O Massacre da Serra Elétrica – O Retorno de Leatherface (2022)

2.5
(18)

O Massacre da Serra Elétrica - O Retorno de Leatherface
Original:Texas Chainsaw Massacre
Ano:2022•País:EUA
Direção:David Blue Garcia
Roteiro:Chris Thomas Devlin, Fede Alvarez, Rodo Sayagues
Produção:Fede Alvarez, Pat Cassidy, Herbert W. Gains, Ian Henkel, Kim Henkel
Elenco:Sarah Yarkin, Elsie Fisher, Mark Burnham, Jacob Latimore, Moe Dunford, Olwen Fouéré, Jessica Allain, Nell Hudson, Alice Krige, Jolyon Coy, Sam Douglas, William Hope, John Larroquette

Quando pensamos hoje no clássico O Massacre da Serra Elétrica, de 1974, podemos ficar surpresos como a premissa parece simples: um grupo de jovens viajando pelo interior do Texas, caindo nas garras de uma família canibal e sendo mortos por um louco violento munido de uma motosserra. Mas a verdade é que o filme de Tobe Hooper é um feito de sua época, um dos maiores marcos do cinema de terror, uma obra prima de horror visceral e impactante do começo ao fim. O filme é simplesmente um acontecimento raro em toda a indústria, onde ditaria por anos inúmeras referências e influências na cultura pop… até chegarmos nos nossos dias atuais e, para esta geração, essa premissa parecer simplesmente… simples!

Dito isso, a verdade é que, ao meu ver, O Massacre da Serra Elétrica nunca deveria ter tido uma continuação. O status do clássico foi simplesmente maculado por tudo aquilo que veio depois (e olha que eu até gosto do remake), no que culmina em uma das franquias de terror mais desorganizadas que existem ao longo de nove filmes. É por isso que com o lançamento este ano de O Retorno de Leatherface, ao nos perguntarmos se precisávamos de mais um filme de O Massacre da Serra Elétrica, a resposta é simplesmente NÃO, mas, ao assisti-lo, é impossível não ser fisgado pela ideia de que este é o melhor filme ruim feito nos últimos anos ao ser incrivelmente divertido e despretensioso.

Com uma história de produção bastante problemática por si só, o sinal vermelho do filme foi totalmente ligado quando sua produtora desistiu da distribuição em cinemas e vendeu a obra pronta para a Netflix, uma jogada considerada necessária após uma série de sessões testes de resultados catastróficos entre o público. Um sinal vermelho duplo ainda poderia ser ligado quando você simplesmente dá play pelo streaming e percebe que o filme em si não terá nem 1h20 de duração. Mas é então, de forma bem rápida, que a coisa começa a tomar forma.

Com total ar de legacy sequel movies, um grupo de jovens millennials decidem dar vida nova a uma cidade fantasma no Texas, comprando suas propriedades e rateando entre financiadores para um projeto de food trucks, mas tudo desanda quando eles acabam se deparando com uma senil senhora que não aceita a ideia de deixar seu lar, ao mesmo tempo que ela é a cuidadora de Leatherface, o maníaco da motosserra. E… bem… esse plot por si só já te mostra que a ideia de legacy sequel foi um baita erro. Afinal, quem é essa velha? Quantos anos ela tem? Cadê a família de canibais? Aliás, cadê o canibalismo em si?

De fato, essas perguntas vêm e vão embora na mesma velocidade. E é aí que você entende de vez que este é um filme para não se fazer perguntas. Aproveite e divirta-se, porque ele vai passar rápido.

É a morte da senhora devido à intervenção dos jovens que inicia o retorno de Leatherface. Na busca por matar simplesmente todos que se colocaram ao seu redor, o gore brilha, em mortes muito bem feitas, inseridas em sequências cruéis e absurdamente gráficas. Mas, infelizmente, a construção do elenco é simplesmente horrível. E o único carisma que sobra ali fica nas mãos das irmãs Lila e Melody, sendo a primeira uma traumatizada vítima de um tiroteio em escola e a segunda sua protetora, ainda que ambas estejam sempre em conflito.

Todo o restante do grupo de jovens é péssimo e mal trabalhado, mas ainda assim eles sofrem tanto nas mãos do maníaco, que você cria uma empatia, principalmente pelas irmãs, simplesmente pelo fato de que essas sim estão lutando para sobreviver.

