Críticas, Quadrinhos

Meu Amigo Dahmer (2017)

DarkSide Books chega ao mercado de quadrinhos metendo o pé na porta!

Meu Amigo Dahmer
Original:My Friend Dahmer
Ano:2017•País:EUA
Páginas:288• Autor:Derf Backderf•Editora: DarkSide Books

Entre 1978 e 1991, Jeffrey Lionel Dahmer, assassinou 17 homens e garotos em Milwaukee, Winconsin, nos Estados Unidos. Em 22 de julho de 1991, Tracy Edwards lutou com Dahmer e conseguiu escapar, conduzindo a polícia até o apartamento do serial killer onde foram encontrados cadáveres, cabeças, crânios e outras partes de suas vítimas. Dhamer foi acusado de praticar necrofilia, canibalismo e trepanação de cadáveres, sendo condenado a 957 anos de prisão. Em 28 de novembro de 1994, Dahmer, o canibal de Milwaukee, foi assassinado na prisão.

Mas o que levou o jovem Jeffrey Dahmer a se tornar um dos mais terríveis assassinos em série dos Estados Unidos? Como ele era antes de decidir matar pela primeira vez? Essas e outras questões são levantadas pelo cartunista Derf Backderf em Meu Amigo Dahmer, o primeiro título em quadrinhos da DarkSide Books. Derf foi amigo de escola do assassino durante os anos 70 e, chocado com o que viu nos jornais quando antigo colega de classe foi preso, revirou o passado de Dahmer em um dos melhores quadrinhos publicados no Brasil este ano até o momento.

Com um ótimo catálogo de livros de horror e teóricos sobre assassinos em série e temas relacionados, a DarkSide acerta em cheio ao inaugurar sua linha de graphic novels com Meu Amigo Dahmer, unindo os temas pelos quais ela se tornou tão querida entre os leitores em uma história em quadrinhos, algo que já vinha sendo pedido pelos fãs da editora há muito tempo. Tudo com aquele capricho gráfico que já se tornou marca registrada da DarkSide. Mas e a história?

Derf foi colega de sala de Dahmer no final dos anos 70 e logo após o término do colegial, cada um dos amigos do grupo chamado na HQ de “fã-clube Dahmer” acabou indo para um lugar diferente e Dahmer permaneceu na pequena cidade onde moravam até que ninguém mais ouviu falar dele até aquela infame tarde de 1991. Trabalhando como quadrinista e chargista desde os anos 80, Derf decidiu que deveria contar a história de Dhamer antes do amigo se tornar um assassino.

A palavra “amigo” aqui é usada com ressalvas, pois fica claro na HQ que Dahmer sempre teve problemas para se socializar e era o “estranho” no grupo, o que acabava fascinando os colegas. Suas imitações de convulsões e a frequente piada de colocar o desajustado Dahmer nas fotos dos “melhores alguma coisa” da escola fazia com que ele mantivesse o mínimo de contato com os membros do seu “fã-clube”, mas ao menor sinal de sua verdadeira personalidade, como quando começou a beber durante as aulas, voltavam a manter Dahmer à distância, sempre à margem do grupo.

Derf escolhe o tom certo para contar esta história que, mesmo com o tom nostálgico e profundamente triste com que ele olha para o passado e para a ruína do colega de escola, nunca se torna condescendente. Não há um julgamento. O próprio autor diz que apesar de sua compaixão por Dahmer, por saber de toda a dificuldade e problemas que podem tê-lo levado a se tornar um dos maiores assassinos dos EUA, isso termina quando ele optou em não procurar ajuda após a primeira vítima. Em uma das melhores passagens da HQ, Derf se pergunta “onde estava a porra dos adultos” quando Dahmer, ainda adolescente precisou de ajuda. Desta forma, a HQ se torna muito mais documental.

A história percorre todo o período do colegial até o primeiro assassinato cometido por Dahmer em junho de 1978 e todos os detalhes da trama são, em sua maioria, baseados em fatos, com uma ou outra liberdade do autor para preencher as lacunas e montar a cronologia dos acontecimentos. Todos estes fatos estão muito bem descritos em um indispensável apêndice situado ao final da HQ contendo as referências usadas pelo autor. O livro ainda traz cenas extras que foram deletadas, rascunhos, esboços e fotos do período em que se passa a história.

A obra foi publicada de forma independente em 2002, contendo apenas 24 páginas e acabou sendo indicada ao Eisner no mesmo ano. Algo bastante relevante para uma obra independente. Isso serviu de incentivo para de Derf ampliasse sua obra original, chegando a um volume de 224 páginas que foi publicado nos EUA pela Abrams Comic Arts em 2012 e que serviu como base para a edição da DarkSide Books. O traço particular de Derf, característico do movimento underground dos quadrinhos americanos, e sua narrativa gráfica direta e pungente resultam em uma daquelas obras que permanecem na cabeça dias depois da leitura. Simplesmente imperdível!

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2 Comentários

  1. Marcos

    Respeitando as diferenças criativas e o “designer do desenho”(!?) do autor, é curioso, pertubador ou simplesmente curioso como o esteriotipo grafico de um psicopata adolescente em quadrinhos é o mesmo em qualquer lugar do mundo indepentende da cultura. O Dahmer nesse quadrinho do onibus é identico a todo garoto sociopata de quadrinhos japoneses, também conhecido como ‘mangás’. Roupa, cabelo, postura, expressão facial, preto e branco da imagem… Acredito que são coincidencias demais para serem apenas coincidencia, acho que todo artista-desenhista tem subconcientemente essa visão de um personagem de hq que seja adolescente e psicopata.

    • Olá Marcos!

      A diferença aqui é que Dahmer realmente existiu e era exatamente desta forma. Ele era um cara bonito, forte, mas retraído e calado que se vestia e se portava exatamente desta forma como os esteriótipos que você mencionou retratam.

      Mas quem estuda serial killers, sempre faz questão de apontar que eles são totalmente diferentes desses estereótipos que vemos na cultura pop. Geralmente estes caras são os que você menos suspeita. Justamente por isso conseguem se tornar assassinos em série, pois estão acima de qualquer suspeita.

      Abraço!

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