Praga Infernal (1975)

Praga Infernal (1975) (4)

Praga Infernal
Original:Bug
Ano:1975•País:EUA
Direção:Jeannot Szwarc
Roteiro:Thomas Page, William Castle
Produção:William Castle
Elenco:Bradford Dillman, Joanna Miles, Richard Gilliland, Jamie Smith-Jackson, Alan Fudge, Jesse Vint, Patty McCormack, Jim Poyner

Praga Infernal (Bug, 1975) pertence a uma linha tão recorrente do chamado cinema catástrofe que inundou a década de 1970 que é outro exemplar do subgênero de filmes, geralmente com cutucadelas ecológicas, a mostrar animais que, por um ou outro motivo, escorregam pela borda da normalidade e passam a ameaçar a civilização. Época de filmes como Picada Mortal (1967), O Ataque das Rãs (1972), Tubarão (1975), O Ataque das Cobras (1977), Enxame (1978), Piranha (1978), Alligator (1980) e até mesmo Hitchcock – por que não? – com o seu épico iniciador, talvez o pai de todos eles, Os Pássaros (1963). Na maioria das vezes esses filmes têm como ponto de partida eventos relacionados à própria incompetência humana; mas também, e como preferem alguns, podem surgir como uma espécie de “vingança da natureza” contra o homem. De uma forma ou de outra, eles vêm sendo uma constante desde a época em que o cinema deu seus primeiros passos.

A curiosidade deste aqui é o fato de ter sido escrito e produzido por William Castle, famoso produtor e diretor de filmes B dos anos 50 e 60 (A Casa dos Maus Espíritos, Força Diabólica, 13 Fantasmas, entre dezenas de outros), que fazia um sucesso tremendo com seus filmes “interativos“.

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Fora isso, não há praticamente mais nada que justifique sua existência: depois de ocorrer um modesto terremoto numa cidadezinha rural da Califórnia, baratas incendiárias emergem do subterrâneo e passam a amedrontar a região com incêndios e ataques mortais. Interessante a cena em que um gato bobalhão resolve brincar com um grupo de baratas e é incinerado vivo. No meio tempo, o professor James Parmiter (Bradford Dillman) acaba se envolvendo com os bichos, que haviam se instalado no cano de escapamento de seu carro, tem a casa invadida pelos insetos e perde a esposa (Joana Milles), vítima de outros dos ataques incendiários das baratas (uma das baratas se aloja em seu cabelo, sem que ela perceba, e começa a soltar suas faíscas mortais, quando ela começa a se incendiar rapidamente, em meio a gritos aterrorizantes).

Até esse ponto, o filme se conduz com algum interesse, nos fazendo crer que muitos outros ataques incendiários estarão pela frente; ao invés disso, porém, vemos o professor Parmiter ficar neurótico com a perda da esposa e se converter numa espécie de cientista louco, obcecado pelas baratas, realizando experiências misteriosas cujo objetivo, se alguma vez houve um, se mantém em mistério total para nós: ele descobre que as baratas incendiárias, por provirem das profundezas do subsolo, não suportam a pressão atmosférica da superfície e começam a estourar. Em suas pesquisas, ele resolve então manter uma barata sobrevivente numa câmara de baixa pressão e cruza-la com baratas domésticas comuns, só para ver o que acontece. Nisso, acaba criando uma terceira raça de baratas mutantes, inteligentes e capazes de manter comunicação (via mensagens escritas em inglês), além de carnívoras. Acaba virando uma das vítimas das terríveis criaturinhas rastejantes (agora também voadoras), num final “quase apocalíptico“.

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Produção equivocada que se arrasta num espiral de monotonia sem fim, pontuada por uma trilha sonora inconveniente e irritante, não dá para saber se Praga Infernal quer passar alguma mensagem, se quer ganhar dinheiro explorando um tema que era a febre dos anos 70, ou se quer simplesmente divertir; o certo é que, qualquer que tenha sido seu intento, seu fracasso é retumbante. O tipo de filme que dá tempo de você dar uma cochichada boa sem perder muita coisa (falo por experiência própria). O melhor de tudo fica mesmo para as pouquíssimas sequências envolvendo as baratas mutantes (é interessante especular de onde a produção conseguiu aqueles monstros verdadeiramente horrendos, do tamanho de besouros; talvez alguma exótica espécie africana, ou de algum lugar quente qualquer, quem sabe da América do Sul mesmo – o caso é que dá até para vê-las respirar, inflando e diminuindo, como se, de fato, estivessem sofrendo com a pressão atmosférica. Tirando a questão do fogo, eu me recuso em acreditar que aquilo tenha sido meros efeitos especiais).

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A película foi dirigida por Jeannot Szwarc, então um requisitado diretor de seriados de TV (como “Columbu“, “Kojak” e “O Homem de Seis Milhões de Dólares“), a partir do roteiro de William Castle e Thomas Page (que também é o autor da história original, a novela “The Haphaestus Plague“). O ator Bradford Dillman, para quem não sabe, esteve envolvido em vários filmes com animais “furiosos“: além de Fuga do Planeta dos Macacos (1971), ele participou também dos já citados Piranha, de Joe Dante, e do famigerado Enxame, de Irwin Allen, tudo na época em que os ataques de animais eram uma constante no cinema de horror. Vale lembrar que também é ele quem estrela aquele divertidíssimo episódio do seriado de Rod SerlingGaleria do Terror“, exibido nos anos 70, “O Modelo de Pickman“, baseado em conto de H. P. Lovecraft (nesse episódio, ele se vê às voltas com um monstro furioso do subsolo).

Esta tralha está disponível no nosso mercado de fita selada VHS. Quem quiser se arriscar é só procurar. Isento-me de responsabilidade.

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E R Corrêa

E R Corrêa

"No edifício do pensamento não encontrei nenhuma categoria na qual pousar a cabeça. Em contrapartida, que belo travesseiro é o Caos!" (Cioran)

Um comentário em “Praga Infernal (1975)

  • 19/02/2015 em 21:27
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    Esse é realmente bem monótono e nunca consegui assisti-lo inteiro. Foi exibido no extinto TV Terror! na RedeTV! e simplesmente dormi de tão entediado.

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