Críticas

The Conspiracy (2012)

Apesar de se sustentar em ideias já exploradas outras vezes pelo cinema, se revela muito eficiente e não deixa pontas soltas!

The Conspiracy (2012)

The Conspiracy
Original:The Conspiracy
Ano:2012•País:Canadá
Direção:Christopher MacBride
Roteiro:Christopher MacBride
Produção:Lee Kim
Elenco:Aaron Poole, James Gilbert, Ian Anderson, Peter Apostolopoulos, Angela Besharah, Laura de Carteret

O texto a seguir contém spoilers

Ainda que muitos torçam o nariz, parece que a estética found footage está longe de ser aposentada, ainda que mostre alguns sinais evidentes de desgaste. A produção semi-independente The Conspiracy, suspense escrito e dirigido por Christopher MacBride está um passo a frente no momento em que mostra cenas e narra situações reais, fortalecendo o efeito mais atrativo das produções que utilizam de tal artifício: confundir a realidade com a ficção.

Dois exemplos clássicos e óbvios que seguiram a mesma linha são o controverso Guinea Pig (1985) – reza a lenda e o Google que o ator Charlie Sheen acreditou nas atrocidades mostradas no filme e chegou a solicitar a proibição de sua exibição nos EUA e a punição de seus realizadores – e A Bruxa de Blair (1999) – sim, alguns cinéfilos incautos acreditaram na trama dos jovens que desapareceram na Floresta de Burkittsville era real. Vale lembrar também que foi mais recentemente que Atividade Paranormal (2007) ressuscitou a adormecida fórmula ultra realista do found footage, e que para desespero de alguns, continua a ser utilizada incansavelmente, seja por blockbusters ou produções amadoras do terceiro mundo.

O leitor pode até não ser um adepto das chamadas Teorias de Conspiração, mas que elas são, de alguma maneira convincentes, não há questionamento. Ou pelo menos fomentam algumas dúvidas. Como já dito, o mais interessante no longa-metragem em questão é o seu teor documental onde todas as teorias citadas, verdadeiras ou não, realmente existem e são discutidas a exaustão em fóruns especializados na internet; e diga-se de passagem, algumas delas, como a suposta verdadeira motivação dos ataques de 11 de setembro, a chamada Nova Ordem Mundial e o poder das Sociedades Secretas, parecem bem mais reais do que a nossa “realidade” oficial.

The Conspiracy (2012) (2)

O enredo parte das imagens que seriam de dois cineastas independentes que resolvem rodar um documentário sobre um famoso e carismático teórico da conspiração chamado Ian Anderson. Embora inicialmente céticos, eles começam a desconfiar que algo possa estar errado quando Ian aparece morto. Ignorando todos os avisos e mesmo desconfiado que estão sendo constantemente vigiados, eles resolvem continuar a investigação sobre uma suposta sociedade secreta chamada Tarsus Club. Ao colocarem em ação um plano para se infiltrar (com câmeras escondidas) em uma das reuniões da Sociedade acabam descobrindo, da pior maneira, que conhecer a verdade pode ser muito mais doloroso do que viver em um mundo de mentiras. Duas frases são repetidas algumas vezes em The Conspiracy e nos leva a refletir sobre algumas questões levantadas: E se for real? e a a mais forte (e que pessoalmente, acredito), Nós somos escravos!

Podemos dividir os 80 minutos (notem que o filme é relativamente curto) de The Conspiracy em dois atos bem distintos. Na primeira metade o teor é predominantemente documental, com muitas citações, tomadas estáticas e discursos e imagens de casos onde a informação que conhecemos foi de alguma maneira manipulada. No segundo ato, quando os protagonistas resolvem se infiltrar na sociedade secreta, a atmosfera é a de um legítimo filme de horror, com as câmeras tremidas em primeira pessoa e a iluminação deficiente. O leitor mais exigente poderá reclamar do pequeno twist do desfecho, por sua semelhança com o sacrificado final de O Homem de Palha (1973). Porém, um depoimento “suspeito” em vídeo de um dos cineastas, afirmando que tudo o que aconteceu não passou de uma grande brincadeira, apesar do sumiço de seu amigo que teria literalmente “pirado”, encerra de maneira digna e eficiente The Conspiracy.

