Hellraiser: Judgment (2018)

Hellraiser: Judgment
Original:Hellraiser: Judgment
Ano:2018•País:EUA
Direção:Gary J. Tunnicliffe
Roteiro:Gary J. Tunnicliffe
Produção:Michael Leahy
Elenco:Damon Carney, Randy Wayne, Alexandra Harris, Heather Langenkamp, Paul T. Taylor, Gary J. Tunnicliffe, Rheagan Wallace, Helena Grace Donald

Quem conseguir assistir ao péssimo e completamente desnecessário Hellraiser: Judgment (2018) com certeza vai se fazer uma pergunta ao final. E não, a pergunta não vai ser como foi possível fazer um filme tão ruim, tão mal produzido e tão desnecessário. A pergunta vai ser como Heather Langenkamp participou de uma m**** dessa. Não está se lembrando dela?

Heather Langenkamp foi a final girl Nancy Thompson de A Hora do Pesadelo (1984). Além do primeiro filme, Heather esteve presente nas partes 3 e 7. Podemos afirmar que Heather foi uma das mais importantes final girls do cinema de horror da década de 1980 estando ao lado de nomes como Adrienne King, de Sexta-feira 13 (1980); Ashley Laurence, de Hellraiser (1987), e da musa mor dos slashers Jamie Lee Curtis, de Halloween (1978).

Assim como King e Laurence, Langenkamp não virou estrela de Hollywood, mas tem lugar cativo no coração dos fãs do horror. A própria já deu diversas entrevistas falando que sempre teve orgulho da sua Nancy e da importância da personagem para o gênero e que caso nunca mais fizesse outro filme na vida ela já estaria feliz com o sucesso de A Hora do Pesadelo.

O que muita gente não sabe é que Langenkamp tem duas estatuetas do Oscar na sala de estar da casa dela. Na verdade Heather nunca ganhou Oscar, mas ela é casada desde 1990 com David Anderson, que é proprietário da AFX Studio. Especializada em maquiagem e efeitos de maquiagem, a AFX possui mais de 60 filmes no currículo e já ganhou o Oscar de Melhor Maquiagem por O Professor Aloprado (1996), e no ano seguinte ganhou mais uma estatueta por Homens de Preto (1997).

Você deve estar se perguntando por qual motivo estamos no quinto parágrafo e ainda estamos falando de Heather Langenkamp quando o texto é sobre Hellraiser: Judgment. A justificativa é que não é possível compreender como a atriz concordou em participar de tamanha porcaria. OK, sabemos que ela não virou uma grande estrela como Jamie Lee Curtis, mas ao lado do marido na AFX não é possível imaginar que tenha sido por questões financeiras. Igualmente não podemos dizer que foi pelo roteiro apresentado para ela. Pior, a personagem que Heather interpreta aparece por um minuto no filme inteiro e não faz nada de relevante.

Não é de hoje que a franquia Hellraiser deixou de ser um importante produto do gênero para se tornar uma grande piada. Com dois excelentes primeiros filmes, a série foi decaindo com o terceiro e o quarto filme. O quinto capítulo da saga infernal é apenas mediano. Do sexto Hellraiser em diante a coisa piorou de forma agressiva. Aliás, podemos dizer sem medo de errar os Hellraisers 6, 7, 8, 9 são verdadeiros lixos cinematográficos e envergonham o gênero horror. Hellraiser: Judgment é o décimo filme e basta cinco minutos para incluí-lo no grupo dos títulos ruins.

Em Judgment (Julgamento em português), acompanhamos um trio de detetives na tentativa de desvendar uma série de crimes que parece ter ligação com um serial killer. Ao mesmo tempo, Pinhead (desta vez interpretado por Paul Taylor) segue em busca de vítimas para levá-las aos prazeres do inferno. Não demora muito para os caminhos destes personagens se cruzarem no momento em que um dos detetives parece despertar o interesse de Pinhead.

O roteiro escrito por Gary Tunnicliffe é assustador de tão ruim ao mesmo tempo em que tenta reutilizar elementos já vistos na franquia e trazer novas ideias sendo uma pior do que a outra. Tunnicliffe é um nome conhecido em maquiagem de filmes de terror, já tendo participado de mais de 90 produções, desde a própria franquia Hellraiser, tendo começado com Hellraiser 3: Inferno na Terra (1992) e incluindo filmes como Halloween 6 (1996), Banquete no Inferno (2005) e Pulse (2006). Tunnicliffe também passou por outros gêneros com X-Men Origens: Wolverine (2009) e Todo Mundo em Pânico 5 (2013).

O que sobra a Tunnicliffe em experiência de maquiagem falta como roteirista e principalmente diretor. O filme não tem ritmo, tudo é mostrado de forma entediante e amadora, até as mortes, que são no mínimo bobas. E quanto às tais novidades no roteiro, uma é pior do que a outra. Detalhe para uma espécie de ser celestial que aparece lá pela metade do filme.

E quando você pensar que a série Hellraiser não consegue mais surpreender negativamente, bem vindo ao final deste filme, de longe o pior de todos os dez. Quanto a Heather, ela interpreta a dona de um prédio que aluga quartos para pessoas e recebe o trio de detetives em busca de um suspeito. Como o tempo dela em cena é de um minuto, e muita gente vai assistir a este filme avançados as cenas, é possível nem perceber a participação da atriz. Sorte dela.

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Filipe Falcão

Filipe Falcão

Jornalista com Mestrando em Comunicação. Fã de Cinema, mas com gosto especial para filmes de Terror. Para ele, o gênero vai muito além de sangue e morte.

4 comentários em “Hellraiser: Judgment (2018)

  • 29/06/2018 em 20:52
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    Se um de vcs do site morar em SP, gostaria de saber se é possivel uma entrevista. É para minha iniciação cientifica a respeito de filmes que dão medo.

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  • 21/06/2018 em 22:48
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    Achei o Revelations pior! Mas esse filme é pessimo

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  • 21/06/2018 em 13:12
    Permalink

    Parei no 7, q parece um ep. De “Além da Imaginação”. Mas, ainda encaro até o 4 com carinho por causa da época que vi… Depois, vi o q estava na Netflix, q nem sei qual é e foi arrependimento a cada minuto. Nem passarei perto deste! ):
    Cag*ram num tema q tinha tanto, tanto pano pra manga.

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