Críticas

A Máquina do Tempo (2002)

Os modernos efeitos especiais são a grande atração nos incitando a viajar pelo tempo junto com o cientista e conhecer novas eras…

A Máquina do Tempo
Original:The Time Machine
Ano:2002•País:EUA
Direção:Simon Wells
Roteiro:David Duncan, H.G. Wells, John Logan
Produção:Walter F. Parkes, David Valdes
Elenco:Guy Pearce, Yancey Arias, Mark Addy, Phyllida Law, Sienna Guillory, Laura Kirk, Josh Stamberg, Max Baker

Uma das características do cinema fantástico atual é produzir várias refilmagens de antigos clássicos do passado. Isso demonstra uma certa falta de originalidade e criatividade dos roteiristas do momento, que preferem resgatar histórias já contadas apenas acrescentando algumas poucas ideias, do que tentar criar algo realmente novo ou pelo menos com situações menos previsíveis e não já largamente exploradas. Por um lado, isso é até compreensível se considerarmos uma certa escassez de ideias, pois em termos de Horror e Ficção Científica, muita, mas muita coisa já foi filmada mesmo, e comercialmente é também mais garantido refilmar algo já conhecido. Por outro lado, os fãs sempre estarão esperando por novidades nessas áreas por mais que estejam saturadas. Porém, não deixam de ser interessantes e atrativas as novas versões para os clássicos, principalmente pela oportunidade de inserir técnicas mais modernas de efeitos especiais, criando novos visuais e proporcionando filmagens de cenas e situações que dificilmente poderiam existir da mesma forma nas produções de várias décadas atrás.

Dentro desse contexto inclui-se A Máquina do Tempo (The Time Machine), que entrou em cartaz nos cinemas brasileiros em 19/04/02, sendo uma refilmagem do original de 1960, dirigido por George Pal e estrelado por Rod Taylor e Yvette Mimieux. O filme é baseado no livro homônimo do popular e cultuado autor Herbert George Wells, escrito em 1894, e que teve inúmeras outras obras filmadas como A Guerra dos Mundos, A Ilha do Dr. Moreau, Os Primeiros Homens na Lua ou O Homem Invisível, sendo ele um dos precursores da literatura de ficção científica. A nova versão é dirigida curiosamente por seu bisneto, Simon Wells, e tem como protagonistas principais os conhecidos Guy Pearce (Amnésia) e Jeremy Irons (especializando-se em papéis de vilões como em Dungeons & Dragons), além da presença da novata Samantha Mumba e de Orlando Jones (um dos cientistas atrapalhados em Evolução).

Na história, Pearce interpreta o cientista Alexander Hartdegen, que vive na New York por volta de 1900, sendo um professor de ciências envolvido no projeto de invenção de uma máquina capaz de viajar no tempo. Após a morte inesperada de sua noiva Emma (Sienna Gillory) num assalto, ele utiliza o incidente como uma motivação para a criação de uma máquina que possa levá-lo de volta ao passado e tentar evitar o crime que vitimou sua amada. Após quatro anos de trabalho a máquina está pronta, porém o cientista depois de várias tentativas se convence que não é possível alterar o passado, e decide então viajar para o futuro, testemunhando a vida no planeta em 2030, um futuro onde entre outras coisas, a Lua foi colonizada pela humanidade, porém uma explosão no solo lunar alterou sua órbita e grandes pedaços caíram na Terra causando enormes devastações.

Continuando sua viagem ele acidentalmente acelera a máquina até atingir o super distante ano de 802.701, passando por diversas e longas eras de transformação do planeta alternando entre cenários desérticos e congelados, num show de imagens. Lá chegando, ele encontra um mundo povoado basicamente por duas civilizações humanoides distintas e inimigas, os “eloi” e os “morlock“. Os primeiros são um povo pacato, que vive na superfície em habitações penduradas em penhascos de forma similar aos índios que conhecemos. Já os morlock são seres disformes, canibais e agressivos, que vivem no subsolo, liderados por um tirano interpretado por Jeremy Irons, numa caracterização que o torna parecido com uma criatura gótica. Nesse novo ambiente, o cientista Hartdegen enfrenta uma grande aventura se situando a favor dos nativos enquanto procura entender e conhecer o mundo do futuro.

O novo A Máquina do Tempo tem algumas diferenças em relação ao primeiro filme de 1960 e ao livro de Wells, o que de certa forma já é esperado pois as refilmagens sempre acrescentam novas ideias ou algumas mudanças nos roteiros originais, porém ainda assim está próximo e não prejudica a obra de seu criador, nem o filme clássico de George Pal. Alguns pontos de diferença notáveis são a ambientação inicial alterada de Londres para New York, o inexistente drama familiar da morte da noiva do cientista motivando a construção da máquina do tempo, o surgimento do líder do povo subterrâneo futurista, também inexistente, ou a caracterização dos novos morlocks, muito mais ágeis e violentos, além de agirem também à luz do dia.

Como curiosidade vale citar a presença do ator Alan Young do filme original, que agora faz uma pequena ponta como um dono de floricultura, que pronuncia uma única frase, deixando claro que sua participação foi uma homenagem. Ou ainda a presença de Orlando Jones como Vox, um computador que personifica um bibliotecário virtual que conseguiu sobreviver ao longo dos infindáveis anos de evolução da Terra, e que num momento de entretenimento fez uma saudação “trekker” para o cientista Alexander, reproduzindo a famosa frase do Dr. Spock de Star Trek, “vida longa e próspera“. Os atores mais conhecidos, Guy Pearce e Jeremy Irons, fazem a sua parte com interpretações que mantém o interesse pela história, apesar que em determinados momentos o roteiro parece confuso e as situações acontecem muito rapidamente. O filme tem apenas 92 minutos e um pouco mais de filmagem provavelmente ajudaria num melhor entendimento. Mas os modernos efeitos especiais são a grande atração nos incitando a viajar pelo tempo junto com o cientista e conhecer novas eras, acompanhando sua trajetória num mundo centenas de milhares de anos no futuro. Pensando apenas na diversão, o que temos a fazer então é relaxar e embarcar nessa viagem…

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