Críticas

Sexta-Feira 13 (2009)

Doses de nostalgia em um resumão dos primeiros filmes da série!

Sexta-Feira 13 (2009)

Sexta-Feira 13
Original:Friday the 13th
Ano:2009•País:EUA
Direção:Marcus Nispel
Roteiro:Damian Shannon, Mark Swift
Produção:Michael Bay, Sean S. Cunningham, Andrew Form
Elenco:Jared Padalecki, Amanda Righetti, Derek Mears, Danielle Panabaker, Travis Van Winkle, Aaron Yoo, Jonathan Sadowski, Julianna Guill, Ben Feldman, Arlen Escarpeta, Ryan Hansen, Willa Ford

Quem acompanha o Boca do Inferno desde os seus primórdios sabe que a ideia de realização de mais um filme da série Sexta-Feira 13 já existia há muitos anos. No entanto, ganhou força em 2005 quando Quentin Tarantino disse em entrevista que gostaria de trabalhar num projeto chamado “The Ultimate Jason Voorhes Movie“. Na verdade, não passou de um boato desmentido pelo próprio diretor, mas isso foi o suficiente para inflamar a imprensa e os fãs pela possibilidade de trazer Jason Voorhees de volta às telonas. Bom, se o músico Rob Zombie conseguiu fazer um remake de Halloween e até uma continuação, por que o cultuado cineasta das referências e violência urbana não conseguiria realizar algo digno de nota?

Independente da fonte original, a realização de uma refilmagem sempre é vista com olhos raivosos uma vez que filmes ruins são merecedores de uma nova roupagem, mas clássicos do gênero refeitos sempre soam como interesse unicamente comercial com a desculpa de atrair novos fãs e resgatar a produção de origem. Há exceções, claro. Quando utilizam apenas o conceito original numa produção completamente nova, o resultado muitas vezes é satisfatório. Madrugada dos Mortos, por exemplo. Os fãs de Despertar dos Mortos repudiam o filme de Zack Snyder, sendo que o diretor utilizou apenas o argumento das pessoas sobreviventes ilhadas num shopping, completamente cercado por zumbis comedores de carne humana. Houve também reações adversas às estreias de Viagem Malditaremake de Quadrilha de Sádicos, feito quase cena à cena, mas com as falhas do filme original consertadas e um acréscimo de violência gráfica e efeitos especiais de qualidade. E o que dizer, então, da segunda versão de O Massacre da Serra Elétrica, lançado em 2003? Apesar de toda a indignação dos fãs, Marcus Nispel, que era apenas um diretor de videoclipes, soube trabalhar adequadamente com o material original, numa produção diferente e bem realizada, ainda que tenha deixado de lado o aspecto documental e sujo do original e optado por rostos “mais limpos e bonitos” e um final que remetesse ao cultuado A Bruxa de Blair. Podem reclamar o quanto quiserem, mas são três bons exemplos de filmes interessantes que respeitam a obra original e mereceriam uma nota melhor por parte dos fãs e críticos do gênero.

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Aliás, esse mesmo Marcus Nispel recebeu o convite ousado da “Platinum Dunes” – que conseguira convencer as duas poderosas “New Line” e “Paramount” (que detinham os direitos sobre a série e os personagens) a recriar a história do assassino de Crystal Lake, já que Quentin Tarantino tinha deixado evidente que era “carta fora do baralho“. A aceitação foi ousada porque refazer um dos slashers mais conhecidos da história do cinema é mais complicado do que se parece. Jason Voorhees tem uma história mais popular, uma máscara mais conhecida, e uma imortalidade mais comentada e invejada em relação aos outros ícones do gênero, embora seus filmes, pelo conjunto da obra, sejam inferiores. Por mais que não goste do estilo, todo mundo já viu Jason em ação, sabe um pouco da mitologia da série – a mãe assassina, principalmente – e reconhece o Acampamento Crystal Lake como ambiente dos filmes.

