Críticas

Navio Fantasma (2002)

Apesar dos inevitáveis clichês do gênero, o filme é um bom entretenimento trazendo alguns sustos, e principalmente várias cenas sangrentas!

Navio Fantasma (2002)

Navio Fantasma
Original:Ghost Ship
Ano:2002•País:EUA, Austrália
Direção:Steve Beck
Roteiro:Mark Hanlon, John Pogue
Produção:Gilbert Adler, Joel Silver, Robert Zemeckis
Elenco:Julianna Margulies, Gabriel Byrne, Ron Eldard, Desmond Harrington, Isaiah Washington, Alex Dimitriades, Karl Urban, Emily Browning, Francesca Rettondini

A produtora Dark Castle Entertainment, que tem o consagrado diretor Robert Zemeckis entre seus executivos, foi a responsável pelo lançamento dos apenas medianos A Casa da Colina (1999) e Treze Fantasmas (2001), que exploraram histórias sobre casas assombradas, sendo na verdade refilmagens homônimas dos antigos A Casa dos Maus Espíritos (1958) e Thirteen Ghosts (1960), ambos dirigidos por William Castle. Agora, a produtora retorna lançando outro filme no mesmo estilo, porém superior, Navio Fantasma (Ghost Ship), que estreou nos cinemas brasileiros em 14/02/03, novamente com a direção de Steve Beck (o mesmo de Treze Fantasmas), a partir de uma história de Mark Hanlon.

Uma equipe profissional de resgate de navios em alto mar, à bordo do barco rebocador Arctic Warrior, tem seus serviços requisitados por um piloto da força aérea canadense, Jack Ferriman (Desmond Harrington, de Pânico na Floresta e da série Dexter), para investigarem o misterioso surgimento da carcaça abandonada de um imenso navio na costa do Alasca, no Mar Bering.

O grupo de seis pessoas é formado pelo líder Capitão Sean Murphy (Gabriel Byrne, de Fim dos Dias e Stigmata), que tem como sósia a chefe Maureen Epps (Julianna Margulies, de Serpentes a Bordo), além do restante da tripulação, o imediato Greer (Isaiah Washington, de A Casa dos Pássaros Mortos) e os técnicos Dodge (Ron Eldard, de Super 8), Munder (Karl Urban, de Star Trek: Além da Escuridão) e Santos (Alex Dimitriades).

O piloto Ferriman junta-se ao grupo de salvamento propondo a eles parceria nos lucros caso encontrassem materiais de valor no interior do navio à deriva, pois de acordo com leis internacionais, qualquer navio encontrado em águas não pertencentes a nenhuma nação, pode ser apossado por quem o encontrou. Eles descobrem então que a embarcação é na verdade os restos totalmente deteriorados do navio de alto padrão italiano Antonia Graza, construído em 1954.

Navio Fantasma (2002) (2)

Os transatlânticos italianos eram muito conhecidos por não serem velozes, porém extremamente luxuosos, e esse especificamente desapareceu de forma repentina em 21 de maio de 1962, sem dar sinais ou qualquer contato, quando viajava para os Estados Unidos, permanecendo oculto por longos 40 anos. Ao interceptarem o navio, o grupo de resgate percebe que ele está vazio e sem vida, não encontrando nenhuma explicação lógica para seu desaparecimento e para o destino das centenas de tripulantes e passageiros, porém descobrem também uma grande quantidade de barras de ouro.

Pensando exclusivamente nos lucros com a descoberta, e após um misterioso acidente que causou o naufrágio do rebocador, o grupo não imaginava que estava entrando em contato com um navio amaldiçoado e que enfrentaria eventos sobrenaturais de uma terrível força maligna que habitava o local, a qual se tornaria mortalmente ameaçadora para suas vidas.

Navio Fantasma novamente apresenta um roteiro dentro de um subgênero do cinema de horror explorado à exaustão numa infinidade de produções parecidas, através de histórias de ambientes assombrados por fantasmas. Porém, dessa vez o palco não é uma macabra mansão gótica e sim um estranho navio perdido na vastidão do oceano, fato que intensifica ainda mais o sentimento de solidão e o desespero pela impossibilidade de fuga, lembrando outro filme igualmente interessante, Enigma do Horizonte (Event Horizon, 1997), de Paul W. S. Anderson, cuja assombração está presente numa imensa nave vagando perdida no espaço, com toques no melhor estilo de Hellraiser.

Apesar dos inevitáveis clichês característicos do gênero, o filme é um bom entretenimento trazendo alguns sustos, e principalmente várias cenas sangrentas com direito a corpos cortados ao meio e violentos fuzilamentos (em especial vale registrar uma sequência envolvendo um acidente de um mecânico com uma enorme engrenagem). Os cenários são bem convincentes e fantasmagóricos destacando o imenso navio deteriorado pela esmagadora ação do tempo.

