Críticas

Canibais (2003)

Um filme de zumbis com muito sangue e violência em uma história que consegue despertar interesse num crossover com elementos de FC!

Canibais (2003) (1)

Canibais
Original:Undead
Ano:2003•País:Austrália
Direção:Michael e Peter Spierig
Roteiro:Michael e Peter Spierig
Produção:Michael e Peter Spierig
Elenco:Felicity Mason, Mungo McKay, Rob Jenkins, Lisa Cunningham, Dirk Hunter, Emma Randall, Steve Grieg, Noel Sheridan, Gaynor Wensley, Eleanor Stillman, Robyn Moore, Robert Jozinovic, Peter Mensforth, Jacob Andriolo, Michele Steel, William John King, Tim Dickenson, Brad Sheriff, Georgia Potter-Cowie, Francesca Arakelian

Os “zumbis” são um dos mais interessantes subgêneros do cinema de horror, principalmente depois do cineasta George Romero lançar o cultuado clássico fotografado em preto e branco A Noite dos Mortos Vivos em 1968, filme que deu origem a uma trilogia ainda composta por O Despertar dos Mortos (78) e Dia dos Mortos (85). E apesar de ser um tema muito explorado e desgastado, ainda consegue atrair atenção de forma significativa além de possuir um incrível potencial para ser utilizado em filmes que são produzidos todos os anos ao redor do mundo. Um exemplo positivo de mais uma história de zumbis vem da Austrália, com o título nacional Canibais (Undead, 2003), uma produção independente de baixo orçamento dirigida, escrita e produzida pelos irmãos Michael e Peter Spierig.

O argumento apresenta uma mistura de horror explícito repleto de sangue, vísceras e desmembramentos em profusão, com elementos de ficção científica e alienígenas, não apresentando grandes novidades, mas investindo num roteiro divertido infestado de cenas hilariantes e um estilo que homenageia os filmes de mortos vivos do passado e as produções baratas de FC com suas histórias sobre contatos extraterrestres, invasões e epidemias fora de controle.

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Uma pequena cidade do interior da Austrália, Berkeley, cujos habitantes procuram viver suas vidas da forma mais pacata possível, repentinamente é assolada por uma chuva de meteoritos que ao contato com seres vivos, tanto os humanos quanto os animais, espalha uma doença que os transforma em mortos vivos famintos por carne e cérebro. Um pequeno grupo de seis sobreviventes se forma aleatoriamente e ao tentarem fugir dos zumbis lutando por suas vidas acabam se refugiando nos porões de uma casa de campo (no melhor estilo A Noite dos Mortos Vivos), onde eles tem o desafio de controlar suas emoções para tentarem entender o que está acontecendo e sobreviver em meio ao caos que se instaurou na cidade, além de conseguirem o mais difícil, administrar seus próprios conflitos internos.

O grupo é formado pelo estranho Marion (Mungo McKay), um pescador dono de uma loja de armas e também proprietário da casa onde estão isolados; pela bela Rene Chaplin (Felicity Mason), que estava querendo abandonar a cidade após perder a fazenda de seus pais falecidos devido a uma dívida para uma instituição financeira; pelo casal Wayne Wipple (Rob Jenkins), dono de uma pequena empresa de turismo que faz voos fretados, e sua esposa grávida Sallyanne (Lisa Cunningham), que tem inveja de Rene por ela ter ganho um concurso de beleza da cidade; além de uma dupla de policiais formada pelo histérico Sargento Harrison (Dirk Hunter), que adora gritar para impor seu autoritarismo como o representante da lei, e sua parceira submissa Molly (Emma Randall), que apenas segue os passos de seu superior e enfrenta regulares crises de asma quando está nervosa.

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Eles são obrigados a sair da casa por causa da gravidez de Sallyanne e enfrentam zumbis interessados em devorar suas carnes, com direito a tiroteios, correrias, gritarias, abduções, banhos de chuva ácida, corpos dilacerados, vísceras penduradas e muito sangue manchando a tela de vermelho, além de uma série de revelações que mostram que a tragédia que se abateu em Berkeley pode não ser apenas uma epidemia de zumbis causada pela queda dos meteoritos vindos do espaço sideral.

Não faltam cenas sangrentas e de extrema violência, como por exemplo quando uma garota zumbi simplesmente arranca com uma das mãos o cérebro de uma mulher, e o devora tranquilamente. Além de um outro zumbi ser literalmente cortado ao meio pelo disparo de uma arma especial tripla projetada por Marion, arremessando a parte superior do infeliz morto vivo dezenas de metros longe, deixando seu quadril e pernas andando sozinho e sem rumo.