E, nossa, eu tenho que falar novamente das mortes. A morte do policial com o próprio osso é um acontecimento, a facada na cozinha é incrivelmente angustiante com aquela porta balançando, o gato e rato por debaixo da casa é escatológico, a marretada na perna durante a luta com o bad boy te faz gritar. Mas o auge vem com a cena do ônibus. E que cena! Pra mim já um clássico instantâneo, com Leatherface tendo direito a um banho de sangue de te fazer ficar sem ar junto a um bando de hipsters desesperados. É de um contexto brilhante, divertido, sangrento, de encher os olhos. Tudo que a gente precisa quando uma motosserra é ligada.

Depois desse caos, ainda somos coroados com a cereja no bolo que é o retorno de Sally Hardesty, a sobrevivente do primeiro filme. Mas se você acha que aqui ela vai servir entretenimento no mesmo nível do retorno de Laurie Strode no Halloween de 2018, se prepare para mais surpresas… não exatamente boas.

Porque a participação da velhinha Sally é simplesmente uma piada, quase uma paródia do que foi feito em Halloween, com direito a ela nem mesmo ser lembrada por Leatherface quando os dois se encontram e têm praticamente o melhor diálogo do filme seguido de um embate hilário que finaliza tendo 50 anos de espera sendo literalmente jogados no lixo. Porque o filme não é sobre Sally e sua possibilidade de vingança, o filme é realmente sobre Leatherface.

E, ainda que razoavelmente bem dirigido e com cenas bem feitas, dá pra sentir falta de coisas que marcaram o clássico, como a ideia de mau cheiro o tempo todo entre vísceras e sangue. Tem até banho de merda em personagem, mas é incrivelmente um filme “limpinho” esteticamente. Aqueles surtos e grunhidos do Leatherface também não estão aqui.

Sem falar em como é um filme que parece que quer passar um monte de mensagens e não tem coragem de assumir nenhuma. Crítica a millenials? “Talvez”. Gentrificação urbana? “Não somos nós que estamos dizendo”. Aquela bandeira dos Confederados? “Que coisa, hein”. Adoração a armas? “Melhor nem tocar nesse assunto”.

Após uma sequência final com mais furos que uma peneira, mas ainda assim muito bem executada, ainda somos agraciados por uma recriação da clássica cena final, com direito a um Tesla no automático e uma última morte que é absurdamente jocosa, mas de encher os olhos.

O Massacre da Serra Elétrica – O Retorno de Leatherface é sim um filme ruim. Mas é despretensioso ao limite, nunca se levando a sério e entregando com mérito aquilo a que se propõe. É diversão garantida junto ao nome de uma franquia que nunca soube que rumo tomar após seu clássico, que seguirá sim ali no seu canto como um dos melhores filmes de terror da história.

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Samuel Bryan

Jornalista, acreano, tão fã de filmes, games, livros e HQs de terror, que se não fosse ateu, teria sérios problemas com o ocultismo. Contato: games@bocadoinferno.com.br

3 thoughts on “O Massacre da Serra Elétrica – O Retorno de Leatherface (2022)

  • 23/03/2022 em 13:21
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    Rapaz, não sei se concordo porque esta análise propôs o que eu queria ler ou se ambos estamos errados sobre esse filme. Essa produção me agradou, a escolha de personagens, a fotografia em tons de amarelo e mesmo a premissa geral do filme, incomum e até mesmo interessante e criativa. A violência gráfica não é das melhores, mas é aceitável. Algumas escolhas pobres de roteiro e execução, o que não é exclusividade desse filme, como forçadamente estão procurando argumentar. Essa franquia já produziu muito filme ruim (não é o caso desse). Esse filme eliminou elementos repetitivos da franquia, teve coragem de tentar caminhar sobre suas próprias pernas e trouxe situações contemporâneas para uma saga que viu seu início (e apogeu) em 1974. Não é o melhor da saga, mas também não é pior. No nível dos filmes de 2003 e 2006. Dificilmente um fã desta franquia e deste vilão não será pelo menos entretido por essa produção. Com um pouco de boa vontade e mente aberta é um bom filme. Nota: 💀💀💀

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  • 15/03/2022 em 21:39
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    Ruim do início ao fim com momentos onde consegue piorar. Verdadeira porcaria.J

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  • 15/03/2022 em 08:31
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    Já assisti versões melhores e piores desta obra, mais para os padrões Netflix de qualidade (onde 75% do conteúdo criado por eles é de gosto bem duvidoso) esse filme é bom, tem alguns exageros e o enredo viaja um pouco na maionese, mais é legal de assistir.

    Filme nota 7,5

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