mais populares e admirados pelos fãs do gênero graças à atuação característica de Robert Englund. O ator americano encarnou o assassino dos pesadelos em 7 filmes, um crossover, além de 41 episódios da série de TV, dando fama e um rosto ao personagem. Diferente de seus colegas Jason Voorhees, Michael Myers e Leatherface, que usam máscaras e podem ser interpretados por atores diversos, Freddy Krueger tinha a expressão de Robert Englund e seria impossível imaginar uma outra face para ele – num processo parecido com o de Doug Bradley e seu Pinhead. Ao mesmo tempo, era praticamente inevitável que um remake fosse produzido, tendo em vista a recente reinvenção dos slashers das décadas de 70 e 80.

Seguindo a ordem em que foram originalmente realizados, a pouco criativa Hollywood começou nesta última década a resgatar os velhos conhecidos filmes de assassinos: O Massacre da Serra Elétrica (1974, refeito em 2003), Halloween (1978, refeito em 2007), Sexta-Feira 13 (1980, refeito em 2009), e, por fim, A Hora do Pesadelo (1984, refeito em 2010). Se essa onda continuar, as próximas vítimas serão respectivamente Pinhead, de Hellraiser (1987), e Chucky, o Brinquedo Assassino, de 1988…produções que já estão nos planos de estúdios americanos, pode ter certeza.

As primeiras imagens e cartazes do novo A Hora do Pesadelo não eram muito animadoras: embora Jackie Earle Haley tenha um talento inquestionável, evidenciado em filmes como Watchmen e Ilha do Medo, o ator tem uma feição bem diferente de Robert Englund, além de ser baixinho (apenas 1,66m), e as fotos que mostravam seu rosto queimado davam um tom realista, mas, repito, não era Robert Englund. Houve uma recepção tão negativa que os responsáveis pela maquiagem começaram a dizer em entrevistas que aquele não seria o rosto de Freddy, pois ainda faltava um toque de CGI, além de alguns efeitos na voz do ator. E para piorar, as imagens mostravam atores jovens (e como dizem por aí, com feições crepulescas) e recriações do filme original, mostrando que a intenção seria realizar um remake cena à cena. Será que havia alguma chance de sair algo bom desse projeto?

No dia 6 de maio, numa sessão organizada pelo site Boca do Inferno em parceria com a Warner Bros e amigos como o cineasta Rubens Mello e Iam Godói, finalmente a resposta veio ao público: o remake tem boas cenas, um Freddy ameaçador e sério, mas o roteiro óbvio e os excessos de sustos fáceis, patrocinados pelo aumento do volume, impediram uma avaliação positiva. Freddy estava de volta, mas merecia um filme melhor!

Depois que os créditos mostram fotos de crianças e locais que terão importância na trama, o filme começa num restaurante em Springwood, onde Dean (Kellan Lutz, de Lua Nova) está tendo um pesadelo (claro, né?) envolvendo uma garçonete que não responde ao seu chamado e caminha pelos corredores escuros do estabelecimento, entre vapores, cabeças de animais queimadas e o som de metal de um luva com lâminas. Entre sombras, Freddy Krueger surge rapidamente e corta a mão do rapaz, que acorda com a voz da namorada Kris (a talentosa Katie Cassidy, da série Supernatural). Com a mão sangrando, ele conta à namorada que está com medo de dormir, enquanto ela tenta tranquilizá-lo de que sonhos não são reais e não podem machucar.

No mesmo local estão também os demais personagens que terão importância na história: a garçonete Nancy (Rooney Mara, que começou a carreira no péssimo Lenda Urbana 3), interesse romântico de Quentin (Kyle Gallner, de Evocando Espíritos e Garota Infernal). Lá também está Jesse (Thomas Dekker, de From Within), que nutre uma paixão por Kris. Entre conversas típicas de adolescentes bobões, Dean derrama seu café na garota, obrigando-a a se secar no banheiro, enquanto o jovem volta a dormir e a ver Freddy para um confronto final. Para alegria daqueles que odeiam a série Crepúsculo, o novo Freddy ataca o jovem que, ao tentar se defender com uma faca, acaba permitindo que o assassino a use contra a sua própria garganta, rasgando-a lentamente, tudo sob a visão de Kris que grita desesperadamente enquanto o título do filme surge na tela: A Hora do Pesadelo! Não é que o remake até começou bem?

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Durante o enterro de Dean, Kris consegue cochilar (sabe Deus como!) e tem um breve pesadelo onde vê a si mesmo como criança com um vestidinho azul com cinco cortes que se assemelham a uma garra. A visão termina com a mão de Freddy pegando a perna da garota. Kris começa a perceber que há algo errado nessa história, pois ela está numa foto de Dean quando criança, sendo que ela havia conhecido o rapaz apenas no colegial. Enquanto investiga seu passado, Kris passa a ser atormentada por novos pesadelos, como um que ocorre durante uma aula de história (quem nunca dormiu numa aula dessa matéria?), envolvendo uma pessoa queimada com uma voz grave – acentuada por processos externos – assustadora que diz coisas como você lembra de mim?, e crianças numa roda que cantam uma velha canção que fez sucesso no filme original.

