Wayward Pines (2015)

Wayward Pines (2015) (4)

Wayward Pines
Original:Wayward Pines
Ano:2015•País:EUA
Direção:M. Night Shyamalan, Zal Batmanglij, Tim Hunter, Nimród Antal, James Foley, Steve Shill, Jeff T. Thomas
Roteiro:Blake Crouch, Chad Hodge, Matt Duffer, Ross Duffer, Rob Fresco, Bill Hooper, Brett Conrad
Produção:Patrick Aison, Ron French, M. Night Shyamalan
Elenco:Matt Dillon, Carla Gugino, Shannyn Sossamon, Toby Jones, Charlie Tahan, Melissa Leo, Reed Diamond, Hope Davis, Siobhan Fallon Hogan, Sarah Jeffery, Chad Krowchuk

Uma comunidade cercada por mistérios e segredos. Regras determinam o que é certo e errado, mantendo a pequena população enclausurada em seus limites, com o anúncio de criaturas à espreita daqueles que tentam fugir do local. Com o crédito destacando o nome de M. Night Shyamalan, a primeira relação estabelecida pelo argumento é com o filme A Vila (The Village, 2004), aquele drama com elementos levemente fantásticos que continha no elenco astros como Sigourney Weaver, William Hurt e Joaquin Phoenix. Apesar da boa aceitação do público devido ao enredo crítico e surpreendente, o longa foi apontado como um desastre por grande parte dos resenhistas, assim como outras produções com a assinatura do indiano. Será que o mesmo conceito negativo poderia vir de seu primeiro envolvimento com a TV?

Shyamalan já havia roteirizado dois episódios da série After Hours, de 2014, mas foi somente com Wayward Pines que o cineasta se envolveu mais intensamente. Baseado numa trilogia escrita pelo americano Blake Crouch, que assumidamente diz ter se inspirado na clássica série Twin Peaks, facilmente associado pelo modo como alguns mistérios são revelados e as relações entre as personagens, Wayward Pines intrigou o diretor de O Sexto Sentido (1999) que já revelou seu interesse em levar o trabalho para a televisão, desde que a revelação final não venha com a ideia de que “todos estão mortos” – aquele clichê que permeia muitas produções com mistérios sobrenaturais. Antes mesmo que o autor publicasse a última obra da trilogia, The Last Town, a série já estava sendo produzida, o que trouxe diferenças significativas entre o original e a adaptação, algo que não feriu suas raízes, nem a conclusão.

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Wayward Pines parte daquele conceito comum – mas sempre interessante – sobre uma pessoa que chega a uma nova cidade e precisa se adaptar às regras. Todavia, aqui ele é levado ao extremo: Ethan Burke (Matt Dillon, de Crash: No Limite, 2004) acorda na floresta que dá a entrada para a comunidade Wayward Pines, após sofrer um violento acidente de automóvel nas proximidades. Ferido e atordoado, ele caminha pelas ruas de uma região aparentemente amigável, com comércio ativo, crianças brincando e movimentação comum, e logo é conduzido ao hospital da região, sob os cuidados da enfermeira Pam (Melissa Leo, de Os Suspeitos, 2013). Sem ter acesso a um telefone funcional e não concordando com os termos da médica sobre a necessidade de ficar ali, logo Ethan se hospeda num hotel simples e inicia sua busca por um contato externo, sempre encontrando dificuldades e respostas evasivas.

Ao buscar informações com o estranho Xerife Pope (Terrence Howard, de Homem de Ferro, 2008), fã de sorvete, ele percebe que o local esconde segredos, como a revelação sobre o sumiço de dois agentes federais, motivo pelo qual Ethan teria ido à região para investigar. A dica da atendente Beverly Brown (Juliette Lewis, de Um Drink no Inferno, 1996) leva-o para uma casa velha, onde o corpo de um dos agentes está amarrado à cama, com indícios de tortura. Já Kate Hewson (Carla Gugino, de SinCity – A Cidade do Pecado, 2005), a outra agente, está adaptada ao local, casada e dona de um comércio, parecendo não se lembrar de Ethan, nem mesmo do caso que tiveram no passado e abalou a sua relação com a linda Theresa (Shannyn Sossamon, de A Entidade 2, 2005). Cansada de buscar notícias sobre o marido desaparecido, e acreditando que ele possa estar novamente envolvido com a amante, Theresa vai com o filho Ben (Charlie Tahan, de Eu Sou a Lenda, 2007)) até Idaho para tentar descobrir alguma pista, chegando, obviamente, a Wayward Pines e seus mistérios.

Wayward Pines (2015) (3)

Os primeiros quatro episódios da série levam o público a questionar as atitudes de Ethan, como se ele pudesse ter sofrido um ferimento grave na cabeça – uma sugestão da enfermeira -, mas, a partir do quinto capítulo, tudo o que você imaginava cai por água abaixo numa mudança narrativa tão ousada quanto absurda. Entra em cena uma personagem fundamental para o que se propõe, na interpretação de Toby Jones, o idealizador de um projeto insano. Ao mesmo tempo em que o espectador tenta estabelecer alguma lógica nos acontecimentos, uma nova descoberta faz tudo se tornar ainda mais estranho: as cercas imensas que circundam a cidade não querem evitar que os moradores fujam da cidade, mas que algo entre em seus domínios.

Também há surpresas relacionadas ao papel dos adolescentes na cidade e o modo como novos moradores são trazidos ao local. Com tantas reviravoltas e “loucuras” (não achei termo melhor), os dez episódios acabam sendo atropelados pelo conteúdo: tudo acontece muito rápido, impedindo que o espectador consiga assimilar tudo até a próxima novidade. Ora, são três livros representados numa temporada única, apertando as revelações e diminuindo os espaços de algumas personagens. Ainda assim, o dinamismo é atraente, do mesmo modo que os monstros e os inimigos internos, mas nada é mais bem aceito do que algumas passagens inteligentes do enredo, mostrando momentos anteriores como se fossem concomitantes.

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Além da direção de M. Night Shyamalan no episódio inicial, Wayward Pines também teve o comando de Nimród Antal (Predadores, 2010), James Foley (Medo, 1996, e um episódio do Twin Peaks) e Zal Batmanglij (A Seita Misteriosa, 2011), entre outros. O indiano não fez mais do que seus fãs estão acostumados a ver em seus filmes como a câmera posicionada em lugares diferentes e plano-sequência. Já os efeitos especiais também são comuns, mas eficientes dentro da proposta.

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Tocando em temas como criogenia, isolamento, evolução humana e terrorismo, Wayward Pines é uma boa opção para quem procura séries repletas de mistérios, com elementos sobrenaturais e de ficção científica, além dos que gostam de tudo que é associado ao diretor polêmico, sem limites para a criatividade.

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro “Medo de Palhaço”, além de ter participado de várias antologias de horror!

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