4.2
(5)
Planeta dos Macacos - A Origem (2011)
Evolução e Revolução!
Planeta dos Macacos: A Origem
Original:Rise of the Planet of the Apes
Ano:2011•País:EUA
Direção:Rupert Wyatt
Roteiro:Rick Jaffa, Amanda Silver, Pierre Boulle
Produção:Peter Chernin, Dylan Clark, Rick Jaffa, Amanda Silver
Elenco:James Franco, Freida Pinto, Karin Konoval, Andy Serkis, Terry Notary, Christopher Gordon, Devyn Dalton, Jay Caputo, John Lithgow, Brian Cox, Tom Felton, David Oyelowo

Provavelmente o escritor francês Pierre Boulle não imaginava que sua obra La Planète des singes, escrita em 1963, iria render um clássico absoluto de ficção científica cinco anos depois e uma franquia sensacional que se estenderia por mais de quarenta anos. Mais conhecido pelo bestseller A Ponte do Rio Kwai, Bouller costumava acrescentar em suas obras muito do que experimentara na 2ª Guerra Mundial ao se alistar no exército na Indochina francesa. Por isso não é difícil entender as mensagens transmitidas nas produções baseadas em suas obras, quando ele criticava a natureza da guerra como um retorno do Homem às suas origens.

Foram realizados sete filmes, uma série para a TV e um desenho animado baseados nos símios e no conflito com o Homem. Depois da franquia antiga, composta de O Planeta dos Macacos (1968), De Volta ao Planeta dos Macacos (1970), A Fuga do Planeta dos Macacos (1971), A Conquista do Planeta dos Macacos (1972) e A Batalha do Planeta dos Macacos (1973), foi realizado um remake em 2001, dirigido por Tim Burton, e agora um prelúdio não-assumido intitulado Planeta dos Macacos: A Origem, que chegou aos cinemas brasileiros em 26 de agosto de 2011, comprovando o quanto essas criaturas podem conquistar mais do que um planeta, mas a simpatia daqueles que buscam entretenimento nos cinemas.

Planeta dos Macacos - A Origem (2011) (2)

Dirigido por Rupert Wyatt, a partir de um roteiro escrito por ele em parceria de Daniel Hardy (ambos trabalharam no thriller The Escapist, 2008), Planeta dos Macacos: A Origem se passa nos dias atuais num laboratório de pesquisas científicas que realiza testes com macacos para descobrir a cura de doenças degenerativas como o Alzheimer. O cientista Will Rodman (interpretado por James Franco) tem uma motivação especial para as experiências: seu pai, Charles (John Lithgow, que em 1987 teve um contato divertido com um animal inteligente em Um Hóspede do Barulho), sofre da doença e já não consegue mais tocar piano e está confundindo lembranças. Depois que a chimpanzé Olhos Brilhantes (referência ao apelido dado pela Dra. Zira a Taylor em O Planeta dos Macacos) – que ganhou esse apelido devido à coloração dos olhos causada pela droga ALZ-112 – demonstra avanços cognitivos, Rodman realiza uma palestra para arrecadar fundos e a permissão para iniciar experiências em humanos. No entanto, o animal escapa de seu cativeiro e, violento, causa uma confusão no local, até ser morto pelos seguranças. É descoberto que a fúria de Olhos Brilhantes teve como motivo o fato dela ter dado à luz recentemente e estar distante de seu filhote. Com o cancelamento dos avanços científicos, Rodman decide levar o bebê para criar em casa, além de testar a droga em seu pai, conseguindo bons resultados.

Batizado de César (referência ao filho da Dr.Zira e Cornelius em A Fuga do Planeta dos Macacos), o animal cresce no novo lar, tornando-se uma atração e ao mesmo tempo causando incômodo no vizinho. Aos poucos, sua capacidade de raciocínio se torna ainda mais evoluída, permitindo que o animal se comunique por sinais e entenda as reações de seu pai, Rodman, e a namorada Caroline Aranha (Freida Pinto, de Quem Quer Ser um Milionário?). No entanto, após dez anos, um incidente na vizinhança leva César para um abrigo de animais, comandado por John Landon (Brian Cox, de Red – Aposentados e Perigosos) e seu filho Dodge (Tom Felton, fazendo um vilão parecido com o seu Draco Malfoy), além do simpático Rodney (Jamie Harris, de O Besouro Verde), e lá ele descobre o lado agressivo dos humanos e começa a planejar uma possível revolta pela liberdade. Em tempo, Landon e Dodge eram os parceiros de Taylor na viagem espacial que culminou com a queda da nave em O Planeta dos Macacos, de 68; e Rodney é uma homenagem ao astro da franquia antiga Roddy McDowell.

