The Walking Dead – 1ª Temporada (2010)

The Walking Dead (2010): 1×06 TS-19

The Walking Dead (2010) (1)

The Walking Dead
Original:The Walking Dead
Ano:2010•País:EUA
Direção:Gwyneth Horder-Payton
Roteiro:Frank Darabont, Robert Kirkman, Tony Moore, Charlie Adlard
Produção:Denise M. Huth, Tom Luse
Elenco:Andrew Lincoln, Jon Bernthal, Sarah Wayne Callies, Norman Reedus, Juan Gabriel Pareja, Laurie Holden, Jeffrey DeMunn, Steven Yeun, Chandler Riggs, Irone Singleton, Emma Bell, Jim R. Coleman, Linds Edwards, Keisha Tillis

Desde que os mortos deram seus primeiros passos em The Walking Dead, foi grande a expectativa em torno desse seriado de terror ambientado num mundo apocalíptico, com referências constantes aos clássicos do gênero. Não era para menos: o primeiro episódio, Days Gone Bye, colocou um sorriso no rosto dos fãs de produções de zumbis e de quadrinhos, ainda que suas diferenças fossem evidentes. Acompanhar a trajetória do policial Rick pelas ruas desertas de uma Atlanta sem vida, enquanto sonha em reencontrar sua família, sem saber o que aconteceu com o mundo ou porquê as pessoas resolveram voltar dos mortos, era realmente uma ótima ideia: por que ninguém havia pensado nisso antes?

Rick não estava sozinho nessa busca. Nas proximidades da cidade, um grupo espreitava os acontecimentos de um acampamento, tentando se comunicar com outras pessoas através de um rádio. Havia também aqueles que se escondiam num edifício e o ajudaram, tirando-o de um tanque de guerra envolto de comedores de carne humana. No ótimo Guts fica evidente que nem todas as pessoas que sobreviveram são boas, e algumas são piores do que os zumbis que caminham pelas ruas. Rick e seus novos amigos fugiram do local para encontrar os demais vivos, o que gerou grandes encontros no terceiro episódio.

The Walking Dead (2010) (2)

Tell It to the Frogs pode ser considerado o momento mais fraco da temporada. Os zumbis são deixados de lado para a apresentação dos personagens, seus conflitos e reencontros, ao passo que a traição de um amigo é colocada em cheque, fazendo o público questionar os atos de Shane ao ter escondido da esposa Lori a sua sobrevida. Mas, não é culpa dos roteiristas, já que era necessária essa interação para que o público pudesse se importar com aqueles sobreviventes. Também pesou contra a série a decisão absurda de Rick em comandar um grupo de resgate do mau-caráter Merle Dixon, deixando sua família e novos conhecidos a mercê dos zumbis.

Se o terceiro não teve um bom resultado, pelo menos tudo foi compensado pelo espetacular Vatos, quarto episódio da série. Além de trazer bastante ação e mortos-vivos – além de uma gangue escondida na cidade que sequestrou Glenn -, a narrativa se relacionava ao sonho profético de Jim, que, de repente, surtou e começou a cavar buracos no chão; covas indicando uma tragédia iminente. O final sangrento e surpreendente trouxe de volta a esperança de bons episódios e momentos marcantes e assustadores.

Wildfire prometia ser mais um episódio de lágrimas e enterros, mas o roteiro acertou em apostar no tema “zumbis conhecidos” para mostrar a relação entre as pessoas que perdem seus parentes e são obrigados a enfrentá-los como criaturas irracionais. A volta de Amy, a vontade que Shane tem de matar Rick e o novo rumo dos sobreviventes tornaram o episódio bastante dinâmico, e o final Lost também ampliou a curiosidade dos telespectadores para o final da temporada.

