Críticas

A Casa de Frankenstein (1944)

Figurando entre as piores continuações da saga de Larry Talbot, vale pela curiosidade e pela diversão de ver juntos tantos monstros sagrados

A Casa de Frankenstein (1944) (5)

A Casa de Frankenstein
Original:House of Frankenstein
Ano:1944•País:EUA
Direção:Erle C. Kenton
Roteiro:Edward T. Lowe Jr., Curt Siodmak
Produção:Paul Malvern
Elenco:Boris Karloff, Lon Chaney Jr., John Carradine, Anne Gwynne, Peter Coe, Lionel Atwill, George Zucco, Elena VerdugoSig Ruman, William Edmunds

Um novo encontro entre os monstros da Universal! Após o primeiro crossover, Frankenstein encontra o Lobisomem (1943), o estúdio, em processo acelerado de realização de filmes, trazia em cena no ano seguinte, numa única produção, Boris Karloff, Lon Chaney Jr. e John Carradine, justificativas mais do que suficientes para você ter 71 minutos do mais puro entretenimento! House of Frankenstein vinha com a boa expectativa de unir os fãs do Lobisomem, da Criatura de Frankenstein e, pela primeira vez, de Drácula no mesmo argumento, desenvolvido mais uma vez a cargo do experiente Curt Siodmak, responsável por grande parte da produção criativa da época, para um roteiro de Edward T. Lowe Jr. (de O Morcego Vampiro, de 1933).

A intenção inicial da Universal era ir além: acrescentar a Múmia, o Homem Invisível, a Mulher-Fera (Captive Wild Woman, 1943) e até o Abutre-Humano (The Mad Ghoul, 1943), um encontro de criaturas promovidos pela Câmara dos Horrores (um dos títulos provisórios) do circo de aberrações de Lampini. Seria até justificável dentro da proposta, mas a simples mistura de três monstros já fez com que alguns tivessem pequenas participações, como a Criatura de Frankenstein, que não permanece nem três minutos em cena. Precisaria um contexto maior para a inclusão, sem alterar a mitologia das criaturas, algo que levemente aconteceu com Drácula.

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Pela Universal, Drácula despontou com o longa de 1931, na interpretação incrível de Bela Lugosi. O Conde teve seu fim em Londres, mais precisamente em Carfax Abby, pela estaca das mãos do Dr.Van Helsing (Edward Van Sloan). Em 1936, em A Filha de Drácula (Dracula’s Daughter), a Condessa Marya Zeleska (Gloria Holden) encontra o corpo do vampiro e o queima num ritual para alcançar a cura pela herança vampírica, mas a trajetória do vampiro continuaria em O Filho de Drácula (Son of Dracula, 1943), na interpretação de Lon Chaney Jr., com a alcunha de Conde Alucard. Apesar das produções acontecerem em território inglês, o condutor do circo, Lampini (George Zucco, outra figura carimbada do período), diz ter encontrado os ossos do Conde Drácula na Transilvânia. Como explicar esse passeio da carcaça do vampiro?

De acordo com algumas teorias na internet, há vários Dráculas, mas o oficial seria de 1931. O Conde Alucard e, no caso de House of Frankenstein, o Barão Latos seriam vampiros menores, confundidos com o famoso vilão. Porém, ainda há que aponte a possibilidade dos ossos terem viajado no caixão, após A Filha de Drácula, ignorando apenas os acontecimentos de O Filho de Drácula. Enfim, essas teorias preenchem os furos nos roteiros da Universal, algo que eu já havia comentado em relação à Criatura de Frankenstein, outrora falante e depois mudo em Frankenstein encontra o Lobisomem.

