Críticas

El Baron del Terror (1962)

É uma tranqueira divertidíssima, charmosa a sua maneira, e em nada fica devendo às outras produzidas nesse mesmo período pelos vizinhos norte-americanos

El Baron del Terror
Original:El Baron del Terror
Ano:1962•País:México
Direção:Chano Urueta
Roteiro:Federico Curiel, Adolfo López Portillo
Produção:Abel Salazar
Elenco:Abel Salazar, Ariadna Welter, David Silva, Germán Robles, Luis Aragón, Mauricio Garcés, Rubén Rojo

Depois de acusações de atos ilegais como a sedução de mulheres casadas e a corrupção de jovens virgens, entre outros, um nobre influente é condenado à morte pela Santa Inquisição em 1661, no exato momento em que um cometa passava próximo da Terra. Exatos trezentos anos depois, aproveitando o regresso daquele mesmo cometa, ele retorna para se vingar dos atuais descendentes dos juízes-executores que o condenaram – como havia prometido no passado, antes de ser consumido pelo fogo – e os elimina um a um, sem piedade. Ele retorna num meteorito, assume a forme de um monstrengo esquisito e narigudo, com mãos que terminam em obscenos tentáculos sugadores, e passa a ter estranhos poderes de invisibilidade e transmutação, além de hipnotizar suas vítimas, antes de lhes sugar o cérebro com o auxílio de sua imensa língua bifurcada. De vez em quando, quando não há ninguém por perto, ele dá umas colheradas numa compota cheia de cérebros frescos, que ele mantém dentro de um baú e que consome para manter sua forma humana por mais tempo.

Cotado dignamente como um clássico na revista “Filmfax“, esse obscuro filme estrelado e produzido por Abel Salazar é um dos mais conhecidos e cultuados filmes trash produzidos no México na década de 60, sucesso imenso entre os fãs de produções bagaceiras dos Estados Unidos (e lá recebendo o título de The Brainiac), sendo que o próprio Salazar é responsável por outras cultuadíssimas pérolas como El Ataud del vampiro (1957), El Hombre y el Monstro (1958), El Mundo de los Vampiros (1960), La Maldicion de la Llorona (1963) e La Cabeza Vivente (1963), entre os mais conhecidos – e todas igualmente populares entre os ianques.

Rodado num preto e branco sombrio e atmosférico pelo diretor Chano Urvueta, o plot é mais ou menos parecido com o clássico Black Sunday, rodado na Itália por Mario Bava no mesmo ano, e Fiend Whitout a Face, mais antigo, de 1958, onde há um monstrengo esquisito sugador de cérebros humanos. Há cenas memoráveis, que devem figurar para sempre na memória das antologias bagaceiras, como a queda do meteorito que, momentos depois, se transforma no Barão-monstro; ou o ataque do Barão a uma de suas vítimas canastronas, que, por ser canastrona, não consegue esconder o sorriso. Também, com um monstro ridículo e pateta como aquele, numa máscara de borracha que não convence nem a crianças de oito anos, não podemos culpar o elenco de vítimas… (a máscara fica inflando e desinflando, conforme o monstro se aproxima de sua vítima, num efeito hilário). Isso porque a criatividade do cara que desenhou a máscara do monstro (provavelmente o próprio multi-homem Abel Salazar, o “Ed Wood mexicano“) é de impressionar até aos mais calejados admiradores do cinema trash.

O caso é que El Baron del Terror é uma tranqueira divertidíssima, charmosa a sua maneira, e em nada fica devendo às outras produzidas nesse mesmo período pelos vizinhos norte-americanos, muito mais experientes com orçamentos reduzidos mas donos de uma perícia talvez não muito maior, como comprovam películas similares e igualmente incompetentes como The Navy vs. The Night Monsters (1966) e Zonthar, the Thing from Vênus (1968), entre muitas, muitas outras. No mais, um raro exemplo da finesse gothic mexicana.

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3 Comentários

  1. Douglas

    O Ed Wood mexicano se chama Juan Orol.

    • Edmilson

      Também

    • Edmilson

      Também é.

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