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A fotografia é bastante escura a maior parte do tempo, para facilitar os trabalhos dos efeitos visuais, escondendo melhor suas falhas, com o roteiro tratando de justificar a escuridão com um isolamento da cidade, incluindo enormes muros ao seu redor e nuvens espessas e sombrias cobrindo tudo. O filme possui alguns exageros, principalmente no combate aos zumbis, onde o pescador Marion demonstra suas incríveis habilidades no manuseio de armas de fogo, além de uma notável agilidade física em movimentos bastante improváveis.

Mas, de uma forma geral, Canibais garante um ótimo entretenimento pois é um filme de zumbis com muito sangue e violência, momentos hilários, uma história que apesar de investir em clichês básicos do gênero ainda consegue despertar interesse num crossover com elementos de FC, além do charme de ser uma produção independente fora do tradicional mercado americano, gerada com recursos próprios pelos irmãos Spierig, que fazem de tudo, desde a direção aos efeitos visuais.

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Canibais foi lançado no mercado brasileiro de vídeo VHS e DVD no final de 2003 pela “Alpha Filmes”. Entre as várias e interessantes curiosidades sobre o filme e os bastidores, destacamos o fato de ser uma produção de baixo orçamento, algo em torno de US$ 1 milhão, que é pouco quando comparado com outros filmes similares sobre zumbis feitos na mesma época como por exemplo a franquia Resident Evil. Uma das características que comprovam sua condição de independente é que os irmãos australianos Michael e Peter Spierig são multifuncionais na equipe técnica, assumindo a direção, construção da história, produção com recursos próprios (e com a ajuda de amigos e familiares), os trabalhos de edição e a criação e supervisão dos efeitos visuais utilizando seus computadores pessoais em cerca de nove meses de pós produção. Por causa da limitação do orçamento disponível, muitas cenas foram feitas em tomadas únicas, sendo que os atores (todos desconhecidos) ensaiaram suas atuações durante dois meses antes do início das filmagens. E para garantir uma imensa quantidade do vital líquido vermelho jorrando para todos os lados, foram utilizados mais de seiscentos litros de sangue falso.

Mais um detalhe curioso foi que no roteiro original não haviam palavras de baixo calão e que todos os muitos xingamentos proferidos ao longo do filme foram improvisados pelos atores. Aliás, isso foi uma das coisas que ajudaram a tornar o filme ainda mais hilário em determinadas cenas, principalmente quando o histérico Sargento Harrison gritava um monte de bobagens contra seus companheiros e para os zumbis canibais que estavam atrás de sua carne e cérebro. Coisas do tipo (conforme a tradução das legendas): “Seu cabeça de titica de macaco morto!”, ou “Ninguém vai morrer hoje! Não no meu turno!”, ou ainda os incontáveis “fuck” que acompanhavam quase todas as frases que falava. Certamente foi o personagem mais engraçado da história, um policial tão paranoico que cujo comportamento descontrolado transmitia uma sensação ainda maior de insegurança ao grupo, frente à horda de zumbis carnívoros que os ameaçavam.

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Outro personagem marcante foi o pescador Marion, também dono de uma loja de armas de fogo, que foi o protagonista de uma sequência extremamente hilária num confronto contra peixes zumbis que ele havia capturado momentos antes de serem atingidos por um meteorito e consequentemente infectados com a praga que os transformaria em mortos vivos. Os peixes zumbis saltavam em direção ao rosto de Marion e somente eram abatidos com disparos de um revólver que estraçalhavam seus corpos. Ele usa um chapéu enorme e veste roupas típicas de um morador de uma pequena cidade do interior, combatendo os zumbis com uma arma especial composta por três canos grossos e longos (sua figura ilustra a capa do vídeo). Sem contar que todas as suas frases são ditas numa frieza e calmaria tão incomuns, principalmente para aquela situação tensa de invasão de zumbis carnívoros, que acabam tornando-o completamente sinistro e misterioso.

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3 Comentários

  1. Mk

    Quem diria que os diretores do Predestinado haviam começado com isso. Assisti em 2008 e nem sabia que era de 2003!!!

  2. Yves

    Não gostei. Prefiro o de vampiros “2019 O ano da extinção”. Hahahahaha…

  3. Yves

    Não gostei. Prefiro o de vampiros “2019 O ano da extinção”.

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