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House of Frankenstein, lançado no Brasil como A Casa de Frankenstein (e até A Mansão de Frankenstein), tem início numa noite de temporal numa prisão, onde estão encarcerados Dr. Gustav Niemann (Boris Karloff), que foi parceiro de um auxiliar do doutor Frankenstein, e o corcunda Daniel (J. Carrol Naish), que aceita ajudar o doutor com a promessa de adquirir um novo corpo. Na fuga, eles encontram atolada a carroça do circo de aberrações do Professor Lampini (Zucco), e, ao ajudá-lo e conseguir carona, resolvem assumir a identidade dos ocupantes, matando-os. Agora como Lampini, barbeado, Dr. Niemann planeja se vingar dos responsáveis por sua prisão, como o burgomestre Hussman (Sig Ruman). Para isso, retira a estaca da ossada de Drácula, que Lampini mantinha como parte da atração, para que ele o ajude a matá-lo.

Assim que tem seu corpo restaurado, Drácula (o clássico John Carradine) seduz a neta de Hussman, Rita (Anne Gwynne, de Teenage Monster, 1958), transforma-se em morcego, em efeitos toscos que envolvem transposição de imagens e desenho, e cumpre com seu objetivo, embora seu destino seja brevemente traçado nos primeiros raios solares. Dr. Gustav Niemann e Daniel continuam a viagem rumo às ruínas do castelo de Frankenstein em busca dos registros das experiências, e levam a tiracolo a cigana Ilonka (a fraquinha Elena Verdugo), por quem o corcunda se apaixona e sonha em ter um novo corpo para ficar com ela.

A Casa de Frankenstein (1944)

Conforme a sequência final de Frankenstein encontra o Lobisomem, as criaturas foram afogadas pelos aldeões, que explodiram o dique durante o confronto. Lá, Niemann e Daniel encontram os corpos congelados e resolvem trazê-los de volta. O amargurado Larry Talbot (Lon Chaney Jr.) aceita ajudar nas pesquisas porque acredita que Niemann, que teria feito uma experiência de transferência de um cérebro de cachorro num homem, pode fazer o mesmo e assim acabar com a maldição do pentagrama. Mas sua impaciência e a Lua Cheia podem trazer problemas para os intentos de todos os envolvidos, atraindo aldeões para mais uma vez calar os monstros.

Pode ser decepcionante House of Frankenstein, dirigido por Erle C. Kenton (O Fantasma de Frankenstein, 1942), para quem espera ver na mesma cena as três criaturas. Drácula aparece apenas no começo, o lobisomem na segunda metade, com apenas duas transformações, e a Criatura de Frankenstein (interpretado por Glenn Strange) reserva o último ato, numa pontinha quase imperceptível. Se em Frankenstein encontra o Lobisomem há um confronto entre os monstros, num duelo épico nas ruínas do castelo, aqui elas praticamente não interagem, tendo participações isoladas. Quem faz todo o trabalho e é o principal motivo para conferir o filme é Boris Karloff, como o cientista louco em sua insistente experiência de transplante de cérebro.

A Casa de Frankenstein (1944)

Lon Chaney Jr., discreto, mais uma vez apresenta seu papel de Larry sofredor e amaldiçoado, encontrando o desfecho que sempre quis nas ações impensadas de Ilonka. Suas transformações continuam aceitáveis, tendo como destaque a sequência das pegadas, num corte criativo e curioso. Já o Drácula de John Carradine, com seu bigodinho sedutor, fez pouco para uma avaliação, e, embora o ator seja extraordinário, não trouxe a imponência necessária para caracterizar o Conde.

Figurando entre as piores continuações da saga de Larry Talbot, House of Frankenstein vale pela curiosidade e pela diversão de ver em cena tantos monstros sagrados e reencontrá-los em situações rasmacab, com a atmosfera adequada desenvolvida mais uma vez pela Universal em seu período mais fértil.

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1 Comentário

  1. Marcus Vinicius

    Um bom crossover entre os três monstros é a comédia Abbott e Costello Encontram Frankenstein, onde os personagens título são hilariantes e os monstros contracenam todos juntos. Espero que façam uma crítica desse.
    P.S. Rita é esposa do neto do burgomestre, e não neta.

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