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Maníaco
Original:William Lustig’s Maniac: The Official Novelization
Ano:2025•País:França
Autor:Stéphane Bourgoin•Editora: DarkSide Books

Dirigido por William Lustig, O Maníaco foi considerado um filme extremamente violento e obsceno na época de seu lançamento, em 1980. Em Manchester e Lancashire, o filme foi apreendido por forças policiais durante o pânico de vídeos violentos, recebeu diversas críticas negativas e foi taxado como repulsivo e até mesmo misógino. Atualmente, alcançou o status de clássico cult do horror e notoriamente reconhecido por seus excelentes efeitos especiais práticos – créditos de Tom Savini – mesmo com o baixíssimo orçamento e pela atuação assustadora de Joe Spinell como o assassino Frank Zito. Sem filtros, cru e violentamente obscuro, esse é O Maníaco. Anos depois, Stéphane Bourgoin lançou a novelização do filme, publicado recentemente no Brasil pela DarkSide Books em parceria com a Macabra, com prefácio do próprio diretor.

Frank Zito teve uma infância infeliz. Desprezado por sua mãe, sem pai e com uma irmã que recebia toda a atenção que queria para si, seu maior desejo era ser amado por sua progenitora. Conforme os anos foram passando, um desejo insaciável foi crescendo dentro dele uma forma incontrolável, até finalmente explodir. Frank cometeu seu primeiro assassinato. Nos anos seguintes foi se aprimorando, até que matar e escalpelar mulheres se tornasse um hobby para relaxar e, de algum modo, se sentir mais próximo de sua mãe. Em casa, o assassino mantém uma coleção de manequins com o escalpo de suas vítimas. As ruas de Nova York estão ameaçadas, e os crimes de Frank estão mais brutais a cada dia que passa.

Diferente de outros slashers, não sabemos quase nada sobre as vítimas, não há um grupo selecionado de potenciais sobreviventes, tudo que temos é Frank Zito e sua mente doentia e fragmentada. O assassino não possui poderes sobrenaturais, não é invencível, é apenas um homem extremamente perigoso que pode atacar a qualquer momento, que pode ficar violento sem motivo. Apesar de perturbador, é um retrato muito próximo da realidade.

No livro, estamos dentro da mente quebrada de Frank, uma mente suja e depravada que nos deixa extremamente desconfortáveis. Não somos apenas espectadores de seus atos hediondos, somos cúmplices. Cada detalhe do escalpelamento é descrito como se a faca estivesse em nossas mãos. No filme, a brilhante atuação de Spinell é assombrosa, mas o livro é impactante de uma forma diferente. Muito disso se deve ao fato de que Bourgoin é um criminologista, portanto, sua escrita é feita de uma forma que parece que estamos testemunhando crimes reais, e não a novelização de um slasher dos anos 80. A narrativa é densa, com uma atmosfera sufocante, fazendo com que seja difícil digerir tudo de uma só vez – mesmo sendo um livro curto. O autor adiciona uma densidade emocional que deixa tudo ainda mais perturbador. Somos arrastados para dentro da lógica distorcida de Frank, vemos os crimes com seus olhos, compartilhamos seus impulsos, e nos sentimos sujos por isso. Em alguns momentos a leitura pode ficar cansativa justamente pela psique desequilibrada do protagonista. Certos pontos que funcionam bem na tela podem não ficar tão bons nas páginas por causa do aspecto confuso de Frank. Essa é a proposta do autor, fazer com que o leitor se sinta dentro de um psicológico completamente desequilibrado, o que causa um estranhamento inicial especialmente para aqueles que nunca assistiram ao filme.

Frank é apenas um homem. Abandonado, rejeitado e negligenciado, que encontrou na brutalidade um escape de sua realidade insuportável. Sem máscaras, sem algo icônico ou emblemático para deixá-lo marcante. Apenas um homem que aparenta ser solícito e simpático…até não ser mais. A banalidade da violência de seus crimes é algo que choca, mas também é algo real. É mais provável que encontremos um Frank Zito nas ruas do que um Jason Voorhes. Temos inúmeros exemplos de serial killers por aí para provar, e isso sim é aterrorizante de verdade.

No final do livro, temos dados estatísticos sobre assassinos em série e correlacionando-os com os comportamentos de Frank, o que enriquece muito o material.

A novelização de Maníaco consegue ser quase tão brutal quanto o longa de Lustig. Nas telas, a atuação de Spinell e os efeitos de Tom Savini fazem toda a diferença, mas a escrita de Bourgoin não deixa nada a desejar no quesito causar desconforto e descrever cenas grotescas e incomodas que nos confrontam a todo momento. Não é um livro feito para agradar ou passar o tempo de forma leve, é uma obra sem sutilezas. É indigesto, sem concessões ou profundas reflexões, que entrega exatamente o que promete: uma mente brutalmente doentia, fruto de anos de repressão.

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Sobre o Autor

1 comentário

  1. Li esse livro e achei bem bacana, gostei dessa coleção de novelizações de filmes de terror lançada pela DarkSide. Vocês poderiam fazer também uma resenha do livro Basket Case, de Armando Muñoz, que faz parte dessa mesma coleção.

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