4.8
(4)
Não Tenha Medo do Escuro (2010)
Do Sussurro ao Grito!
Não Tenha Medo do Escuro
Original:Don't Be Afraid of the Dark
Ano:2010•País:EUA, Austrália, México
Direção:Troy Nixey
Roteiro:Guillermo del Toro, Matthew Robbins, Nigel McKeand
Produção:Guillermo del Toro, Mark Johnson
Elenco:Katie Holmes, Guy Pearce, Bailee Madison, Jack Thompson, Alan Dale, Julia Blake, Eddie Ritchard, Nicholas Bell, James Mackay

Não é à toa que a primeira informação que aparece no filme Não Tenha Medo do Escuro seja o nome do cineasta Guillermo del Toro. Diretor, roteirista, produtor, técnico de efeitos especiais e até ator, o multifuncional mexicano, nascido em 9 de outubro de 1964, em Guadalajara, possui uma filmografia invejável, repleta de produções interessantes principalmente no gênero fantástico. Seja o filme de ficção cientifica, Mutação, ou os dramas sobrenaturais A Espinha do Diabo e O Labirinto do Fauno, e até mesmo as aventuras Hellboy, Hellboy 2 e Blade 2, del Toro está sempre envolvendo o espectador em histórias pinceladas em magia e entretenimento de alto nível.

No caso de Não Tenha Medo do Escuro, ele exerce as funções de produtor e roteirista ao lado de Matthew Robbins, cujo nome está creditado a longas como O Milagre Veio do Espaço, de 1987, e ao já citado Mutação, de 1997. A direção ficou por conta do desconhecido Troy Nixey, que em 2007 dirigiu o elogiado curta fantástico Latchkey’s Lament, a partir de um roteiro de sua própria autoria. Outro nome que aparece nos créditos como roteirista é Nigel McKeand, que, em 1973, trabalhou no roteiro da primeira versão de Don´t Be Afraid of the Dark, feita para a TV, com direção de John Newland.

Por sua condição de remake, é bem provável que muitos assistam a Não Tenha Medo do Escuro com um olhar desconfiado, imaginando se tratar de mais um longa oportunista que entrará definitivamente na galeria de produções desnecessárias, vítimas da falta de criatividade dos americanos. Pois, diferente do Psicose, de Gus Van Sant, Madrugada dos Mortos, O Massacre da Serra Elétrica, de 2003, e tantos outros, o filme de Troy Nixey é baseada numa produção obscura e fraca tecnicamente, necessitando de uma reestruturação e adequação à linguagem atual do cinema.

Não Tenha Medo do Escuro (2010) (2)

E é exatamente nas questões técnicas que o filme de Guillermo del Toro se destaca. Como já mostrado em seus trabalhos anteriores, pode-se encontrar uma belíssima fotografia, a cargo de Oliver Stapleton (Meu Monstro de Estimação), e o desenvolvimento de uma história fantástica, que coloca em destaque uma criança envolta em trevas. O horror apresentado é dramático, sem deixar de figurar entre o medo e a solidão, traços comuns no estilo do cineasta.

A bochechuda Bailee Madison (de Esposa de Mentirinha e dezenas de outras produções) atua como Sally, uma garota traumatizada pela separação dos pais, sendo constantemente medicada pela mãe ausente. Depois de algumas tentativas de adaptação, a pequena foi mandada para a casa do pai, o arquiteto Alex (Guy Pearce, de O Discurso do Rei), onde ele vive atualmente com a decoradora de interiores Kim (Katie Holmes, de O Casamento do Meu Ex), com a proposta de reformar a morada para uma venda futura. O ambiente é uma mansão do século XIX, que pertenceu ao artista Emerson Blackwood (Garry McDonald), conhecido por pinturas góticas num estilo que lembra bastante Schalken. Na cena inicial, o espectador acompanha o único motivo que justifica uma censura mais agressiva, e, com certeza, irá colocar as mãos do espectador sobre os olhos.

Embora não aceite a nova condição, a garotinha logo encontra motivação para explorar a casa, quando ouve sussurros sinistros cativando-a a se aproximar, fazer coisas escondidas em busca de estranhos amiguinhos. A situação foge do controle quando uma pessoa que trabalha no local é ferida gravemente, e as coisas que se escondem na escuridão apresentam-se como monstrinhos cruéis que se alimentam de dentes e ossos de crianças.

Uma moeda de prata para aquele que disser Fada dos Dentes primeiro. Sim, a lenda em torno da fada que recolhe os dentes de leite das crianças ganhou uma mortalha diferente, substituída por um grupo de criaturas que temem a claridade. Essa lenda já foi explorada outras vezes no gênero em filmes como No Cair da Noite e o trash Lenda Maldita, com resultados sempre curiosos.

Não Tenha Medo do Escuro (2010) (3)

Pecando pelo excesso de evidência dos vilões, Não Tenha Medo do Escuro consegue remeter ao clássico dos anos 80 The Gate – O Portão ao apresentar pequenos inimigos com uma aparência bem similar, mas com efeitos e funções diferentes. Aqui eles não são bonecos de massinha que se movimentam em efeito de stop motion, nem pretendem dar início ao Apocalipse; são produzidos em CGI da melhor categoria (com a tecnologia que deu luz à Onde Vivem os Monstros) e buscam apenas se alimentar e atrair novos adeptos para sua condição.

Outro fator negativo que possivelmente será percebido está na quantidade alta de furos no roteiro; falhas que poderiam ser evitadas com uma percepção mais aguçada no argumento original. Pode-se destacar o momento em que Sally é surpreendida no banheiro pelos monstrinhos e atravessa o ambiente sem se lembrar de apenas tentar acender a luz. Ou quando uma das criaturas perde o braço e a evidência simplesmente é esquecida na biblioteca, sendo que ela poderia servir de prova para a existência dos monstrinhos. Isso sem contar a falta de uma investigação mais apurada da polícia, mesmo após uma tentativa clara de assassinato, e até a criaturinha que resolve se aventurar num vaso de flor, sem levar em consideração que o ambiente está iluminado. Acrescente o ato insano de Kim, quando, mesmo tendo provas do mal presente no local, ainda insiste em deixar a menina no casarão a pedido do namorado.

Por incrível que pareça, tais falhas não acontecem no original, tanto que usam adequadamente a desculpa da pouca claridade para justificar a aparição do monstro no vaso, e a luz do banheiro é acesa no momento de maior agonia da protagonista. Aliás, não há criança no original; Sally é a esposa de Alex, atormentada pelos sussurros dos monstrinhos. E o propósito deles não é se alimentar dos dentes, mas apenas roubar a alma da mulher para transformá-la num deles.

Ainda assim, mesmo com as falhas de roteiro, trata-se de um bom filme de terror, com cenas de tensão e um final bem intenso e dramático, diferente do teor pessimista do original. Possui um elenco interessante, um visual gótico e bons momentos que irão arrepiar o público, seja na cena inicial ou no ataque a Harris.

Não Tenha Medo do Escuro estreou em 28 de agosto nos EUA, com um orçamento estimado em 25 milhões, alcançando em sua passagem pelos cinemas apenas 23. É claro que o valor será coberto pelas estreias mundiais e pelo lançamento em DVD e Blu-Ray, mas não deixa de ter sido um prejuízo dentro das expectativas. Ainda assim, não será estranho se os monstrinhos voltarem a sussurrar num futuro próximo, em busca de outros dentes e mais espectadores!

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5 Comentários

  1. na boa, filme muito ruim, não sei oque voces viram nele

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