Fazer um prelúdio também seria difícil, já que o filme provavelmente seria um drama contando a vida de uma criança sendo ignorada durante um afogamento num acampamento e seu processo de recuperação nos anos seguintes – talvez, se escondendo na floresta, enquanto sua mãe planejava uma vingança contra os monitores do local. Uma sequência também poderia se tornar um problema para os roteiristas, pois teriam que retratar um Jason “atualizado” ou esquecer a viagem para o futuro do personagem, optando por um filme entre os já lançados da franquia. Para os fãs da série, qualquer deslize do roteiro poderia ser mal recebido, mas não haveria uma possibilidade do novo filme deixar de lado aqueles que desconhecem a série e os detalhes da saga e querem uma boa apresentação do ícone.

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Como fã da franquia a ponto de fazer maratonas e programar sessões em casa com a família, eu imaginava que o ideal Nispel conhecia: um filme que fosse independente de toda a série e ao mesmo tempo contasse a origem e apresentasse o assassino para o público atual, sem desrespeitar tudo o que já foi discutido em fóruns durante décadas pelos apaixonados pela carnificina de Jason. É óbvio que não daria para refazer cena à cena o primeiro filme, porque o público quer ver Jason e não a mãe assassina; não seria uma surpresa sua identidade, sua motivação e até mesmo o seu fim trágico. Para um filme com o rótulo Sexta-Feira 13, o que basta são as mortes violentas de jovens fúteis, não importando se o roteiro poderia conquistar um prêmio na Academia – não espere ver algo que vai mudar a sua vida.

Assim, estreou nos cinemas brasileiros no dia 13 de fevereiro de 2009 o aguardado remake de Sexta-Feira 13. O trailer já deixava claro sua intenção: sexo, drogas, mulheres lindas e muitas mortes ocasionadas pelo encontro de jovens idiotas com um Jason mais ágil, forte e cruel. Poderia sair algo bom de tudo isso? Depende do que o público espera. Não seria nenhuma novidade, mas ainda assim traria aquela nostalgia dos slashers da década de 80, podendo ser uma diversão passageira.

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Fazendo uso de uma fotografia um pouco granulada para remeter a um acontecimento do passado, o filme começa em 1980, numa sexta-feira 13, óbvio. Uma garota corre desesperadamente pela floresta até encontrar a responsável pelo seu sofrimento – e que os fãs sabem se tratar de Pamela, mãe de Jason. Ela diz que a jovem é a última sobrevivente e a acusa por ter deixado o seu filho se afogar em Crystal Lake. Mesmo com a negativa, a mãe tenta agredi-la, mas acaba perdendo literalmente a cabeça quando recebe um único golpe com uma pá. Tudo isso você viu no final de Sexta-Feira 13 – Parte 1, com exceção de um pequeno detalhe: vemos as pernas de um menino próximo ao corpo da assassina. Ele pega o medalhão da morta – em que há duas fotos, a de um garoto deformado e uma jovem, enquanto os sons da tempestade se misturam com a frase: “Kill for mom” (“Mate por sua mãe” – frase que seria usada para formar os fonemas “kill” e “mom” da famosa música da série.)

Nos dias atuais, um grupo de jovens babacas entram no Acampamento Crystal Lake atrás de uma plantação de maconha. Aqui, o local já não tem mais aquele aspecto real de acampamento de crianças, como nos filmes da série. Garotas bonitas, rapazes tarados, com suas frases idiotas que já deixam evidente o fim que terão. Não vemos entre eles, o ator Jared Padalecki, logo imaginamos não se tratar do elenco principal – mais uma pista de que eles terão em breve um encontro com um facão afiado. Sabendo disso, nem vale a pena desperdiçar muito tempo descrevendo-os já que eles não ficarão nem dez minutos em cena. O destaque fica por conta do casal que decide se afastar dos demais e acaba encontrando a “casa de Jason“, num momento completamente inspirado em O Massacre da Serra Elétrica. Suja, feia, destruída, com restos de comida estragada, e muitos móveis velhos – bem diferente do que seria mostrado em Sexta-Feira 13 – Parte 2 (mas a cabeça da mãe está lá, marcando presença!) Um detalhe sutil, mas bem planejado, entra em cena quando o casal encontra vários apitos guardados como troféus, evidenciando a quantidade de monitores que morreram na região.