As referências à série de sucesso Lost foram muitas em The Walking Dead, mas não tão evidentes quanto os acontecimentos de TS-19, último episódio da primeira temporada. Deixando de lado as ações dos quadrinhos, The Walking Dead procurou apostar na relação entre os personagens e desenvolver conflitos que possam continuar na próxima temporada. Neste último capítulo, os personagens chegaram à desejada “C.C.D“, provavelmente o lugar mais seguro da região. Toda a situação envolvendo a chegada do grupo e a estrutura do local lembraram bastante aquela série que passava numa ilha cheia de mistérios. No entanto, a referência maior está na ausência de explicações, deixando diversas pontas soltas para 2011.

The Walking Dead (2010) (3)

Assim que os sobreviventes foram recepcionados pelo Dr. Edwin Jenner (Noah Emmerich, de Pecados Íntimos), ele, armado, perguntou se alguém estaria infectado e disse que o ingresso seria um exame de sangue (tal atitude ocasiona um furo no roteiro, já que a ação do final do episódio contradirá todo esse medo do médico). Depois, todos tiveram oportunidade de tomar banho quente e jantar bem, e até uma boa noite de sono, regada a muito vinho.

Shane, que era visto pelo público como um possível vilão pela mentira contada à esposa de Rick, acabou sendo inocentado por um flashback (outro momento Lost), que mostrou o policial fazendo de tudo para ajudar o amigo quando a situação fugiu ao controle de todos. Porém, a bebedeira fez com que ele agisse de modo agressivo com Lori, tentando beijá-la à força. Parece que essa irregularidade do personagem será arrastada até a segunda temporada.

Quando o final parecia perfeito, com o grupo feliz pela nova morada, o doutor explica o processo de evolução da doença e apresenta a paciente que serviu como base da experiência, chamada TS-19. É interessante acompanhar como o vírus age no cérebro da vítima da sua morte até seu ressurgimento; também são dadas pistas de que o vírus pode ter surgido num laboratório como esse. Descobrem um cronômetro que indica que algo aconterá dentro de uma certa hora e que as pessoas ali presentes, assim como o prédio inteiro, poderão ser eliminados antes que a ameaça abandone o local. As portas são trancadas…o medo da morte toma conta do ambiente!

Ameaça? Será que os exames apontaram a presença do vírus entre os sobreviventes? Ou o erro cometido pelo doutor no começo poderia justificar o processo de auto-destruição? Por que os cientistas cometeram suicídio se ainda não estavam contaminados e o prédio aparentava ser um local seguro? E mais: o que teria dito o doutor para Rick, nos últimos minutos?

TS-19 bateu recordes de audiência e aumentou a credibilidade de uma nova temporada. Porém, foi extremamente decepcionante para aqueles que esperavam mais ataques de zumbis e vítimas, em cenas sangrentas; eles pouco apareceram no último episódio, ficando apenas o mistério em relação ao Centro de Controle de Doenças e sua influência no que está acontecendo lá fora – situações que não existem nos quadrinhos. Questionamentos assim também aconteciam em séries como a extinta 24 Horas (se houvesse um episódio em que Jack Bauer não desse um tiro), por exemplo. Além disso, pesou contra The Walking Dead as diferenças entre as Comic Book e a série, com os fãs irritados por cada mudança na história.

Ora, é preciso entender que a linguagem de uma série de TV é diferente da de uma revista em quadrinhos ou da de um filme de zumbis. É claro que erros graves ocorreram no seriado – alguns como furos no roteiro e clichês característicos de produções assim -, mas, no geral, a avaliação pode ser positiva.

The Walking Dead está distante de ser uma série perfeita, porém os primeiros passos foram dados. Com a demissão da equipe de roteirista, fica ainda mais evidente de que o seriado terá novos rumos em 2011. Pena que diferente de um zumbi, ela só retorne em outubro, daqui a dez longos meses.

(Visited 131 times, 1 visits today)
Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

WP-Backgrounds Lite by InoPlugs Web Design and Juwelier Schönmann 1010 Wien