4.4
(10)

Abismo Infernal
Original:The Dead Pit
Ano:1989•País:EUA
Direção:Brett Leonard
Roteiro:Brett Leonard, Gimel Everett
Produção:Gimel Everett
Elenco:Jeremy Slate, Cheryl Lawson, Stephen Gregory Foster, Danny Gochnauer, Geha Getz, Joan Bechtel, Michael Jacobs

Uma fita sempre à disposição nas locadoras, talvez porque a própria capa apelativa do filme já trazia algumas ideias de seu conteúdo, Abismo Infernal é um terror que hoje convém ser denominado trash. Na época, no final dos anos 80, passava por mais uma produção do gênero e que resume todo o cinema da década, sem que alguém pensasse que seu conteúdo reciclava diversos argumentos mais conhecidos. Com uma revisão atual, com base no que foi lançado na sua época e nas décadas seguintes, nota-se um filme B dos mais bagaceiras, mas que mantém o charme por preservar a atmosfera do período. A direção tem o debut de Brett Leonard, ainda na ativa, que depois faria O Passageiro do Futuro (1992), O Homem-Coisa: A Natureza do Medo (2005) e Feed – Fome Assassina (2005) – e estará no comando de Dark Star, longa em pré-produção.

Leonard também é responsável pelo roteiro, assinado em parceria com Gimel Everett, que depois produziria outros trabalhos do diretor. Trata-se de um trabalho pouco criativo da dupla, apesar de divertir principalmente pela quantidade de elementos apresentados. Você nota referências aos zumbis de Romero – Dia dos Mortos ainda era uma novidade -, ao terror de Stuart Gordon, inspirado em Lovecraft, com a participação de um aluno do Dr. Carl Hill, de Re-Animator, além das visitas de Freddy Krueger aos pesadelos, com uma protagonista que vagamente lembra Nancy. Todos os elementos acompanhados de sintetizadores em uma trilha incidental ininterrupta, fotografia de cores intensas e gelo seco, contando ainda com interpretações exageradas, como o olhar esbugalhado de Jeremy Slate.

O Dr. Colin Ramzi (Danny Gochnauer) descobre nos confins de seu sanatório os experimentos bizarros do Dr. Gerald Swan (Slate), no uso de lobotomia para relacionar o cérebro físico com a condição psicológica. Depois que testemunha uma de suas ações e encontra um poço de corpos que serviram de testes, Ramzi mete uma bala na cabeça de Swan e depois veda qualquer acesso ao laboratório secreto – talvez fosse melhor ter queimado os corpos e denunciado o companheiro, dizendo que disparou em legítima defesa. Vinte anos depois, o sanatório continua na ativa, destacando o comportamento agressivo da enfermeira Kygar (Joan Bechtel) e alguns internos como a freira louca Clair (Geha Getz) e o mulherengo Christian Meyers (Stephen Gregory Foster), conhecido por ter feito alguns explosivos.

Eis que chega ao local uma mulher com sérios problemas de memória (“não é amnésia. Fizeram uma cirurgia na minha cabeça e tiraram minhas lembranças“). Inicialmente chamada de Jane Doe (Cheryl Lawson), sua vinda coincide com um terremoto na instituição e a consequente liberação do local que o Dr.Ramzi havia bloqueado no começo. Não fica muito claro se Jane possui poderes paranormais e tenha sido a responsável pelo fenômeno, embora sua chegada e agito psicológico tenha coincidido com o episódio. Ela então passa a ser atormentada por pesadelos “freddyanos“, onde percebe a presença de um cirurgião com olhos brilhantes e seus ataques a pessoas da instituição como um enfermeiro e outro paciente.

Sessões de hipnose realizadas por Ramzi despertam situações do passado, e intensificam a presença de uma entidade que parece conhecer bem Jane. O que parecia ser uma possível vingança sobrenatural logo se torna um inferno de zumbis, oriundos do poço dos mortos, exigindo o esforço de Jane, Christian e até mesmo Ramzi para evitar uma catástrofe. Diferente de produções romerianas, os mortos-vivos não querem se alimentar da carne humana, mas sentem uma atração pelo cérebro de suas vítimas. E não basta o ataque mortal para que as pessoas retornem à vida, necessitando um processo cirúrgico de lobotomia e uma combinação de produtos químicos.

Abismo Infernal é isso. Não tem lógica alguma ao mesclar os pesadelos de Jane com a presença física do vilão, ao conectar um poço maldito com algo que possa ser cessado com água benta. E é o que importa: sangue intensamente vermelho, maquiagens exageradas, efeitos risíveis, fotografia de cores que dão um tom quase psicodélico, além da exploração do corpo da protagonista. Além de constantemente andar de calcinha e uma mini-blusa mesmo interna de um sanatório (sem falar na maquiagem, cabelos compridos e unhas grandes – elementos que não combinam com pacientes), ela também parece gratuitamente nua em uma sequência de pesadelo onde ela é vítima da enfermeira Kygar, que molha seu corpo com uma mangueira (uma cena que acabou servindo para a capa do filme, mas que nem precisaria existir).

Apesar de suas inconstâncias, ver hoje em dia pode ser interessante. Conduz a um retorno à década mais bem servida do gênero, e traz boas cenas de terror ao propor as ações de um cientista louco em uma hospital psiquiátrico até o despertar dos mortos. Pode ser que você goste.

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4 Comentários

  1. Lembro-me deste filme nas prateleiras de algumas locadoras em que eu era sócio (bons tempos aqueles). Na primeira vez que vi esta capa até achei que seria uma sequência de Hellraiser 2 por conta da cabeça cheio de pregos (?!) do monstro que aparece. Um filme apenas razoável.

  2. Cheryl Lawson; que ESPETÁCULO de mulher !!!

  3. esse eu não vi
    mas parece bem ruim
    vou ver pra ter certeza

  4. Simplesmente uma das minhas fitas favoritas da locadora na época. Tinha 14 anos e é claro, muita coisa no filme não tinha nexo mas quem liga, pelo menos eu registava cada minuto. Chegamos ao cúmulo de fazer uma cópia VHS deste filme. Que época gostosa demais. Valeu pela lembrança e análise

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