É impossível não falar de Planeta dos Macacos: A Origem sem mencionar os impressionantes efeitos especiais! Com uma mistura de CGI com a animação de movimentos do ator Andy Serkis (que interpretou o King Kong no filme de 2005), a WETA conseguiu grandes evoluções nos efeitos especiais principalmente nas expressões faciais e nos olhos – sem aquela aparência sem vida do passado. A empresa chegou a dizer que a tecnologia era ainda superior aos efeitos de Avatar, de James Cameron, que já eram incríveis. Se os macacos de 1968 já eram dignos de Oscar, e os de Tim Burton chegaram a arrepiar na maquiagem, neste novo filme temos animais interagindo com os homens de forma absolutamente natural, mostrando que não há mais limites para os efeitos especiais.

Além da tecnologia de primeira, o filme é bem movimentado com muitas surpresas e mantém a expectativa do público para a cena da Ponte de São Francisco, o momento mais espetacular da produção. Se no filme de 1971, A Fuga do Planeta dos Macacos, era difícil imaginar como aquela centena de macacos seria capaz de dominar um planeta inteiro, neste a solução foi encontrada de forma coerente ao introduzir um vírus mortal para os homens, mas inofensivo para as criaturas.

Planeta dos Macacos - A Origem (2011) (3)

Outro ponto positivo da produção são as inúmeras referências à franquia antiga, homenageando tudo o que foi mostrado e permitindo ao público um diálogo entre toda a série dos apes. Como na cena em que César brinca com um quebra-cabeça da Estátua da Liberdade, numa referência ao final do clássico; a aparição de uma chimpanzé chamada de Cornélia – lembrando Cornélius e Zira; na primeira palavra de César, o grito Não, que remete as palavras de Cornélius em A Fuga do Planeta dos Macacos; na falas do personagem de Tom Felton: It’s a madhouse! A madhouse! e Take your stinking paws off me you damn dirty ape!, ditas por Charlton Heston no primeiro filme. Aliás, o ator faleceu em abril de 2008, mas foi lembrado através de dois momentos em que passam na televisão filmes em que atuou: Agonia e Êxtase (1965) e Os Dez Mandamentos (1956).

Por outro lado, James Franco talvez não tenha sido a escolha ideal para viver o protagonista. Embora carismático, ele não é capaz de manter toda a carga emotiva de seu personagem nos conflitos com seu pai e até nos encontros com César no abrigo e mais tarde na Ponte de São Francisco. Ele já havia mostrado uma certa deficiência em Homem-Aranha, apesar de ter feito um ótimo trabalho em 127 Horas.

Contando com ótimas cenas de ação e momentos emocionantes, Planeta dos Macacos: A Origem mostra o quanto o tema é sempre bem-vindo. Desde já, fico no aguardo da próxima produção com os apes, mesmo que ela seja realizada daqui a dez anos para contar o próximo passo da saga dos macacos inteligentes! Enfim, um filme altamente recomendável!

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 4.2 / 5. Número de votos: 5

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

Sobre o Autor

2 Comentários

  1. O ator Tom Felton, que interpretou o vilão Draco Malfoy nos oito filmes da franquia recentemente apareceu no filme Risen, que é uma espécie de sequela do “Paixão de Cristo”. Eu não sou um fã deste gênero de filme, mas eu gostei da perspectiva ateísta com uma estrutura narrativa realizada da maneira mais respeitosa, honesta e real. Aqui eu encontrei algumas informações e programações sobre o filme: http://www.hbomax.tv/movie/TTL603372/Ressurreição Vale a pena vê-lo como ele é uma adaptação do que acontece depois que Jesus ressuscita.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *