Críticas

O Corvo (1963)

O que o torna um filme inesquecível e muito cultuado são dois fatores: a estética de Roger Corman e a presença de mestres do cinema de horror

O Corvo (1963)

O Corvo
Original:The Raven
Ano:1963•País:EUA
Direção:Roger Corman
Roteiro:Richard Matheson, Edgar Allan Poe
Produção:Roger Corman
Elenco:Vincent Price, Peter Lorre, Boris Karloff, Hazel Court, Olive Sturgess, Jack Nicholson, Connie Wallace, William Baskin. Aaron Saxon

Enquanto os filmes da produtora inglesa Hammer redescobriam o encanto pavoroso do horror, recuperando os clássicos desgastados dos anos 1930 e 1940, os americanos não estavam decadentes e sem ideias para o gênero. Isso porque um jovem cineasta cheio de ideias e criatividade surgia no cenário: Roger Corman.

Corman é rotulado como o “Rei dos Filmes B“, com justiça, mas ele é mais do que um artista que sabe fazer obras interessantes com poucos recursos e em tempo exíguo. Seus filmes passam como despretensiosos, mal acabados e sem maior profundidade temática apenas a uma primeira vista.

Este conceito apressado sobre os seus filmes tem no longa-metragem O Corvo (1963) uma referência exemplar.

O Corvo (1963) (1)

Adaptação livre do poema clássico de Edgar Allan Poe, a história é narrada de forma leve, despojada, sem perder de vista seu caráter horrorífico. Ainda que seja possível dar gostosas risadas ao longo do trama.

E o tom de comédia de humor negro é outra marca de Corman, se lembrarmos também o filme A Pequena Loja dos Horrores (1960), produzido em um fim de semana, onde uma planta de uma loja come os clientes arrancando não nojo ou medo, mas risos nervosos de quem assiste a fita. No caso de O Corvo o clima humorístico é reforçado pelas ilustres presenças de atores consagrados no horror, Boris Karloff, Vincent Price e Peter Lorre.

O Corvo (1963) (3)

A história é passada em castelos medievais, onde Price chora a perda da mulher amada. Em seu tormento solitário recebe a inesperada visita de um corvo. Qual não é sua surpresa quando o pássaro começa a falar e a instruí-lo a fazer uma poção para transformá-lo, novamente, em um homem. Agradecido, o agora humano Peter Lorre descobre o sofrimento do bruxo Price e diz que Lorenei, sua perdida amada, está na verdade viva no castelo do rival do falecido pai de Price.

Ao lado da filha de Price e do filho de Lorre (Sabe quem? Simplesmente Jack Nicholson em início de carreira), eles partem para resgatar Lorenei que está na verdade muito à vontade nos braços do bruxo Boris Karloff. Daí em diante a trama se desenrola com muita ironia no confronto dos magos até o duelo final que não é menos do que antológico e surpreende pelo bom nível dos efeitos especiais que dão vazão às mágicas de ambos os bruxos.

O que torna O Corvo um filme singular, inesquecível e muito cultuado são dois fatores: a estética cinematográfica de Roger Corman: roteiro inteligente (neste filme escrito pelo craque Richard Matheson), narrativa cheia de reviravoltas,fotografia e trilha sonora caprichadas, além de um questionamento filosófico pouco comum em histórias do gênero; e a presença impagável de mestres do cinema de horror: Boris KarloffVincent Price e Peter Lorre. A descontração, a naturalidade com que esses atores atuam dá a impressão de nem estarem em cena, de que são eles mesmos. E o melhor: eles se divertem com isso, como se estivessem brincando com suas próprias imagens como ícones do horror.

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Corman repetiria sua parceria com o trio Karloff, Price & Lorre (além de outros mitos do horror como Basil Rathbone, Christopher Lee e Ray Milland) em vários outros filmes, adaptando ora Edgar Allan Poe, ora H. P. Lovecraft, em filmes como A Queda da Casa de Usher (1960), O Poço e o Pêndulo (1961), Muralhas do Pavor (1962), O Terror (1963), Farsa Trágica (1963), O Castelo Assombrado (1963), A Máscara Mortal (1964) e O Ataúde do Morto-Vivo (1969). Cada uma destas e outras pérolas do horror são tão interessantes e únicas como os cultuados filmes da Hammer.

N.E. O autor Marcello Simão Branco é o editor de um dos mais antigos e conhecidos fanzines de Ficção Científica e Horror, Megalon, criado em novembro de 1988.

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3 Comentários

  1. Morcego

    Muito divertido!
    Um dos melhores filmes da parceira Corman/Poe/Price!
    Tudo aqui funciona a favor. Price mostra que é um mestre; Peter Loree está engraçado como O Corvo; Jack Nicholson dá um show em inicio de carreira, e Boris Karloff mostra porque é um dos Mestres do Terror! A cena de luta entre Price e Karloff tem seu posto como The Best Fight Scene Ever!
    Um filme excelente!
    ALTAMENTE RECOMENDÁVEL!!!!!!

  2. vanessa vasconcelos

    só assisti aquele dos anos 90,muito foda por sinal.

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