Kris ainda vai encontrar Freddy em outras oportunidades até passar o bastão para outros personagens, principalmente Nancy e Quentin, que também sofrerão nas mãos do assassino. Se você conhece o filme original, não vai se espantar com o destino de Kris, que engana o público que acreditava que ela seria a protagonista. Sua despedida também é interessante, com a jovem sendo atirada contra a parede de seu quarto, antes de receber um corte final em seu dorso. Esse momento foi recriado do original, onde Tina era a vítima, arrastada pelo teto antes de ficar em pedaços. A cena de 1984 era mais ousada e sangrenta, embora o impacto desta também seja surpreendente.

Juntando as peças, Nancy, Quentin e Jesse aos poucos descobrem que seu pais escondem algo e que alguém de seu passado está visitando seus pesadelos, tentando matá-los. Como sobreviver a um encontro com um inimigo sobrenatural?

Com a presença marcante de Johnny Depp em início de carreira, o filme de Wes Craven era mais criativo e intenso, apresentando ao cinema um personagem rico em detalhes e intensamente sinistro, que abusava das sombras e uma fotografia escura. Quem for ver o primeiro filme hoje vai notar alguns problemas relacionados às qualidades técnicas, mas, em contrapartida, irá identificar um diretor outrora inovador e inteligente. Freddy não mostrava muito seu rosto e sua função na trama poderia ser analisada como uma metáfora aos problemas familiares que influenciam os jovens, ocasionando pesadelos e noites mal dormidas, como pais separados, mãe com vários relacionamentos, pai que nunca está presente, etc. No novo filme, a metáfora surge de um trauma infantil: abusados quando crianças, os jovens crescem evidenciando os problemas do passado: Nancy, a preferida de Freddy, não consegue se comunicar adequadamente com as pessoas e usa seu tempo livre para pintar quadros bizarros…

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Ainda que tenha alguns bons momentos (a maioria, partindo de recriações idênticas ao original), o remake possui mais erros do que acertos, relacionados ao roteiro fraco e sem ousadia, atores mal escolhidos (a nova Nancy é tão sem sal que imagino que o diretor talvez tenha problema de pressão alta), e muito barulho por nada. A começar pela ideia absurda e fundamentada – o que é pior – envolvendo os pequenos cochilos que afetam as pessoas que não conseguem dormir. Embora isso seja verdade, os pequenos sonos do dia acabam surgindo em momentos improváveis como durante uma prova de natação (hein?), ou numa simples caminhada pelos corredores de uma escola ou de uma farmácia. E vai além: primeiro ao tentar insinuar uma possível inocência de Freddy Krueger; e depois quando faz uso de pesadelos para explicar aos jovens (e a nós) como foi a vingança dos pais, algo que no filme original era apenas narrado, deixando a imaginação trabalhar à vontade – apesar de que nos demais filmes da série essa explicação tenha sido apresentada equivocadamente.

Se já não bastassem esses problemas, o roteiro ainda é recheado de clichês (Freddy deitado na cama? No reflexo do espelho? Oh..não, ele está dentro do armário também!) e lugares-comuns (o carro saiu da estrada próximo à velha escola? Mas, por que o local ainda está mantido intacto? E como ninguém conseguiu descobrir a caverna secreta do jardineiro? E por que Freddy tinha que ter essa profissão, copiada do personagem dos Simpsons, quando satiriza o personagem?), sem contar o cachorro que morre no pesadelo ou as páginas na internet que tem informação detalhada sobre a morte de todas as pessoas do mundo ou o oriental que publica um vídeo na internet mostrando seus últimos momentos de vida.

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Por outro lado, é interessante o uso de crianças-fantasmas na fábrica, a ideia do coma como um sono sem fim e os últimos 7 minutos que o cérebro se mantém ativo mesmo quando o coração pára. Assim como também a sequência longa e angustiante que acontece no ato final, quando Nancy fica imóvel em sua cama, ficando à mercê de um assassino com o rosto deformado e intenções cruéis. Outro ponto positivo é a escolha da belíssima música All I Have to Do Is Dream, do The Everly Brothers, que toca na farmácia e nos créditos finais.