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Também da segundo filme da antiga série veio a inspiração para o rapaz que conta para os demais a lenda de Jason, que vive por ali, fazendo vítimas. Com um saco cobrindo seu rosto, eis que o protagonista surge imponente na mata, como um exterminador. Ele nem precisa se esforçar muito, pois os jovens já oferecem todas as oportunidades para morrer: um sai para urinar, dois resolvem transar, outro decide procurar aquele que desapareceu. Pronto. Mortes sangrentas, com alguma criatividade até: temos uma jovem que morre queimada enrolada como um cigarro, e um rapaz que recebe diversas “espetadas” dolorosas, pouco tempo antes de morrer de forma violenta. Toda essa sequência sangrenta acontece antes dos créditos iniciais.

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Logo após o nome do filme surgir na tela, somos apresentados aos personagens que acompanharemos no decorrer da produção. O babaca riquinho Trent (Travis Van Winkle, que atuou com um personagem de mesmo nome em Transformers) convida os amigos para curtir um final de semana em sua casa, cujo local fica em….Crystal Lake. (como a família mantém uma casa num local amaldiçoado como aquele, ninguém sabe.) Ele namora a bonitinha Jenna (Danielle Panabaker, de Instinto Secreto), que acaba se sentindo levemente atraída por um rapaz que procura informação sobre a irmã que desapareceu há cerca de um mês. Ele é Clay Miller (interpretado pelo Supernatural Jared Padalecki), que veio para a região a procura de Whitney Miller (Amanda Righetti, de De Volta à Casa da Colina), a última a ter sido atacada por Jason na cena inicial. Clay é uma referência ao personagem Rob Dier, de Sexta-Feira 13 – Parte 4, que também procurava a irmã. Completam o cardápio de Jason, Chewie (Aaron Yoo, aquele japonês que também era chato em Paranóia), a gostosissima Bree (Julianna Guill, de CSI), o casal – Nolan (Ryan Hansen, de Super-Herói – O Filme) e Chelsea (Willa Ford, de Impulse), além de Lawrence (Arlen Escarpeta, de Dough Boys), que providencia o humor característico do personagem. “Você acha que só porque eu sou negro, não posso gostar de Green Day?”

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Apesar dos avisos de uma senhora (Rosemary Knower), que faz o papel de “Crazy Ralph“, Clay ainda insiste na busca pela irmã, cruzando pelo caminho outras futuras vítimas de Jason, como o rapaz que trabalha numa serraria – que, embora fique em Crystal Lake e nunca tenha sido incomodado por Jason, providenciará a máscara de hóquei para o vilão, como fez Shelley em Sexta-Feira 13 – Parte 3. Sem o velho carro dos Winchester, Clay conduz sua motoca pela região, coletando pistas até chegar à casa onde estão hospedados os jovens que ele conhecera no posto de gasolina.

Daí por diante, o que acontece é bastante previsível. Os mais fúteis morrerão primeiro, restando para o final aqueles que não quiseram usar drogas ou transar durante o filme.

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Ainda que os reclamões do gênero – que sempre são os mais críticos, mesmo tendo visto tanta porcaria durante a vida – falem do roteiro óbvio, dos clichês em excesso, ou até mesmo algumas liberdades criativas da história (Jason sequestrando garotas?), é preciso que estes se lembrem que o filme se chama Sexta-Feira 13 (e não faz parte da trilogia O Poderoso Chefão), tem um assassino deformado que usa uma máscara de hóquei e mora numa floresta matando pessoas sem que a polícia saiba a respeito durante trinta anos. Para o proposto, o filme cumpre seu papel de “fast food“.

