
![]() Espíritos Famintos
Original:They Wait
Ano:2007•País:Canadá Direção:Ernie Barbarash Roteiro:Trevor Markwart, Doug Taylor, Carl Bessai Produção:Andrew Koster, Shawn Williamson, Stéphen Hegyes Elenco:Jaime King, Terry Chen, Regan Oey, Pei-Pei Cheng, Henry O, Colin Foo, Michael Biehn |
por Sílvia Faria
Os filmes asiáticos sempre me fascinam. Neles, o medo é retratado com uma maestria e uma crueza muito diferentes das produções de outros continentes. A China, em especial, carrega em sua cultura crenças religiosas profundas — e uma delas, frequentemente explorada no gênero de terror, é o Festival dos Fantasmas Famintos (Hungry Ghost Festival).
No início, fiquei um pouco confusa sem entender exatamente onde a história se passava. Cheguei a pensar que tudo ainda acontecia na China, país onde os protagonistas vivem. No entanto, em determinado momento, quando a tia do marido (Cheng Pei-pei, O Tigre e o Dragão) critica o desinteresse do filho do casal pela própria cultura, fica claro que eles estão em algum bairro de cultura Chinesa nos Estados Unidos, como Chinatown,
À primeira vista, a trama pode parecer mais do mesmo: um casal binacional — ela americana, ele chinês — com um filho pequeno, vivendo em Xangai. Jason (Terry Chen, Quase Famosos) foi criado pelo tio nos EUA, onde conheceu Sarah (Jaime King, Sin City: A Cidade do Pecado). Eles se casaram, tiveram o pequeno Sam (Regan Oey) e, por conta do trabalho de Jason, mudaram-se para a China.
Após receberem a notícia da morte do tio, a família viaja aos Estados Unidos para o funeral. Coincidentemente, tudo acontece durante o chamado “Mês dos Espíritos Famintos”. É então que Sam começa a ver fantasmas e demônios, além de adoecer de forma inexplicável.
Mas engana-se quem acha que o filme se resume a clichês. Apesar de não ser perfeito e apresentar algumas inconsistências, ele acerta nos sustos e nas reviravoltas. Aos poucos, descobrimos que a família de Jason guarda segredos obscuros — e está disposta a protegê-los a qualquer custo, mesmo que isso coloque a vida do menino em risco.
Recomendo assistir e aproveitar a experiência. O filme, dirigido por Ernie Barbarash (Cubo Zero e Ecos do Além 2, além de produtor de Psicopata Americano, 2000), entrega bons momentos de tensão, sem exageros ou absurdos que prejudiquem a imersão. É uma ótima pedida para quem gosta de terror asiático — mesmo que não seja exatamente uma produção “made in China”.