O elenco desconhecido, formado por Aaron Poole e James Gilbert (Jogos Mortais 6, 2009) interpretando a dupla de cineastas Aaron e Jim (seguindo a cartilha dos found footages, personagens com os mesmos nomes dos atores) e Ian Anderson como um revolucionário investigador das tais teorias da conspiração, se não surpreende, de maneira nenhuma compromete.

Enfim, o resultado geral da produção canadense The Conspiracy é muito acima da média, seja pela qualidade técnica ou pelo roteiro, que apesar de se sustentar em ideias já exploradas outras vezes pelo cinema, se revela muito eficiente e não deixa pontas soltas. Não é um novo clássico (longe disso), mas a estreia de Christopher MacBride na direção pode ser encarada como uma pequena e agradável surpresa num mercado mais do que saturado.

 

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8 Comentários

  1. vanessa vasconcelos

    sei que serei cruxificada pelo meu comentário,mas apesar de ter achado esse filme legalzinho,eu ao mesmo tempo o achei meio besta.se vcs querem a verdade sobre teorias da conspiração,nova ordem mundial e illuminattis vejam o canal verdade oculta no you tube,ele mostra tudo e mais um pouco sobre isso,bem melhor que esse documentário incompleto aí,é sério gente .

    • Vou entender isso como uma piada. Citar o canal Verdade Oculta como fonte de informação para qualquer coisa é dar atestado de anencefalia.

      • vanessa vasconcelos

        primeiramente Felipe eu quero que vc saiba que eu não sou crente nem tenho nenhuma religião,sei que vc não citou isso de mim ,mas acho que vc deve estar achando isso sim,aliás, muito pelo contrário,ás vezes acho até que sou atéia,é sério.quanto ao meu comentário eu acredito de verdade em tudo que escrevi,pois tudo que vi nesse canal fez muito sentido pra mim,não tenho nada contra vc,muito pelo contrário,curto muito os teus comentários,mas se vc não curte os meus,ou só não curtiu esse desse post beleza,cada um acredita no que quer meu velho,abraço pra ti 🙂

  2. Yves

    Por coincidência estou terminando de baixar ele aqui. Hehehe!

  3. Jorge Soto

    Eis um inteligente e original falso-documentario q presta, prova de q o gênero ainda pode dar um bom caldo apesar da penca de obras mediocres q sâo lancadas td ano. Este aqui nao vai atras de aliens, demonios, trolls, dinos, assombracoes e sim atras duma suposta seita macônica q governa o mundo desde tempos ancestrais, tipo O Homem de Palha !!? Pior q é muito legal, pois comeca feito um Globo Reporter sério, apoiado por documentos e imagens de guerras, 11-7, atentados, etc.. afirmando q politicos e seitas religiosas estao envolvidas nos eventos mundiais. Mas logo um dos documentaristas some e a equipe passa a ser perseguida por algo! O roteiro é envolvente e tenso, e te deixa com a pulga atras da orelha diante do q nos é apresentado, mesmo sabendo q é td falso..mas será mesmo? Com atuacoes modestas, edicao com bom ritmo, esta obra so peca pelos finalmentes, onde o mockumentary dá lugar ao found-footage basicao corrido e pouco iluminado, mas q ainda assim mantem certa consistencia como um todo. Pra quem curte teorias conspiratorias e paranoia em geral, eis uma producao mais q recomendada. Pois inspira terror a partir da realidade, sem mostrar uma gota de sangue.

  4. Bruno .

    No filme, Ian desaparece e não é encontrado morto, o que torna a estória mais coerente.

  5. Bruno .

    O filme que Charlie Sheen acreditou ser real foi o japonês Guinea Pig e não Holocausto Canibal.

    • Tem razão Bruno. Isto é que dá confiar na memória depois dos 30; lembrava da ter lido a história, cheguei a pesquisar na internet… mas me equivoquei. Vou pedir uma retificação ao Mestre Infernauta….

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