O novo Jason não é lento e bobão como nos filmes da série. Aqui ele é um caçador nato, forte e inteligente, que usa armadilhas para caçar suas vítimas, atira flechas e utiliza de diversas ferramentas para concluir seus atos. Podemos dizer até que ele é vaidoso, principalmente na cena em que encontra a máscara de hóquei e a veste pela primeira vez. Suas agressões são sempre carregadas de violência física, com corpos sendo atirados para todo lado, e muita briga. Ele não é imortal, sente dor e raiva – comprovadas na cena em que ele descobre que algo que lhe pertencia foi levado. Derek Mears (O Retorno dos Malditos) cumpriu seu papel de forma satisfatória, com o corpo sempre erguido, deixando transparecer seu aspecto físico. Seu personagem só perde pontos por deixar de matar determinado personagem por ele ser importante para a história.

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Jared Padalecki faz o seu papel de costume, como se estivesse buscando pistas para algo sobrenatural em sua série. Diferente do seu curioso e boboca Wade (de A Casa de Cera), aqui ele atua sem exageros, apesar do heroísmo em demasia incomodar um pouco. Os demais personagens são comuns para os fãs da série: todos já apareceram em algum filme da franquia, interpretados por outros atores, querendo transar, se masturbar ou usar drogas. São ruins, estereotipados, típicos de toda a franquia.

A violência não é extremamente gráfica, mas está presente para divertir o público. Como destaque entre as mortes, há uma cena que eu já apelidei de “olho mágico“, envolvendo um policial e uma câmera que cruza uma porta. Bem feita, a cena é o melhor momento do filme, quando o desespero tomar conta dos personagens, diante do confronto que se aproxima.

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Em outro momento curioso, Trent encontra um caminhão de guincho na estrada e pede ajuda. Ele fica com receio do assassino ser o motorista, mas Jason está logo atrás dele. Interpretado por Bob King, a cena remete diretamente ao remake de O Massacre da Serra Elétrica, já que o motorista parece bastante Terrence Evans, o velho da cadeira de rodas que dirigia um caminhão parecido, no segundo filme. Será uma referência, ou eu vi demais?

Enfim, a refilmagem de Sexta-Feira 13 repete tudo o que já foi visto antes, durante os 11 filmes e o crossover: muito sexo, mulheres nuas, e mortes. Ele tem seus defeitos e furos no roteiro, pode decepcionar aqueles que esperavam uma inovação, e não está entre os melhores da franquia (ainda gosto mais do sexto filme) mas tem sua dose de diversão e nostalgia, merecendo uma conferida por quem busca um slasher violento. Principalmente se for numa sexta-feira 13 à noite…

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5 Comentários

  1. Satisfatório, mas os 4 primeiros são invencíveis,charmosos e com a marca da super década de 80

  2. Carlos Dente

    Sabe que sempre vi muito potencial no Jason… Dá para fazer um filme muito bom dele: é só se livrar de certos medos (no bom sentido) e respeitar o personagem.

    O filme definitivo do Jason ainda virá.

  3. Braiam Caratti

    Pra ir ver um remake sendo que é o mesmo filme que você já viu, apenas contado de forma diferente? Sexta-feira 13 merece uma sequência, não remakes.

    • Mar dario

      Como mais um capitulo da franquia eh uma otima diversao e melhor que muitos dos outros capitulos, porem como remake nao cumpre seu papel.
      Tirando os primeiros minutos,esse filme nao tem nada a ver com o original.

  4. Anselmo Luiz

    Eu achei fraco, não chega aos pes do filmes originais, vai ver que é por isso que ele nunca foi exibido na TV Aberta ainda é inédito .. eu acho que ele nunca será exibido ao contrario do outros que foram exibidos á exaustão ate o começo dos anos 2000.

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