Críticas

Evil Dead Trap (1988)

Evil Dead Trap tem sangue, vermes, monstros, enfim tudo que o apreciador de um bom gore pode querer.

Evil Dead Trap
Original:Shiryô no wana
Ano:1988•País:Japão
Direção:Toshiharu Ikeda
Roteiro:Takeshi Ishii
Produção:Satoshi Jinno, Tadao Masumizu, Atsushi Watanabe, Michio Ôtsuka
Elenco:Miyuki Ono, Aya katsuragi, Hitomi Kobayashi, Eriko Nakagawa, Mahasiko Abe.

Antes de tudo é preciso alertar o leitor incauto que este filme nada tem ver com o mítico Evil Dead de Sam Raimi. É, sim, uma produção de horror japonês com gore e bizarrices bem ao gosto dos habitantes do sol nascente.

Nami (Miyuki Ono) é uma apresentadora de um programa de TV noturno que pede para seus telespectadores lhe enviarem filmagens caseiras. Um dia a moça recebe um VHS em que uma pessoa é brutalmente assassinada. Isso mesmo, um snuff, com direito a um close de um olho vazando no melhor estilo Lucio Fulci. O que a moça faz então? Leva a fita para a polícia investigar? Claro que não. Sabendo que a filmagem foi feita numa base militar desativada, Nami reúne sua equipe de filmagem e parte para o local, fazer uma investigação por conta própria, visando um próximo programa.

Chegando à base, a apresentadora conhece um homem misterioso (Aya katsuragi) que está procurando seu irmão. Enquanto isso a equipe de filmagem vai sendo aos poucos eliminada, com direito a sangue e podreira.

Nami descobrirá uma trama louca envolvendo loucura, um feto monstruoso e um clima bizarro digno de David Cronenberg.

Evil Dead Trap é a obra mais famosa de seu diretor Toshiharu Ikeda, falecido em 2010, quando seu corpo foi encontrado em um rio – acredita-se que tenha sido suicídio já que ele enfrentava a depressão fazia algum tempo. O roteiro do filme ficou a cargo de Takeshi Ishii, também diretor (notável realizador de “pinku eiga”, subgênero do exploitation japonês envolvendo erotismo) e também roteirista de mangás.

A obra foi uma produção da Japan Home Vídeo (JHV), no afã de realizar um filme de horror. Curiosamente a JHV tinha uma subdivisão de filmes adultos chamada Alice Vídeo. Quando foram produzir Evil dead Trap a produtora queria que o filme fosse um veículo para atriz Hitomi Kobayashi, ícone das produções pornográficas da Alice Vídeo, porém Toshiharu Ikeda ficou inseguro quanto ao talento da atriz e escalou Miyuki Ono para o papel principal, deixando Hitomi para um papel secundário, onde mostra seus peitos, em cenas de sexo gratuitas, que estão lá apenas para justificar a presença da moça.

O que fica evidente em Evil Dead Trap é a influência do cinema de horror italiano, principalmente Dario Argento. A paleta de cores e a iluminação de algumas cenas são dignas de obras como Suspiria e Inferno. Sem falar na trilha de Tomohiko Kira, que lembra muito as trilhas do Goblin.

Os efeitos de maquiagem ficaram a cargo de Shinichi Wakasa, que depois trabalharia na franquia Godzilla.

O filme começa intenso, com mortes violentas e criativas, mas vai perdendo o fôlego lá pela metade da duração, mas retoma o ritmo em seu ato final completamente insano. Eis seu problema mais grave, o ritmo irregular. O segundo ato, com quase todo o elenco eliminado, Nami fica conversando a maior parte do tempo com o estranho misterioso. É quase interminável, mas se o espectador sobreviver a esse ato se surpreenderá com o final explosivo.

A obra teria ainda duas continuações, uma em 1992, dirigida por Izô Hashimoto e outra em 1993 com Toshiharu Ikeda retornando a direção.

Evil Dead Trap tem sangue, vermes, monstros, enfim tudo que o apreciador de um bom gore pode querer. Tem também um capricho estético e um final devastador.  Recomendável.

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1 Comentário

  1. Eu gosto demais desse filme , repleto de Gore e insanidade com o final foda !
    ” Evil Dead Trap ” de 1988 é lógico que está na minha coleção !

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