A Hora do Pesadelo não precisava de um remake. Muito menos um que fosse comandado pelo diretor de videoclipes Samuel Bayer, e tivesse o roteiro de Wesley Strick (do suspense A Casa de Vidro e da adaptação Doom) em parceria com o estreante Eric Heisserer. Mas, se fosse realmente necessária a sua realização, era imprescindível a participação de Robert Englund, o legitimo Freddy Krueger, e até mesmo do seu criador, Wes Craven. Neste, o personagem está assustador até, mas as piadinhas também estão lá para afastar qualquer seriedade da trama (O que acha desse sonho molhado?, Você não deveria adormecer na aula), além das velhas falas que apareceram nos demais filmes da série (Este é meu mundo, Eu sou seu namorado agora, Por que você simplesmente não morre?)

No fim das contas, fica a sensação de que foi tudo apenas um pesadelo. Você quer acordar e acreditar que nunca houve um remake como esse, Freddy não está de volta e estamos ainda em 1984, quando o verdadeiro assassino dos sonhos surgiu pela primeira vez num filme digno de sua presença.

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15 Comentários

  1. Mto mto mas mto melhor que o original sem comparação neste o Freddy é maléfico no original era um palhaço.

    1. Verdade, o de 84 é clássico mas esse tem uma dinâmica atualizada e um Freddy bem mais assustador

  2. Ah esqueci um detalhe. Esse Freddy esta macabro e não piadista como os filmes a partir do 3º

  3. Bem fraquinho mesmo. O pior de tudo é que parece que humanizaram o personagem e esse é um dos maiores problemas de refilmagens.

  4. Daniel,
    Se os diretores e roteiristas ligassem para a opinião de fãs como eu e você Ashlyn e Ashley de premonição 3 teriam uma cena alternativa em que seriam salvas e voltariam no quarto filme, pois até hoje estou inconformado que aquelas duas beldades morreram logo de cara. Nesse remake escolheram Katie como primeira vítima do Freddy, a personagem dela era substituta da Tina, interpretada no original por Amanda Wyss que hoje continua linda mesmo beirando os 54 anos. E não fica nada a dever a outras musas dos anos 80 como Elizabeth Shue, Lea Thompson, Kelly Preston, Claudia Wells( que a meu ver merecia continuar na franquia “De Volta para o Futuro”), Diane Lane, Judie Aronson e outras. Roteiristas de qualquer gênero de filmes sempre mantém certos clichês ainda que nunca consigam agradar a todos os fãs (às vezes desagradam a quase todos). Seria bom se houvesse uma pesquisa de opinião sobre o destino dos personagens usando esboços do roteiro mas acho que tentar manter o sigilo ainda demanda expectativa para os cinéfilos. E é praticamente impossível se livrar dos clichês.

    1. hahahahaha de novo com essa fixação por aquelas atrizes de premonição 3 cara? vc é hilário 🙂

  5. Robert Englund imortalizou o Freddy Krueger, ainda penso que se houvesse um novo filme com um roteiro bem elaborado seria ótimo. O Jackie Earle Haley é bom como Roscharch no Watchmen, não como Freddy em A Hora do Pesadelo. Quem fez o remake não prestou atenção no detalhe de que o Robert é o Freddy há mais de duas décadas, não se pode mudar um anfitrião assim. O filme foi legal, 2 estrelas pra ele, da pra assistir quando não se tem um verdadeiro “Pesadelo” por perto.

  6. Putz,,, sério que o pessoal gostou desse filme?
    Detestei todos os remakes citados: Esse, Sexta-Feira 13 (onde o Jason ao invés de matar, apenas sequestra a menina, porque ela era a mocinha e não podia morrer pro irmão Winchester poder salvá-la) e claro Halloween (o pior de todos).
    Assassinatos aos filmes originais.

    1. Concordo contigo e faço das suas palavras as minhas.

    2. Na verdade, ele não mata ela em virtude da semelhança com sua querida mãe, por quem Jason tem grande devoção. Ou seja, na cabeça do vilão, matar aquela garota seria algo como matar a própria mãe.

  7. Achei este filme muito bom, assim como todas as refilmagens da Platinum Dunes. O que mais gostei foi justamente do modo como a história de Fredy é contada ao espectador, pela primeira vez de forma totalmente explícita. Ao contrário do autor da matéria, não fiquei frustrado com a ausência de Robert Englund, e adorei o Freddy de Jackie Earle Haley. Outra coisa, o prósito de Michael Bay e da própria Platinum Dunes é dar chance a diretores novatos, como foi feito nas outras refilmagens, então não tinha comok Wes Craven dirigir este filme, já que assim Bay e sua Platinum Dunes não estariam agindo de acordo com os princípios pré-estabelecidos pela companhia. Minha nota para este filme é 9. Só não achei perfeito devido às poucas mortes ao longo da trama. Eu esperava um longa um pouco mais sanguinário. Também achei uma pena que a mulher mais bonita do filme, a lindíssima Katie Cassidy, tenha durado tão pouco tempo na tela. Mas a morte da garota realmente é uma cena memorável deste novo A Hora do Pesadelo.

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