Navio Fantasma (2002) (1)

Podemos notar também algumas similaridades com outras produções divertidas como Tentáculos (Deep Rising, 1998), de Stephen Sommers, cuja história mostra um imenso navio de luxo à deriva no oceano, sendo interceptado por um grupo de criminosos que pretendiam saqueá-lo e ao entrarem à bordo, eles descobrem um cenário de morte e destruição, passando a serem perseguidos por horrendas criaturas com enormes tentáculos, oriundas das profundezas desconhecidas e abissais do mar da China.

Ou ainda como o bem mais velho, raro e obscuro Navio da Morte (Death Ship, 1980), fita canadense estrelada por George Kennedy e Richard Crenna sobre um navio militar assombrado por demônios e fantasmas encontrado vazio no meio do mar e que havia servido de palco para sessões de interrogatórios e torturas dos nazistas contra prisioneiros durante a Segunda Guerra Mundial. O belo cartaz original desse filme deve ter inspirado o poster promocional de Navio Fantasma, pois ambos são incrivelmente parecidos, para não dizer que o mais recente é uma cópia perfeita de seu antecessor.

Como curiosidade, a ideia básica do filme Navio Fantasma possui fortes referências num antigo e famoso caso real de uma embarcação chamada Mary Celeste (aliás, citado no próprio filme), que partiu dos Estados Unidos em 1872 com destino à Europa, e foi encontrado várias semanas depois vagando errante na imensidão do Oceano Atlântico, sem avarias significativas, com a carga quase intacta e completamente vazio.

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Sua tripulação desapareceu sem deixar vestígios ou explicações, sendo um mistério até hoje, principalmente pelo fato improvável do barco navegar sozinho por longas distâncias até ser interceptado, e com o caso sendo transformado em uma lenda tradicional popular geralmente conhecida como Navio Fantasma.

O elenco é pouco conhecido destacando-se o veterano Gabriel Byrne, já visto em outros filmes de horror, e a atriz Julianna Margulies numa interpretação determinada, novamente num personagem já bem comum no gênero, uma heroína inspirada na famosa Tenente Ripley feita por Sigourney Weaver no clássico Alien, 1979, de Ridley Scott.

Navio Fantasma (2002) (5)

Os destaques vão para a cena inicial de forte impacto, envolvendo o navio Antonia Graza em seus dias de glória, com dezenas de passageiros dançando num imenso salão e sendo vítimas de um cabo de aço assassino, com um resultado extremamente sangrento e bem filmado. E para as cenas onde aparece o fantasma de uma pequena garota, Katie Hargrove (Emily Browning, de A Hospedeira e O Mistério das Duas Irmãs), reservando alguns sustos, ela que tentava avisar a heroína Epps sobre os perigos do navio. É interessante notar a tendência dos roteiristas em apresentar garotinhas meigas em papéis misteriosos em seus filmes, como pode ser visto também no excepcional O Chamado (The Ring) com a temível Samara Morgan, ou ainda em Resident Evil – O Hóspede Maldito, na figura virtual representativa do computador central Rainha Vermelha, que controlava o laboratório secreto da Umbrella Corporation.

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8 Comentários

  1. roberto cardoso

    No geral, é um bom filme,mas a cena das almas sendo libertadas é muito Steven Spielberg. Tirando essa pieguice, o final entra na lista do “vai começar tudo novamente”. É clichê, mas é divertido.

  2. Gilson Bloch

    excelente filme , tenho o dvd e já assistir várias vezes, eu recomendo…

  3. I Hammes

    Filme realmente muito bom, lembro que na época do lançamento em ganhei o VHS de presente e assistia o filme seguidas vezes todos os dias, [Enquanto crianças normais assistiam desenhos] nunca me cansava, foi um desvio de todos os brinquedos assassinos que eu assistia antes, se tornou um clássico pra mim, a cena do cabo de aço ficou como ícone, e tentaram reciclar a mesma em The Collection 2.

  4. vanessa vasconcelos

    uma filme mediano,mas dá pra assistir.destaque para a trilha sonora: not falling do mudvayne,música foda demais 🙂

    • I Hammes

      Filme realmente muito bom, lembro que na época do lançamento em ganhei o VHS de presente e assistia o filme seguidas vezes todos os dias, [Enquanto crianças normais assistiam desenhos] nunca me cansava, foi um desvio de todos os brinquedos assassinos que eu assistia antes, se tornou um clássico pra mim, a cena do cabo de aço ficou como ícone, e tentaram reciclar a mesma em The Collection 2. Trilha sonora muito boa.

      • Eu nao entendi o filme pq aquele homem sobreviveu no final e o ouro eu nao entendi nada pode me explicar o filme?

        • lutiane

          Pq ele era uma espécie de demônio q usava o navio e o ouro para arrecadar almas,no final ela destruiu o navio e libertou aquelas almas mas ele voltou e levou o ouro para outro navio para começar td de novo

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